segunda-feira, 30 de agosto de 2010

A Semana da Utopia Realizada

Começou a semana em que o Clube do Povo irá completar a marca de cem anos de eternidade.

O Corinthians de nóis tudo, manifestação palpável do anseio popular por emancipação, faz um século de História.
A História mais bonita que a humanidade já forjou. História que é referência não apenas no Futebol, pois o ao Povo foi possível jogar o Futebol "oficial" das elites por causa da Revolução Corinthiana de 1913, mas é referência na Cultura Popular Brasileira.
Fenômeno sociológico a ser estudado em profundidade.

Antes de mais nada, portanto, PARABÉNS, CORINTHIANO(A).

VIVA O CLUBE DO POVO!!!

O calendário de Festas é extenso, e cada Corinthiano faz o seu, à sua maneira.
Importante é soltar rojão às 00h do Dia do Corinthians, 1º de Setembro. Vale começar estourar já no dia 31 inteiro...
O Marco será reinaugurado, às 19h10 do dia 1º.
Depois, carreata até a Cidade Corinthians e Corrente de São Jorge, em volta do Parque Sagrado.
E o fundamental resgate histórico será feito no Pacaembu (www.semanadocorinthians.com.br).
Colocar bandeira na porta, na janela, na garagem, no carro, se você ainda já não fez, te pergunto por que.

E falar sobre o jogo de quarta já é desnecessário. Ontem foi uma continuação daquilo, com a diferença que jogamos no Templo Sagrado. No dois jogos vimos cansativo toque de bola e falta de arremate. Mas enquanto jogar como CORINTHIANS, esse Timão irá naturalmente conquistando, degrau por degrau, uma bela ascensão neste campeonato modorrento de pontos corridos.
O segundo tempo de ontem foi igual ao jogo de quarta.
No primeiro tempo, parte boa do jogo, atacando de meias pretas o gol do Portão Principal, é que o Corinthians jogou bola mesmo. O Gordo realmente é qualidade no toque de bola, isso é inegável. Em determinadas situações, quando elas conseguem ser constituídas, é dele um bom passe. E mesmo algum arranque dominando a bola entre três defensores pôde ser observado hoje.
Mas o que me deixa satisfeito com o fato do Gordo usar a 9 da Companhia de Jorge, é que se trata de uma contradição fundamental.
Veja bem, onde é que se vê um craque gordinho jogando bola?

NA VÁRZEA!!!

E o Coringão é e sempre foi a Seleção das Várzeas. É Histórico.
Mais uma vez a História se cumpre para esse Clube predestinado.
Um Século depois o Clube do Povo, com toda irreverência e ironia que a Várzea proporciona, retorna a ela. Quase "sem querer". Imerso nessa "modernidade".
Como opimo filho, jamais se distanciaria dela.
Completando um século, o Clube do Povo saúda seu berço, a Gloriosa Várzea. Na figura do maior Fenômeno profissional e marqueteiro do Futebol mundial. Doce ironia, que só poderia acontecer no Clube que destroça paradigmas errados do Futebol, e os reconstrói segundo sua Mística Corinthiana. Segundo o Corinthianismo.
São Jorge escreve sempre certo, Família Corinthiana. E este notável fato não é simples coincidência, assim como nada é por acaso na História do Corinthians. A mais bela História...

Superar dificuldades é o mais completo deleite de existência do Corinthianismo.
Toda verdade passa por três estágios.
Primeiro, é ridicularizada. Assim foi feito com o Clube do Povo, que contava então com uma essencial pobreza material, contraposta a uma essencial riqueza de Alma e de Amor.
Segundo, é violentamente oposta. E esta é a chave do Corinthianismo; seguir sendo mesmo com tantas rasteiras e armadilhas, por parte de seus detratores. Assim foi na História do Corinthians inteira. E segurá sendo. Até que...
Terceiro, é aceita como auto-evidente. Eis o processo no qual estão imersos os anticorintianos. Enquanto não aceitarem a auto-evidência desta verdade Corinthiana, serão sempre sobrepujados, pois a Mística Corinthiana é inata, imbatível, natural e divina. E estarão rendendo-se à mediocridade de um suposto poder ascendente, que se chama "voz oficial", e é papagaiada por abutres.

Querem maior beleza que o fato da Festa em comemoração ao Centenário ser feita por cada Corinthiano(a), onde estiver?
Esta Festa será tão completa e geral, que não terá limites ou fronteiras. Será apenas mais uma prova de que somos uma Nação grandiosa, e também nos demonstra que o Corinthians não tem "data", uma vez que as bandeiras já estão colocadas nas janelas, e os Mantos Sagrados já desfilam pelas ruas.

Somos um Povo. Temos História, linguagem, Cultura, Alma própria. Somos a realização de uma Utopia. Eis a Grandiosidade desse GIGANTESCO CLUBE, incomparável e magnânimo.

Que o sopro dos fantasmas ancestrais atravesse os tempos!
Que todas as gerações vislumbrem a referência que a Mística Corinthiana!
Que nossa História seja contada, recontada, bradada aos quatro ventos, nos quatro cantos do mundo, e que nossa Eternidade seja nossa maior Glória, sempre!

O Corinthians imortaliza o Povo, desde 1910!
Viva Joaquim Ambrósio, Antonio Pereira, Carlos Silva, Raphael Perrone e Anselmo Correia, os Primeiros de Milhões!

VIVA O CORINTHIANS!!!

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Trigésimo Sexto Capítulo

"Per Aspera Ad Astra"
O Time do Povo

Por Filipe Martins Gonçalves

Encerramos essa série, que pretendeu contar boa parte da História mais bela que a humanidade já forjou, com uma espécie de reflexão.

Pois a História do Corinthians é mais que emblemática. É, em sua completude, a História da emancipação popular, em uma sociedade de extrema desigualdade.

O Futebol está enraizado na cultura brasileira, porque o maior Timão das Várzeas do começo do século XX alçou o Futebol dito oficial.

E a Várzea é a prova de que Futebol não é apenas um esporte, não é apenas um elemento civilizatório das sociedades modernas e industrializadas. O ludopédio está para a raça humana assim como os campos de batalha estão para os guerreiros. E a Várzea, esse solo sagrado onde as artimanhas de moleque eram levadas em pé-de-guerra, é o berço do Futebol de linhas curvas, da ginga com a bola, e da picardia do Futebol de verdade. Era a continuação da brincadeira de rua.

De forma que sem a História do Corinthians, o Futebol dito “oficial” dificilmente teria deixado de ser um passatempo para a alta sociedade. O Corinthians rompeu esta barreira, e foi além. Quando a Seleção varzeana, que foi o Coringão em sua infância, leva toda essa extensão da brincadeira de rua, do campinho onde se aprendia o Futebol descalço, para o Velódromo, o Futebol brasileiro passa a ser definitivamente do Povo. A elitização vem desde este ponto, como reação a essa verdadeira Revolução Corinthiana.

O Corinthians foi fundado durante a consolidação dos sindicatos operários, em sua maioria efeito de contestação pontual de ativistas operários das metrópoles brasileiras. Seu primeiro presidente, Miguel Battaglia, teve um histórico de agitação na massa operária. O Corinthians era feito pelas mãos ásperas do Povo, do operário, do trabalhador braçal, dos autônomos que lutavam pelo pão de cada dia. Quando foi criado o Clube do Povo, o Club de verdade, para passar por cima dos almofadinhas (pois era essa a agitação daquela turma, esse era o propósito e o intuito nascido na Utopia sob a luz do Cometa, em maio, na praia do rio Tietê, ao som da seresta...), Miguel estava "refugiado" na profissão de alfaiate. Os imigrantes chegavam já com profissões, antes de ir para lavoura ou para fábrica. Menos de um mês na Presidência, ele se mudou para Piracicaba. Estaria sendo vigiado?...

A História do Corinthians é repleta de exemplos que comprovam o incômodo que ele causa. A massa popular, que com Ele vai onde Ele for, já deixava as madames de cabelo em pé desde 1913.

Quando o Corinthians eleva o Futebol varzeano para o Futebol "oficial", em 1913, no mês de março, nasce o anticorintianismo 'constatável'. As maledicências permeiam as vozes da imprensa, que passa agir sobre o Corinthians como os abutres sobre uma carniça. Mas no caso a carniça era mais forte, e o pequeno Corinthians se fez Gigante.

Campeão em 14, foi alijado da disputa do ano seguinte através de uma rasteira. Imaginavam que assim acabariam com essa agitação popular. Sem a renda de seus jogos, o Corinthians não faliu porque passava o chapéu nas fábricas, nos comércios, entre o Povo.

E neste mesmo ano, os jogadores voltam para o Corinthians; prova de amor. Não é demais imaginar que em nenhum clube do mundo isso aconteceria.

Em 1916, no começo do ano, enfrentou os campeões de 1915; os organizadores da Taça Beneficência Espanhola escolheram o Corinthians porque senão não teria viva alma para assistir o jogo entre o Germania e a A.A. das Palmeiras...

E o Corinthians meteu 3 a 0 e 4 a 1, respectivamente. Por isso "Campeão dos Campeões". Quando foi que alguém da imprensa ressaltou esse fato gigantesco, prova de grandeza em uma época difícil, que o Corinthians tinha nada além do amor da Torcida, que é até hoje a "Torcida que tem um Timão"?

Campeão novamente. Novamente invicto. Vencendo todos os seus jogos.

O Presidente, sr. Alexandre Magnani, era cocheiro de Tilburi, espécie de taxista na época. E o Corinthians, na imprensa que chamava o Paulistano de "nossos moços", era chamado de "clube de carroceiro". Isso por si só é o exemplo cabal da difamação sistemática que o clube dos "desdentados", "favelados" sofre ao longo de toda sua existência... Mas não pára por aí. Ao longo do tempo conseguiram fazer crer em todas essas bobagens boa parte da população. Temos exemplos piores, posteriormente, mas a idéia é sempre essa.

Só em 1917 acontece uma greve geral no Brasil, fruto da maturação do processo reivindicatório de direitos trabalhistas e mais além disso, impulsionada por idéias anarco-sindicalistas.

E o maior dos anarco-sindicatos da época era o... Corinthians!

No Campo que o Corinthians mantinha na raça, ao lado do Parque da Luz, os Corinthianos escreviam "pão, terra e liberdade". Para deixar em choque a alta sociedade que fazia seus saraus do outro lado da rua. Poderá observar que nessa época, com a Paulista já bem formada com seus casarões, os saraus passaram a acontecer no Trianon... A elite abandonava a cópia do Parc des Princes parisiense...

Enfim, os times de Dona Florinda ("vamos, Quico, não se misture com essa gentalha") faliram diversas vezes. Viram o poderio do Clube do Povo sobrepujar suas merrecas em 1922, ano do Centenário da Independência... Para completar, o Corinthians foi campeão em seis dos dez campeonatos disputados na década de 20.

Resultado? O Paulistano abandona o Futebol. Os orfãos de Dona Florinda criam uma instituição para sempre preferencial freguesia do Corinthians... O esforço para fazer esse clube ser vitrine alguma coisa envolveu as mais altas esferas do poder público. E o Corinthians, em nome do Povo, que fez? Transformou em freguesia.

Recentemente, o Corinthians ficou um bom período sem ganhar delas. A imprensa criou o estigma de freguês, elas desvirtuaram nosso cântico "Corinthians minha vida, minha história, meu amor", num exemplo claro de alienação histórica. Mas o curioso está agora: hoje, faz os mesmos tantos que elas não ganham de nós, mas a imprensa não decalca esse fato como fariam se fosse o contrário.

O Futebol é público, e tudo que é público é também Político.

O Corinthians, logo de cara, mostrou a que veio, devolveu o Futebol ao Povo. E, para completar, foi ser poliesportivo como nenhum outro Clube do Brasil. Nenhum clube brasileiro acumula tantas glórias em esportes tão variados, como basquete, remo, natação, handebol, futsal, tamboréu, peteca, judô...

Até hoje existe o esforço colossal de se diminuir isso. Mas na História do Corinthians tudo é forjado pela Mística. Que começa na raiz dessa gigantesca árvore, a Fiel Torcida, e envolve todos os guerreiros que lutam por este Manto Sagrado, em todas as modalidade e idades.

O Futebol não é apenas esse esporte profissional gerador de lucros para investidores, essa imagem que nos é “vendida” em todo lugar. Tampouco é o território bárbaro da violência. Enquanto os investidores bancam essa imagem falsa da violência, o povo perde seu espaço nas Arquibancadas. E o Futebol vai sendo aos poucos transferido do terrão, da rua, para o gramado sintético das escolinhas. Muita gente ganhando, clubes vendo o bonde passar, e em pouco tempo voltamos ao estágio de antes de 1913, e até pior. O controle do Futebol é uma obssessão da alta sociedade, desde o ocaso de 1913, quando o Coringão devolveu o Futebol ao Povo.

E a bola, a Deusa Bola, é incontrolável...

E não é alcançada por quem não a tem por paixão, e por isso não a merecerão jamais; daqueles que a transformam em “produto comercial” como desculpa para tentar atingir esse controle elitista. Mas ela é, de fato, um instrumento sacralizado da domesticação do conflito ancestral da humanidade. Não é guerra, e não é brincadeira. É Futebol. Ou, como diziam os japoneses que praticavam Kemari, ludopédio antigo, a bola representa o próprio Sol. A metáfora é verdadeira, sem Sol não há vida; sem a Deusa Bola, a vida seria impossível.

E ela pertence ao povo, e como o próprio Sol, não distingue cor ou credo. Ela é da humanidade. E o homem cria seus mitos, suas religiões. O Povo Corinthiano foi o primeiro a criar seus mitos, numa religião e através de sua voz, o Corinthians.

Mas o povo está sendo colocado para fora de campo, sem nem ao menos se dar conta, de tão vidrado que está na telinha do plim-plim.

Tudo é pela modernidade do Futebol... É para coibir a violência... Selecionar o público... Dar conforto a quem pode consumir...

E o Futebol? E a Torcida? Antes de existirem os alambrados, existiam cercas. Para ganhar uma renda maior, os clubes disponibilizavam cadeiras entre as quatro linhas e as cercas. Sem proteção nenhuma, como em uma roda de Capoeira Angola. Mas agora, o padrão FIFA requer uma placa transparente, como um aquário. Isola-se o torcedor do campo. E ainda que a distância seja milimétrica, é crucial, delimitadora, mordaz.

Uma camisa de força, uma mordaça. Mesmo que o torcedor já esteja sendo selecionado pelo custo alto do ingresso, em uma sociedade de poder aquisitivo ridículo. Por isso o plim-plim, aliado dos empresários que acometeram o Futebol e favorecidos pelo poder público, tende a vencer se deixarmos. Já convenceu a todos de que torcedor é bandido. Criminalizando o torcedor, e não o cidadão que pratica barbaridades por inúmeros outros motivos alheios ao Futebol, facilmente se convence da falsa necessidade de elitização.

E não adianta sugerir motivos financistas para aumentar o preço dos ingressos, nem para sanar dívidas. Afinal, clubes mais endividados e com menos patrocínios conseguem contratações através dos empresários, sem que a imprensa faça nenhum alarde, como faria se fosse o Corinthians. Ainda que o desavisado esteja ‘convencido’ que o Corinthians é o único clube “endividado” do mundo...

O que os empresários estão fazendo é transformar o Futebol brasileiro em mera vitrine, geradora de lucros para eles. Assim, nosso Futebol local se enfraquece diante do Futebol português, turco, etc. O grande passo para essa “conquista” foi justamente o apoio dos dirigentes de clubes brasileiros, que fingem melhorar o faturamento aumentando o preço do ingresso, e afastam o Torcedor promovendo a elitização.

E certo dirigente tentou ser malandro, e fez cair no colo da Torcida mais mobilizada do país uma questão que precisamos resolver. Criaram a idéia na cabeça da população desavisada de que a “parceria” que Dualib tentou atrair é um problema.

Mas o problema é a tal da lei, o problema é a figura do empresário dominando o cenário futebolístico. Esse convencimento regado a lavagem cerebral midiática é arquitetado e vem a calhar com os propósitos da anticorintianada, desde 1913.

Aquele playboy iraniano está faturando alto pelo mundo, negocia de inúmeras maneiras com diversos clubes do Brasil e do mundo, mas se algo ligar ele à imagem do Corinthians, a lavagem cerebral volta com força total. De forma semelhante a esse empresário, existem inúmeros, com os mesmos procedimentos. Envolvidos em todos os clubes. Mas a imprensa faz questão de deixar passar batido.

Muitos dirigentes agem amadoristicamente, com a anuência da mesma imprensa que já quis imputar a imagem de “arcaico” ao Corinthians. Imaginem se um Presidente do Corinthians, em pleno século XXI, negocia seus cavalos para ajudar o clube? Seria um escândalo, não é mesmo?

Cuidado, Corinthiano(a). Estão querendo te fazer pensar que o Futebol moderno é o certo, e só o Corinthians é o problema. Percebe?

Ou ele é “arcaico” (coisa que nunca foi), ou ele faz coisa errada, quando não faz mais do que todo mundo faz, e faz bem menos pior que muitos outros clubes que a imprensa adora puxar o saco.

O Corinthians completará seu primeiro Século de História, moldada na Mística Corinthiana. E o papel da Fiel Torcida Corinthiana é exatamente o mesmo de sempre; ser a raiz que produz a seiva desta árvore gigantesca.

Sob o clarão do Cometa... Debaixo da luz de um lampião a gás... À luz de velas...

Na luz dos rojões estourados no céu... No clarão dos sinalizadores acesos em nossas Arquibancadas...

Ali nascem as chamas claro-escuras de nossa Bandeira Alvinegra. Um Amor que surge na voz e na mobilização de uma verdadeira Nação. A verdadeira Religião do Povo, “manifestação palpável do anseio popular por emancipação”...

A Fiel Torcida que concretizou a Utopia de ter seu Club de Verdade completa cem anos de Resistência.

Nossa História é nossa maior Glória, incontável e mitológica.

O Corinthians não conquista vitórias apenas para alimentar sua vaidade ou para fazê-las constar em manuais de história.

O Corinthians busca o título para dá-lo ao Povo, como prova de carinho, como a corda mi do cavaquinho de Adoniran.

O Corinthians conquista suas Glórias para que o Povo dê sentido à vida, e para que as pessoas simples descubram que a vida vale a pena.

Obrigado, Corinthians, por nos escolher. A vida, por ti, é o mínimo que lhe oferecemos.

domingo, 22 de agosto de 2010

AQUI É CORINTHIANS!!!

Julio; Alessandro, Chicão, William e Roberto Carlos (Edu); Ralf, Elias (Paulinho), Jucilei e Bruno; Jorge e Iarley (Souza)

A assessoria da madame, a própria "imprensa" (anti)desportiva, bem que tentou inventar algo a ser "desempatado" neste domingo.
Basta que se veja o caderno de esporte da abutere-mater de hoje. Toda a pseudo cobertura do "clássico" é feita para esconder um fato: a madame é fregaysa preferencial do Clube do Povo, e não tem como fugir disso. Como bem vimos.
Toda a pseudo matéria tenta inventar um "empate" nos confrontos, que não existe simplesmente. Comparem os fatos de hoje com a tentativa de maquiar, mais uma vez, as vergonhas da madame.
E na penúltima página, quando apresenta a tabela, os dados do confronto pelo Brasileiro tiram toda a maquiagem da madame. Veja lá. Essa abutraiada torce o próprio rabinho quando o assunto é defender sua madame.
E, de uma vez por todas, cancele sua assinatura de qualquer jornaleco que porventura assina.

Começamos nesse tom apenas para dizermos: a madame está com a maquiagem borrada, toda machucada por dentro, tendo que engolir a própria impáfia, o gosto amargo, as mãozinhas machucadas... Está em choque.
É fregaysia demais...

Mas vamos ao jogo. São Jorge esteve presente, com sua Lua que vai enchendo, o céu limpo, estrelas, e todos os fantasmas do Templo Sagrado do Pacaembu em comunhão de Festa com a Fiel Torcida.
E quando nossa zaga falhou feio, não é, Capitão?, esteve o Padroeiro a tirar a bola de nossa meta com a ponta de sua lança.
Mas o timinho da madame está uma baba, e merecia ter perdido por meia dúzia, ou até mais. De forma que, quando veio o primeiro gol, várias bolas já quase haviam entrado.
Mas eis que Elias chegava na armação da jogada, pela meia-lua, quando percebeu aquele tremelique de madame. E ela se abriu toda, para Elias chutar de direita, de fora da área, e o narigudo caçador de borboleta mau caráter comemorar mais um frango seu para o CORINTHIANS. GOLAÇO!
A claque de alienados de madame apenas assistia, calada, demonstrando sua supérflua inutilidade.
Nesse meio tempo, Julio encarnava Ronaldo Giovanelli e defendia nossa meta com o Coração e com a Alma. Era para a mocinha impedida de madame ter tomado o primeiro amarelo, pois concluiu por duas vezes uma jogada defendida à queima-roupa por Julio, e com o apito tendo sido trilado. Mas com madame o apito é sempre condescendente.
O segundo gol foi a prova maior de que a madame está descontrolada. O passe ridiculamente entregue para Bruno na entrada da área mostra em que ponto está a freguesia, até porque o grande algoz de madame não desperdiça as oportunidades assim. Bruno lançou Jorge pela direita, e na linha de fundo, pegando a defesa mais baba dos últimos tempos totalmente desprevinida, Elias surgiu na pequena área para definir. Ele, de direita novamente. Já no finalzinho do primeiro tempo.
E, no começo do segundo tempo, a própria madame quis encobrir sua narina de arrogância, se mostrando em choque. Já não disfarçava mais o odor de seu intestino solto.
Depois, mais algumas boas chances até aquele voleio de Bruno, após cruzamento de Jorge pela direita, que desmunhecou de vez a madame. E em uma jogada igual, Jucilei de cabeça bota mais um na madame.
A partir daí cabia mais, muito mais. A tabela que culminou na finalização de Alessandro foi o acerto do trabalho da semana. O Timão progrediu, Elias e Jucilei estão se entendendo, Roberto Carlos jogou bem, Alessandro jogou bem, e Ralf foi um verdadeiro monstro, colocando a menininha histérica para correr. Chicão está colocando a cabeça no lugar e voltando a jogar seu ótimo futebol, ao passo que o Capitão já está precisando que lhe chamem um táxi, como sentenciou meu sábio irmão de Alambrado, o Vitão. Bruno e Jorge estão afinados, e disso sobreveio a boa partida de hoje. Iarley contribuiu, mas teve a chance de me convencer de alguma coisa hoje e não correspondeu.
O Coringão está voltando a engrenar, aos poucos. Hoje voltou a ser o melhor ataque do campeonato. A tendência é manter o bom trabalho, para no dia 15 de setembro, quando enfrentarmos o atual líder, essa diferença de dois pontos seja corrigida. Até lá, muita água vai rolar, e não pode ser descartada a possibilidade de nos encontrarmos líderes novamente em uma rodada antes disso. Temos duas partidas fora de casa (cruzeiro e patético/pr), e três no Pacaembu (vitória, goiás, grêmio), antes de ir ao Maraca.
Quarta-feira tem mais uma batalha, mais uma decisão.

VAI CORINTHIANS!!!

A reparação histórica

Foi no mais pleno campo de Várzea que o Galo Brigador entrou pra jogar ontem.
E o território varzeano não faz apenas parte da História do Manto Sagrado que envergamos, frente aos rivais de verde. O território varzeano é a própria Alma do Corinthianismo.

E então os (mais de) onze Guerreiros Alvinegros entraram em Campo de Battaglia, no mesmo local onde há cem anos os Primeiros Corinthianos vislumbraram o Clarão do Cometa, que riscava o céu tal qual uma Cimitarra, e conceberam a Maior de Todas as Utopias; o Club de verdade, o Clube do Povo.

Enfrentamos o nosso velho arqui-rival de verde. E tal qual uma Seleção Varzeana daqueles primeiros tempos de CORINTHIANS, o nosso Timão detonou as esperanças esmeraldinas de ver a "nega" do jogo das barricas conquistada por eles. A Seleção Varzeana do Corinthians entrou com os Guerreiros Alvinegros do Imperaú (que fizeram as vezes da velha Associação Atlética Botafogo do Tamanduateí) e de diversas outras equipes de tantas outras Várzeas, que o resultado não poderia ser outro.
Numa goleada contundente, o sábado de Futebol, Churrasco e Samba na Várzea do Velho Bom Retiro foi marcado pela Festa Corinthiana.
Ali, naquele velho Guaré, onde os índios caçavam e guerreavam. E Guaré, em Tupi antigo, denota aquelas Terras Molhadas; Guaré significa VÁRZEA, portanto, no Nheengatu que foi substituído pelo sotaque paulistano. E o Guaré é o território de concepção, articulação, desenvolvimento e consolidação do nosso Amor Maior, de nossa Religião, o Corinthians Paulista.

O Guaré, o Bom Retiro, a Várzea, a beira do rio... Tudo isso é COISA NOSSA. "Sona Cosa Nostra", diriam os Battaglia, os Magnani, os Gambarotta, os Giacominelli, os Benti, os Cassano, os Tipaldi...
E todos os tantos oriundi que iniciaram e levaram adiante uma Utopia de Luta, verdadeira e essencial.
É nosso. Dos Pereira, dos Correa, dos Ambrósio, dos Silva, dos Souza, dos Nunes, dos Desidério, dos Campbell, dos Police, dos Valente, dos Collona, dos Rodrigues, dos Trindade...
De nós todos!
O Guaré é do Povo Corinthiano!

Não tenho comigo a ficha técnica, e aos poucos os irmãos irão comentar e relatar, deixando as informações precisas. Pela minha contagem foram NOVE TENTOS CORINTHIANOS contra apenas quatro tentos dos rivais.
E é engraçado essa coisa de "pela minha contagem", pois assim é a Várzea. Olhou pro lado, perdeu o lance...
Contava inclusive antes do jogo, ao rival Giovanni, que na infância do Clube do Povo as taças sumiam, pois cada um levava para casa. Isso porque ele mesmo resumira a questão, dizendo ter levado a taça da segunda edição do barricas para casa, pois se sentiu no direito por ter feito as jogadas para alguns gols e ter feito alguns gols.
A taça de ontem por exemplo, onde os Corinthianos beberam a sagrada cerveja da vitória, foi parar na casa de nosso Camisa 10, provavelmente.
Assim é a Várzea, e por isso mesmo raros são os varzeanos que precisam de uma sala de troféu. A Várzea é crua, não tem vitrine, não tem distorções 'modernetes', não tem frescura nem viadagem.

E ali, ontem, estavam todos os fantasmas do Velho Guaré. Juntavam-se aos velhos pajés os velhos Corinthianos. Alexandre Magnani, Guido Giacominelli, César Nunes, Antonio Pereira, Joaquim Ambrósio, todos eles se fizeram presentes, para juntos massacrarmos o rival em campo.
Na Velha Várzea...

Tri-Campeão do jogo das barricas!

Sempre botando no cofrinho de madame...
...e na porcada!
1938-2008-2010

VIVA O CORINTHIANS!!!

OUÇA A TRANSMISSÃO,
Pela Gloriosa Rádio Coringão, na voz de Ernesto Teixeira:
Parte I


Parte II

FOTOS, do Maestro Ginaldo, clique AQUI

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Trigésimo Quinto Capítulo

"Per Aspera Ad Astra"
O Time do Povo

Por Filipe Martins Gonçalves

A Utopia nascida sob a luz do Cometa conquistou o mundo em janeiro do ano 2000, com a Torcida Fiel dando exemplo de como se deve torcer. Em meio à eletricidade do ar naquela noite de sexta-feira (ah, se tivesse sido em um domingo à tarde... pena que Eurico não quis) foi cunhado o mais famoso grito da década; Ô Ô Ô Todo-Poderoso Timão! Sinal de devoção de uma Torcida que é a raiz de seu Clube, a Torcida que tem um Timão...

Naquele ano, além de Fábio Luciano, zagueiro emprestado e que chegou sendo campeão do mundo, e Müller, o Corinthians se reforçou. Subiria para o profissional Gilberto Ribeiro Gonçalves, conhecido como Gil, que faria uma dupla infernal com o também moleque da base Ewerthon. E com Kléber, lateral esquerdo também da base, além de Ricardinho. Oswaldo foi mantido. Enquanto o Coringão avançava na Libertadores, estava tudo uma maravilha, mas entre uma goleada e outra no rival de verde, uma pelo Paulista, e outra pela primeira semifinal da Copa, o poste voltou a fazer xixi no cachorro, pelo Paulista. No segundo jogo da semifinal, o rival de verde consegue novamente os pênaltis, Marcelinho bate mal, e Marcos defende... A crise bate as portas, o Timão toma um pito da Torcida, e Edílson sai do Corinthians. E também Oswaldo. E entre Oswaldo Alvarez e Candinho, se houvesse descenso naquele Brasileiro, o Corinthians teria sido rebaixado...

Séries seguidas de derrotas significaram o pior período do Clube até então, em toda História. De 24 de setembro de 2000 até 24 de janeiro de 2001, o Corinthians acumulou 15 partidas sem vitórias. Até que Luizão desencantou, fez três e selou a vitória diante do Flamengo em quatro a três. Chegou Dario Pereyra, e logo saiu para a volta de Vanderlei Luxemburgo ao Coringão.

E com sete vitórias seguidas, o Coringão sai das últimas colocações no Paulista e chega às semifinais. E, contra o Santos, empatando em um a um o primeiro jogo, viramos o segundo jogo em dois a um. Lance de Gil pela esquerda, rolando na entrada da área para Ricardinho bater indefensável, no último minuto... Quem não se lembra?

Antes disso, porém, Marcelinho fazia seu 200º gol pelo Corinthians, na goleada de oito a dois no Flamengo do Piauí. E chegávamos à Final contra o Botafogo, em Ribeirão, que se provava a Casa Interiorana do Coringão, quando no primeiro jogo veio a vitória de três a zero, dois gols de Marcelinho. Campeão Paulista novamente! Na Copa do Brasil despachávamos a velha macaca nos dois confrontos, e perderíamos para o Grêmio de um outro Marcelinho. No Brasileiro não fomos bem, e Luxemburgo encerra assim sua participação. Para 2002 chegaria Carlos Alberto Parreira.

E o novo técnico faz um trabalho tão excelente, que ficou marcado na História. A Era Parreira, no Corinthians, é lembrada não pela retranca, mas pela ofensividade, ainda que nos momentos cruciais ele tenha se resguardado, e recuado o centroavante; quando aquele Corinthians ia pra cima, pela esquerda principalmente, era bom de se ver. Enquanto isso, os Gaviões eram novamente Campeões do Carnaval.

E o Rio-São Paulo esvaziara os estaduais. Os grandes clubes participaram dos torneios de suas regiões. O Corinthians fez boa campanha, eliminamos nas Semifinais o São Caetano (e diziam que eram algozes...), que havia disputado as Finais dos dois últimos Brasileiros, e nas Finais a freguesia falou mais alto. No primeiro jogo vitória do Povo, por três a dois. No segundo, logo de saída, o gol que era a esperança adversária. Mas no segundo tempo se cumpriu a mitologia, a supremacia Corinthiana entrou em campo para empatar, pelos pés do lateral direito Rogério. Três dias depois fizemos a segunda Final da Copa do Brasil contra o Brasiliense, sempre empatando o segundo jogo; era o traço do Parreira. Duas vezes Campeão em menos de uma semana; o Galo de Briga da Várzea era dono de seu terreiro. Chegamos à Final do Brasileiro, e mesmo virando o segundo jogo, e partindo para cima sem cuidar de sua defesa, a própria antítese de Parreira, perderíamos o campeonato. E Rogério teria sua tarde de más lembranças... Quem não se lembra disso tudo?

Em 2003, Gaviões Bi-Campeões do Carnaval, entra Geninho no comando do Corinthians, e com a mesma base do ano anterior, e com Liédson que fez bela dupla com Gil, o Timão engrenou o rápido Paulista, e nas semifinais colocou o rival verde na roda. Quem não se lembra daquele gol de Gil, nos quatro a dois daquele dia oito de março? E na Final, dois resultados iguais: três a dois para o Coringão sobre a freguesia cada vez mais preferencial. Campeão Paulista novamente!

Mas depois vieram tempos nebulosos, a sina da lateral esquerda nas duas partidas contra o River Plate, e o técnico pedindo demissão pela tevê depois de uma inusitada goleada contra o Corinthians... Que passou de Geninho para Júnior, e para Juninho. E 2004 seguiu nessa toada. Oswaldo de Oliveira volta, Rincón volta, e é Grafite quem tira o Corinthians de um final infeliz no Paulista. A desclassificação na Copa do Brasil, com mais um pênalti não marcado na história do Corinthians, foi o passo seguinte de uma crise que já vinha há tempos se acumulando, em todos os clubes.

Antes de Tite botar certa ordem na casa e fazer o Corinthians chegar a um “honroso” quinto lugar no Brasileiro, aquela relação entre clube e empresário que se iniciou na década de noventa descamba para a terceira parceria do Dualib no Corinthians. O Presidente encontrava um sonho dourado, uma fonte de onde taparia o buraco no qual sua administração acabara levando o Corinthians. Muitos enxergaram o sonho dourado do Presidente, logo desfeito. Enquanto o Timão de Carlito Tevez tentava engrenar em campo, a ‘parceira’ dava mostras de sua ingerência, e Dualib de seu próprio fim. E Tevez ficou sendo o pivô da crise. Quando não bateu o pênalti causou a queda de Tite, por imposição da ‘parceira’. O penalti, desperdiçado por Coelho no Paulista, poderia selar mais uma conquista, que não veio. Daniel Passarella é contratado, o Coringão vira pra cima do Cianorte – quem não se lembra daquilo? – mas cai diante do Figueirense, com Roger desperdiçando pênalti...

Márcio Bittencourt assume o Coringão, e faz o trabalho que renderia mais um título Brasileiro. Mas contaminado pela mentalidade empresarial, que não via em Márcio nenhuma forma de lucrar, afinal Marcião da Fiel é Corinthians de Alma, Dualib com sua ‘parceira’ cometem a maior injustiça possível: tiram Márcio e colocam Antonio Lopes. Tevez e Nilmar, com Carlos Alberto, não pararam de jogar bola por isso, e por mais que empresários tivessem tentado melar o campeonato, com resultados negativos para o Corinthians, que foram jogados novamente e o Corinthians conquistou na bola, vimos um alvoroço descabido por parte da imprensa, imputando a culpa desses empresários no Corinthians. Tudo porque se fez justiça; os jogos roubados foram refeitos.

Corinthians Campeão, e a maledicência estava no seu auge. Era o momento de causar a crise no Corinthians, da parte de fora. Uma campanha anticorintiana esteve em curso, culpabilizando o Corinthians pelo “modernismo” desenfreado dos empresários, que já dominavam o Futebol por completo. Mas o Corinthians não deixou barato; o 7x1 Eterno é fruto de um Timão que jogava bela bola.

O ano de 2006 foi decorrência desta certa dormência, a Torcida esteve anestesiada enquanto o Corinthians era atacado de todos os lados. Quem analisar os títulos das matérias desse período constatará isso. E quando veio o dia quatro de maio, ainda que lideranças estivessem ali para salvaguardar a Torcida que explodia dessa dormência, foi o prato cheio para a guerra campal e as tentativas sucessivas de desmoralização do Clube do Povo, que reverberam até hoje pelas bocas dos desavisados. Deste período, o texto mais completo é o da Leonor Macedo.

Daí veio Emerson Leão, que ajudou Dualib a peitar sua ‘parceira’. Começou tirando Carlito Tevez, por “não entender o que ele dizia”. A coisa estava desandada, e mesmo que evitasse a queda no campeonato, não evitou a tentativa de desmoralização quando, a pretexto de investigar, montou-se um circo para abutres em solo sagrado, a Cidade Corinthians. Disso tudo, a Torcida se mobilizou para expurgar aquilo. O Movimento Fora Dualib acaba cumprindo com seu dever, e assim termina 2007. Sem Dualib, com Andrés Sanchez na presidência de forma tampão, com a imagem do Clube escorraçada pela mídia, mas com uma verdade inexorável refeita; durante o período de crise e maledicência, tentaram arrogar uma freguesia inversa, por parte da associação de madame. Mas sob o Hino cantado na Arquibancada ininterruptamente, e com o cântico da Camisa 12 sendo eternizado, o “eu nunca vou te abandonar porque eu te amo”, o zagueiro Betão nos daria uma última alegria em campo. Assim Nelsinho Baptista, que foi Campeão Brasileiro pelo Corinthians, foi um dos responsáveis pela pior campanha da história, a que causou o rebaixamento. Ninguém conteria a fúria das maledicências, nem do apito que manda voltar três pênaltis enquanto não fosse marcado o gol...

Nem 2007, tampouco 2008, podem ser esquecidos, para que não se caia nessa agrura novamente. Mano Menezes assume o Corinthians e começa remontando o sistema defensivo. O Marketing trabalha para elevar as vendas, e também o moral do Clube. O Corinthians ressurge das cinzas, sob o comando do novo Presidente e da nova Diretoria. Mas a figura do empresário jamais foi descolada...

A eliminação no Paulista não interfere no andamento do trabalho em médio prazo de Mano. O dia trinta de abril de 2008 é chave. Precisávamos virar o jogo sobre o Goiás, que havia vencido por 3 a 1. E montando uma verdadeira guerra-relâmpago, vimos o Coringão jogar como há muito não fazia. Terminávamos o primeiro tempo já classificados, num eletrizante quatro a zero. Desfizemos o mal-entendido quanto ao suposto algoz do ABC, e fizemos uma primeira partida da Final da Copa do Brasil quase brilhante. No segundo jogo, claramente prejudicado pelo apito, que por forças maiores era impedido de deixar o Corinthians ressurgir campeão, perdemos a Copa.

A Torcida do Corinthians dava provas de que havia mudado. Craques de outras Eras, como o próprio Luizinho, já haviam sido crucificados. E Felipe, mesmo falhando, sobreveio no futuro. E o trabalho de Mano prosseguiu. A melhor campanha da segunda divisão de toda a história era obrigação, e foi cumprida. O Coringão voltou, aclamado mais ainda, com muito amor, pela Fiel Torcida que jamais o abandonaria, ainda mais nos momentos mais difíceis. Fiel Torcida que é Mãe de seu Clube.

E, voltando, recebeu todos os holofotes para si. Com a vinda de Ronaldo, ninguém mais falava de outra coisa, senão de Corinthians. E chegou 2009, com os frutos da persitência de Mano, o Coringão é novamente Campeão Paulista, invicto! Cada jogo era uma épica batalha, ainda viva na nossa memória. E Campeão da Copa do Brasil, com muito louvor, e muita bola. Eis então que a maldição do “dever cumprido” acomete o Timão de Mano, que joga a toalha e é ultrapassado por quem seria campeão, e nos desclassificaria neste ano na Libertadores, tendo feito uma campanha exdrúxula no Paulista, a pretexto de focar na Copa. Agora, com Adilson Baptista, temos o Brasileiro todo pela frente. Toda essa história todo mundo já sabe. Voltaremos no próximo e derradeiro capítulo dessa série...

A história continua...

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

3º Jogo das Barricas

Da mesma forma que nas obras de Shakespeare e Machado de Assis, Corinthians e palmeiras nasceram para ser rivais inseparáveis. Entre os torcedores, o fato se repete. São Montecchio e Capuleto, Esaú e Jacó. Aprenderam, no decorrer do tempo, que em certos momentos têm de dividir o espaço, já que essa competição eterna é o que mantém as respectivas paixões. Toda conversa é um embate e qualquer encontro se transforma em acontecimento épico. Palmeirenses e Corinthianos precisam conviver e competir.

É esse o espírito do Jogo das Barricas. Pelo terceiro ano consecutivo, a maior rivalidade do futebol brasileiro e mundial sai das arquibancadas e vai ao campo de jogo. Com a bola nos pés, arquibaldos e alambradinos do Pacaembu e do Jardim Suspenso promovem encontro que desmitifica o caráter violento imputado por aproveitadores ao futebol, a fim de afastá-lo definitivamente do povo por meio do pânico.

Além da oportunidade de reunir amigos de trincheiras opostas para bater uma pelada, comer um churrasco e beber cerveja, o Jogo das Barricas é uma reparação histórica e uma manifestação de escárnio contra a entidade que é a antítese ao futebol com alma exalante dos derbys. Consta nos anais que, em 7 de julho de 1938, houve o torneio Augusto Mundell, cuja arrecadação de fundos serviu ao salvamento financeiro de uma instituição que havia ido à bancarrota pela segunda vez em menos de dez anos de existência, apesar de toda sua identificação com as classes abastadas. Por conta disso, alvinegros e alviverdes se juntam novamente para rir do time do Jardim Leonor, lembrando também do erro gigantesco que foi a promoção do referido campeonato.

Mais exatamente no próximo dia 21 de agosto, um sábado, três escretes formados pelas três torcidas mais tradicionais da capital paulista serão recebidos pela gloriosa várzea do Tietê. E dizemos três escretes não por erro de conta, mas porque irão nos acompanhar nessa jornada nobres torcedores da Portuguesa de Desportos, outra agremiação participante do Augusto Mundell. O Jogo das Barricas, enfim, é uma festa que irá louvar o futebol sem frescuras e suas histórias maravilhosas.

Os interessados devem mandar e-mail para cramone99@gmail.com ou cruzdesavoia@gmail.com. Depois da inscrição, serão enviados os dados bancários necessários para o pagamento da contribuição de R$20, destinada ao aluguel do campo e à carne do churrasco, além do endereço do evento e demais instruções. Prepare suas moedinhas!

Jogo das Barricas - 3ª edição
Data:
21 de agosto - a partir das 15h
Local:
campo da várzea paulistana (endereço via e-mail, após confirmação da inscrição)
Preço:
R$20 (aluguel do campo e churrasco incluso)

Informações e inscrições:
cramone99@gmail.com / cruzdesavoia@gmail.com

O jogo de ontem...

...o que falar daquilo? Do pouco que pude ver, pois meu moleque de dois anos estava em meu colo e vomitou no meio da partida, enquanto a porcaria da tevê a cabo fazia o favor de cair, e eu me vi coberto do que meu filhote vomitou, além do chão da sala com aquilo esparramado, tendo que ir buscar balde, pano, com o moleque chorando, enfim, do pouco que pude ver observei um meio campo xarope, com Elias e Jucilei batendo cabeça, não armando e não marcando nada, além de uma zaga que precisa entrar no eixo, com Ralf fazendo a proteção que resultou em um segundo gol dos caras quase sem querer (não vi o resto do jogo, vou ver só agora)...

No mais, uma bola na trave e um pênalti, MAIS UM PÊNALTI, roubado. Todo jogo temos pênaltis em nosso favor que são sistematicamente miguelados pelo canalha do apito.
Tiveram uma semana para treinar, e chegaram nisso. Terão outra semana pra treinar, e no domingo o jogo é contra a madame. O problema não é nem tanto a tabela, pois num campeonato modorrento desses é óbvio que se vive fases ruins e boas, que acontecem a todos os times. O problema é a inconstância do sistema defensivo, que Adilson provavelmente pensou estar nos trinques e não está - comece por aí, Comandante - e a falta de vergonha na cara de uns e outros.

Falta pouco para 1º de Setembro. RAÇA e AMOR ao CORINGÃO é o mínimo.

AQUI É CORINTHIANS!!!

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Trigésimo Quarto Capítulo

"Per Aspera Ad Astra"
O Time do Povo

Por Filipe Martins Gonçalves

Na esteira do Brasileirão conquistado em 1990, da forma mais Corinthiana possível, o Corinthians começava a década em crise financeira, o que de fato nunca foi empecilho nenhum para o Clube do Povo.

Em 1991, com a conquista do SuperCampeonato Brasileiro diante do Flamengo, que havia levado a Copa do Brasil em 90, novamente com gol de Neto, veio a desclassificação na Libertadores. No jogo de volta, um empate diante do Boca Junior, com falhas de Guinei e a velha ajuda do apito quando se deu o jogo de ida, na Argentina. Um mês depois, no tapetão, o Corinthians foi desclassificado injustamente; a CBF entregava a vaga que era do Povo para o Fluminense, mesmo que este não tivesse jogado para fazer valer. De tudo fizeram para barrar aquele time guerreiro e operário, mesmo que em crise. Isso acarretou na queda de Nelsinho. Carlos Alberto Silva comandou três partidas antes de Cilinho assumir o time.

Neste ano ainda, Vicente Matheus não poderia concorrer a mais uma reeleição. Seguiu a idéia de conselheiros, e colocou a esposa na disputa. Assim, Marlene Colla Matheus alçaria a presidência do Corinthians, pela maioria de votos dos associados. Pela primeira vez na história do Futebol brasileiro, uma mulher encabeçaria um Clube. Por mais que a alma presente fosse a de Vicente, Marlene representou de sua forma uma quebra nos paradigmas patronais da bola. Só podia ser no Corinthians.

No segundo semestre daquele ano, antes que fizéssemos a final do Paulista com o São Paulo, que a exemplo do Fluminense era colocado, onde só poderia estar pelas mãos benévolas daqueles que detinham o poder e segundo as suas tabelas mágicas, aconteceu o episódio que simboliza exatamente o que sentia o Corinthiano naquele momento. E começa a história que iria acabar em 1993 da forma mais funesta possível. Mas, aos fatos; Neto estava no auge, já era um eterno xodó da Fiel, mas ele tinha algumas dificuldades com o técnico Cilinho. Quando chegou a tarde de 13 de outubro, o débâcle aconteceu. O árbitro Aparecido, que havia invertido faltas durante a partida, mostrou direto o vermelho, quando o esquentado Neto fez uma falta mais dura. Neto não levou o desaforo para casa, o manteve ali. Cuspiu na cara do Aparecido, que por mais que merecesse, não poderia ter levado. E pagou muito caro por isso. Mas mesmo sem seu Camisa 10, o Corinthians manteve-se invicto até a Final, quando foi derrotado pela madame naquelas raras vezes que isso acontece.

Em 92 a velha Fazendinha é reaberta, e lota na vitória Corinthiana diante do América de Natal por 3 a 0. Mas nesse ano, além do retorno discreto do ídolo Neto, e de Viola, fazendo dois em sua volta, dos primeiros amistosos no Japão, o grande lateral direito Giba se machuca. Mesmo com seus talismãs, Tupãzinho e Wilson Mano, o Corinthians termina em terceiro, mesmo vencendo o vice, o Palmeiras, que já era Parmalat. Com esta parceria, que causou alvoroço no Futebol brasileiro, começa definitivamente a era moderna do nosso Futebol. O capital estrangeiro já não tinha fronteiras. No Brasil, os empresários do Futebol aproveitavam a deixa, e as leis no esporte deveriam começar a mudar. Mas enquanto isso acontecia, o cidadão não se informou, não se instruiu, e aquele processo começava a voltar-se contra a Arquibancada. Passou a contar com os meios de comunicação, e começa então o embrião de uma nova elitização no Futebol.

Em 1993, Alberto Dualib, antigo diretor de Futebol e até então aliado de Vicente, na qualidade de presidente do Conselho, decide não ratificar a candidatura e reeleição de Marlene, e é ele mesmo eleito Presidente do Corinthians. E nesse processo embrionário de altas negociações no Futebol, ele colocou o Corinthians no patamar da sobrevivência a tantos desafios e modernizações. Passou a olhar com mais cuidado para as bases, o que trouxe Zé Elias e Silvinho, num primeiro momento ainda muito incipiente. Trouxe de volta o técnico Nelsinho. E, com Neto, a dupla Paulo Sérgio e Viola alegrava a Família Corinthiana no Pacaembu. Chegamos à Final do Paulista contra a Parmalat. De forma Corinthiana vencemos o primeiro jogo. Mas no segundo jogo, o desespero pelo fim da fila falou mais alto no bolso do estrangeiro. Falávamos do final funesto de Aparecido, ainda em 91, pois foi este o desfecho. Assim como o Fluminense, o São Paulo, e outros, Aparecido foi colocado para apitar aquele último jogo de uma hora para outra. Na verdade, de última hora. Foi um aviso para o próprio Timão do que estaria por vir. E, expulsando peças-chave, e novamente invertendo faltas, como fez em 91, além de fazer vista grossa para as faltas adversárias, que eram piores que as que causaram as expulsões Corinthianas logo nos primeiros minutos de jogo, Aparecido fez seu serviço, tirando leite não de pedra, mas da lavagem...

Para o Rio-S.Paulo daquele ano, Dualib trouxe todo o Carrossel Caipira do Mogi Mirim; Leto, Válber, Admílson e Rivaldo. Novamente, nas Finais, contra o rival de verde e de leite. Mas no primeiro jogo, o grande craque Edmundo fez a diferença. Precisando vencer por dois gols o segundo jogo, o Coringão não saiu do zero a zero. Caía Nelsinho, novamente. E Mário Sérgio Pontes de Paiva é trazido para comandar o Timão.

E mesmo que jogasse o fino do bola, e se mantendo invicto no Brasileiro, sofrendo apenas uma derrota, quem vai à final é justamente o time que o derrotou, na Bahia. Mas o fim do campeonato, apesar de melancólico, demonstrou a Raça Corinthiana, quando no último jogo o grande goleiro Ronaldo foi expulso. Com o lateral esquerdo Elias no gol, e com gols de Rivaldo e Viola, o Corinthians vira sobre o Santos e se despede daquele ano com vitória.

No ano seguinte, a velha reformulação. Mário Sérgio é injustamente mandado embora, e parte do Carrossel Caipira, que havia sido emprestado, é negociado pelos empresários com o capital estrangeiro. Rivaldo permanece, Marques e Silvinho surgem da base, ao mesmo tempo em que Marcelinho é trazido do Flamengo. Após uma dança de técnicos entre Afrânio Riul e Eduardo Amorim, Carlos Alberto Silva volta ao Corinthians. E o Corinthians faz nova excursão pelo Japão, mas não pôde realizar o terceiro jogo, por causa de um ofício da Federação Paulista. Ganhamos a Copa Bandeirantes, que nos credenciava à Copa do Brasil em 95, sobre o Santos, um seis a três mais que histórico, e um empate em um a um. Fomos mal no Paulistão, mas bem no Brasileiro. Mas Rivaldo, que havia sido transferido para o exterior e fora colocado pelo capital estrangeiro no time da Parmalat, resolveu acabar com os dois jogos finais.

E finalmente começou 1995. Depois de duas décadas e meia sem ser campeão, o Coringão fatura a Taça São Paulo, campeonato de juniores que sempre rendeu alegria à Fiel. O Carnaval no começo de ano foi completo, quando os Gaviões da Fiel, e Coisa Boa é Para Sempre, desfilam para serem Campeões do Carnaval. Em maio, nas semifinais da Copa do Brasil, uma goleada acachapante sobre o Vasco, com direito ao centésimo gol de Viola pelo Timão, além da melhor atuação de sua carreira. Um cinco a zero inesquecível. Na Final, dois a um no Pacaembu e aquele gol de Marcelinho no Olímpico. Campeão da Copa do Brasil!

Para nos classificarmos à Final do Paulista, contra o time da Parmalat, precisávamos vencer a Portuguesa e o Santos. E o empate contra a Lusa se desenhava, a classificação estava a cada segundo mais distante, quando Zé Elias sofreu falta aos 44 do segundo tempo. Bernardo cabeceou a bola levantada na área, o Coringão ensacou o Santos num emocionante quatro a dois. Vale lembrar que os Clássicos decisivos passaram a ser realizados no interior, por conta da propagada violência, mas isso nem de longe comprometeu a Festa nas Arquibancadas. Na Final em Ribeirão Preto, dois empates no tempo regulamentar, com gols inesquecíveis de Marcelinho, e na prorrogação o golaço de Elivélton consumava um dos anos mais Corinthianos já vividos. Quem não se lembra?

O ano de 1996 começou em março, um cinco a zero sobre a freguesia, em Ribeirão Preto, que se provava um palco de Festas Corinthianas. Edmundo marcou dois gols neste dia. E conquistamos o Torneio Ramon de Carranza, vencendo o Cádiz e o Bétis na Final. E Dualib sinalizava a primeira parceria do Corinthians com empresa, que consistia em buscar reforços, valorizá-los e vendê-los. O Corinthians entra de cabeça na era moderna do Futebol, e desenha conquistas para os anos seguintes. Edílson chega ao Parque São Jorge, assim como Rincón. Mas o Corinthians foi desclassificado na Copa do Brasil, diante do Remo, e mesmo vencendo o Grêmio no Olímpico, saiu da Libertadores melancolicamente. Antes de encerrar o ano, porém, Neto volta ao Corinthians.

Em 1997, com a parceria, nomes de peso são trazidos. E no Paulistão daquele ano, com muito brilho, vencendo Palmeiras e Santos, e empatando com o São Paulo, levou mais uma vez o caneco. Antes de vir o título, porém, uma semana ficou marcada na história. Antes de fazer o jogo de volta contra o Atlético Paranaense, precisando vencer por mais de dois gols, o Coringão enfrentou o Palmeiras e sapecou um cinco a dois, no sábado. Na quarta, viajou a Curitiba e enfiou seis a dois. Foi a semana de Donizete, Mirandinha e Marcelinho. Mas o Brasileiro foi uma dificuldade, chegamos à última rodada precisando da vitória, diante do Goiás no Serra Dourada, para permanecer na divisão principal. Sapecamos dois a zero e nos livramos do fantasma...

Para 1998 são trazidos mais medalhões. Gamarra, o melhor zagueiro do mundo, que ficaria 724 minutos sem cometer uma falta. Vampeta, um combatente no meio-campo que limpava a jogada e saía para o jogo com facilidade. Ricardinho, um cérebro pensante na armação de jogadas. Com a base revelando Edu e Kleber, o Corinthians montava um Timão que dava show de bola e ao mesmo tempo era raçudo, sob o comando de Vanderlei Luxemburgo. Combinação perfeita. Na semifinal do Paulista, contra a Portuguesa, o juiz não anotou o impedimento do jogador lusitano, mas o empate levou o Corinthians à Final. E naquelas raríssimas vezes em que o poste faz xixi no cachorro, fomos vice diante da freguesia preferencial. E com uma campanha quase impecável no Brasileiro, batemos o Cruzeiro em três jogos. Dois empates e uma grandiosa vitória, quando Dinei serviu os companheiros, e da maneira mais Corinthiana conquistamos mais uma vez o Brasil.

O ano de 1999 começou com os Gaviões Campeões no Carnaval, e com mais uma daquelas parcerias. A Traffic, principal expoente do que gerou aquele processo anteriormente mencionado, intermediou o acordo entre o Corinthians e a HMTF, grupo de investidores que estavam pela América Latina. A base do Timão conquistava mais uma Taça São Paulo de juniores, e o Coringão viveria fortes emoções. Na Libertadores, o duelo com o rival de verde fez a cidade parar. Primeiro jogo, vitória do rival por dois a zero, placar devolvido no segundo jogo. E a sorte pendeu para o inimigo, quando Dinei chutou na trave, e Vampeta foi parado por Marcos; 3 a 4 nos pênaltis... Mas como Galo de Briga tem que começar cantando em casa, ainda naquele mês de maio enfiamos cinco a um no Santos. Depois, na semifinal do Paulista, quatro a zero no São Paulo. E no primeiro jogo da Final, três a zero no Palmeiras. No segundo jogo, precisando vencer por muitos gols, o rival viu o Corinthians empatar a partida, pelos pés de Edílson. Eis que o Capeta resolve fazer deliciosas embaixadinhas, e mostrar que aqui quem manda é o Corinthians... Quem não se lembra disso tudo?

E no Brasileirão daquele ano, colocamos a madame no chinelo. Chegávamos à semifinal contra elas, sob o comando de Oswaldo de Oliveira. Tinham colocado até o irmão caçula do Doutor, que havia conseguido uma das raras derrotas do Corinthians em jogos decisivos contra esta instituição, que mencionamos anteriormente. E o Corinthians confirma a supremacia sobre esta freguesia, fazendo três a dois no começo do segundo tempo. Eis que madame é agraciada com dois pênaltis, e poderia ter até virado jogo, não fosse o Corinthians que estivesse ali. Mas Dida defendeu as duas. Quem não se lembra? No segundo jogo, Edílson dá show e descontrola a freguesia, que fica com o espinho atravessado na garganta.

E liderando o campeonato de ponta a ponta pelo segundo ano consecutivo, o Coringão chega à Final contra o Atlético Mineiro. No primeiro jogo, Guilherme marca três gols no primeiro tempo. Mas Vampeta acha um golzinho antes do intervalo, e Luizão deixa o dele. Resultado ótimo, até porque eram três jogos, e a vantagem era nossa. No segundo jogo Luizão faz dois, um em cada tempo, garante de vez a vantagem, e numa quarta-feira à noite o Coringão empata sem gols, sagrando-se Bi-Campeão Brasileiro, com uma regularidade fantástica.

Eis que a FIFA resolve arrumar essa coisa de jogo intercontinental valer título de campeão do mundo e realiza, no Brasil, o Primeiro Campeonato Mundial FIFA. E como acontecerá em todas as competições da FIFA, o país-sede recebe uma vaga. Toda a organização se deu com o decorrer do ano de 1999, de forma que o representante sul-americano seria o Campeão de 1998, no caso o Vasco, o representante europeu seria o Real Madrid, que vencera o Vasco em um desses jogos que se fazia, neste mesmo ano. E todos os participantes eram campeões de seus terreiros. Mas o Galo de Briga da Várzea que é o Corinthians era Bi-Campeão Brasileiro. O país-sede, no caso, era o terreiro do Coringão. E com essa humilde vaguinha, e com um Timão que jogava muita bola, mesmo sem ter tido férias, enfiando bola debaixo da perna de gringo, o Coringão chegou ao Maior do Mundo nos braços de vinte e cinco mil Corinthianos, naquelas Arquibancadas sagradas. Mais uma Invasão Corinthiana, mas só porque só deram vinte e cinco. Tivessem dado quarenta, tinha quarenta mil. E foi ali que o CORINTHIANS veio a ser Campeão do Mundo...

A História continua...

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

1 a 0 contra o time fantasiado

E o Coringão voltou ao Templo Sagrado do Pacaembu, na belíssima tarde deste domingo, para sapecar mais três necessários pontos para se manter na vice-liderança deste campeonato modorrento de pontos corridos.
Um golaço de Elias pôs um timinho cheio de melindre, vestindo fantasia de sorveteiro, ou de maiô, em seu devido lugar. A torcida meiga encheu o seu espaço mais até do que faria aquela claque fake. E o Pacaembu esteve repleto de nós, Corinthianos.

Julio; Alessandro, Chicão, William e Roberto Carlos; Ralf, Jucilei e Elias (Danilo); Dente (Paulinho), Iarley (Matias) e Jorge

Note que o Coringão começou com três atacantes, e até o Dente se machucar, por mais peripécias que Jucilei tentasse fazer, o Timão estava prestes a inaugurar o placar. E então, quando todos achavam que a mudança poderia ser Dente por um centroavante, como William, entra um Volante, o Paulinho. Que jogou bem, por mais esquisito que esteja sendo o esquema de jogo atualmente. É preciso reforçar: necessitamos de um cara na área.
Um pênalti claro nos foi roubado, e não se encontra replay pelos sites de notícias. Indício claro de que estão tentando, e não conseguem, pois o Gigante venceu a partida. E o juiz poderia até se fantasiar com aquele uniforme do adversário, pois foi difícil enxergá-lo como "juiz". Ao longo de toda a partida fez questão de omitir cartões amarelos que significariam a derrocada completa de um ou dois daquele outro time.
E Elias nos manteve em Festa ao marcar, aos 38 minutos do primeiro tempo, um daqueles golaços de fora da área. Festa completa!
E no segundo tempo, algumas emoções, jogadas que poderiam resultar em gol se tivéssemos um centroavante. Por isso, o placar se manteve.
E Julio garantiu nos últimos minutos que alguma reação do adversário fosse contida.
O Coringão segue na Luta! Por São Jorge!
E tem a semana para treinar, antes de ir jogar no lodo da Ressacada.

VAI CORINTHIANS!!!

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Um Século de Rubinato

Hoje o Mestre completa Cem Anos!
CENT´ANNI!!!
AUGURI!!!
















Programa na Rádio:
AQUI

Posts "Ao Rubinato":
AQUI (1º)
AQUI (2º)

VIVA ADONIRAN!!!
SALVE RUBINATO!!!
VAI CORINTHIANS!!!

Há um século...

Fazia um baita frio em Piratininga.
Garoava, fininha e muito molhada, aquela chuva fria.

No Bom Retiro, desde que o Cometa Halley ficou atravessando o céu, durante todo o mês de maio, um pessoal cismou.
Por viverem pelas Várzeas, por respirarem Futebol, e por almejarem um grande passo, tanto para o Futebol quanto para as suas vidas, sonharam juntos uma Utopia.
"Sonho que se sonha só
É só um sonho que sonha só
Mas sonho que se sonha junto
é realidade"

...Diria o Maluco Beleza.

Os primeiros que sonharam com a Utopia do club de verdade eram seríissimos Malucos.
Neste mesmo dia de hoje, em 1910, a Utopia já havia sido lançada aos quatro cantos.

Futebol é público; tudo o que é público é também político.
E sua popularização era inevitável, sim.
Tanto quanto era inevitável a criação do club de verdade do povo e para o povo.
Por isso, o Corinthianismo já existia antes mesmo do próprio club vir a ser formado.

Em agosto de 1910, um dos pontos de encontro era a barbearia do Salvador Bataglia. Por ali passava todo mundo, e se passava o tempo a jogar conversa fora
A Rua dos Imigrantes já era movimentada, e aquela esquina da barbearia era uma das poucas que tinha um dos lampiões a gás da cidade. O beco que faz a esquina termina no trilho do trem. Fica a alguns passos da Estação e do Parque da cidade. O lampião, portanto, não foi escolhido sem uma razão.
Anotem aí: na História do Corinthians nada é por acaso.
Aquela esquina era o coração pulsante do Bom Retiro. Todos os pouco mais de seis mil habitantes conheciam Salvador, o barbeiro. Seu salão vivia cheio. E ali se discutia, como sempre se discutiu, o Futebol.

Falava-se, principalmente, do Futebol varzeano. Eram poucos os que bancavam dois mil réis numa geral do Velódromo. Ou ainda, cinco mil numa cadeira. Na Várzea, porém, o Povo se divertia. E jogava Futebol, que não é diversão. As tardes de Futebol envolvia o pic-nic com a família, antes do jogo, e uma seresta depois dele. Era a desforra da semana de trabalho, com jornadas de até quinze horas de trabalho diárias.

E foi principalmente ali naquela barbearia que as idéias de cada um entraram em sintonia, geraram uma confluência, e idealizaram vivamente o anseio popular por emancipação.
Aquela turma conspirava para participar do Futebol que se chamava de oficial.

De forma que quando se encontravam, tarde da noite, e a barbearia estava fechada, sentavam-se nos caixotes largados no beco, colocavam-nos sob a luz do lampião, e trocavam idéias e notícias. A esta altura, o club de verdade já não era mais só coisa do Bom Retiro. Tinha gente do Brás que já estava comprando a idéia. Gente na Lapa esperando pra ver. O pessoal do Glicério, berço do Alliança que depois se tornou Argentino, do córrego do Lava-Pés, o primeiro dos times varzeanos, estava já com as facas nos dentes esperando pra sapecar mais um time na sua longa lista de vítimas.

Quem aconselhava um pessoal bom de bola, mas que quando se juntava trajando o manto da Associação Athlética Botafogo não havia quem não saísse de baixo, a jogar e ajudar esse club de verdade, que queria ter até Estatuto, era o delegado que tinha que lidar com as queixas àquele Galo Brigador da Várzea do Carmo. Nesta mesma época, cem anos atrás, estava ele fazendo esse tipo de recomendação ao próprio Cesar Nunes, capitão do Botafogo...

As fábricas do Bom Retiro, do Brás, os carvoeiros, os ferroviários, os trabalhadores braçais; os sapateiros, confeiteiros, barbeiros, alfaiates, donos de armazém; a molecada da Várzea, dos Collegios; italianos, espanhóis, portugueses, ingleses, japoneses, alemães; caboclos, negros, operários e patrões; todos sabiam que havia uma turma querendo criar um time.

Nessa época, dois amigos conversavam. Dois ex-operários que haviam juntado um dinheiro e se tornado autônomos. Um era cocheiro de tílburi, o outro era alfaiate.
Alexandre Magnani deixara seu cavalo comendo a alfafa no saquinho, e entrara no atelier de Miguel Bataglia, que era irmão do barbeiro. E chegaram a esse assunto, que estava na boca do Povo.

"É um club de verdade, Michele. ´Magina colocá esse club, daqui da várzea do Bom Ritiro, pra jogar com o Paulistano, o Athletic, o Germânia; é isso que eles querem!"

"E comme eles vão fazer isso, Alessandre? Num tem nem como comprá as meia!"

"Se arruma, Miché. Tem uma mininada grande já, querendo jogá..."


E ainda nem lhes passava pela cabeça o papel importante que teriam na formação deste club, que um século de História depois, é este Gigante eternamente em nossos corações...

VIVA O CORINTHIANS!!!

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Um Derby

Nunca é demais lembrar como foi que o fim de semana começou.



CORINTHIANS CAMPEÃO!!!

E no Templo Sagrado do Pacaembu esse tal de estatuto que é de qualquer um, menos do Torcedor, ficou literalmente a ver navios.
Irão punir quem pelos cânticos ofensivos das massas?

Em campo Adilson mostrou que vai precisar de muita boa vontade de nossa parte. Sem um lateral esquerdo em campo, com Castán naquele setor (!), fez o anunciado durante os primeiros treinos...
Para alguém que veio com moral de estrategista, ele foi só um Scolari mais jovem. Cheguei cedo e vi o estádio encher. Relativamente muito mais no Tobogã, obviamente, onde esteve A Torcida, Fiel Torcida. E até que fosse anunciada a escalação, imaginava o tal tino estrategista do novo Comandante. E não vi nada. Não sei o que ele falou para o Bruno fazer no jogo, fato é que nosso 10 não jogou o que vem jogando por conta da tática aplicada.
Nossa sorte é que o time de ex-werthon é ruim demais. Nosso azar é que o único que poderia ter feito a diferença no Corinthians foi bisonhamente sacado, para Matias entrar. Não digo só por questionar a entrada de Matias, mas sim a saída do 10 que foi uma decisão absurda. E tem uns que precisam ou tomar vergonha ou se benzer.

Julio; Alessandro, Chicão, William e Castán; Ralf, Jucilei, Elias (Paulinho) e Bruno (Matias); Iarley (Souza) e Jorge

Isso dito, por que todos os juízes em Derby apitam como o aparecido?
Ambos os gols da partida estavam impedidos (não é necessária a geometria para se convencer de que o sujeito de forma alguma está na "mesma linha da bola" e está À FRENTE dela e do jogador que finalizou, e no momento desta finalização, último toque antes da defesa de Julio, a carcaça suína estava impedidaça na banheira, o mesmo milimétrico caso de Jorge, o autor do GOLAÇO Corinthiano).
Daí vem choro da porcada do lado de lá do estádio, no fim do jogo, louvando seu 12º apitojogador, no fim do jogo, depois de um longo e tenebroso silêncio a assistir a FESTA NA FAVELA, num momento em que o Corinthians esteve bem mal na partida, e a FIEL jogou pelo Timão.
É brincadeira, choro de suíno apenas, né?
Esses engolidores de bracciola não poderiam estar expressando melhor a Ragognettagem porca...
Até porque houve dois toques de pata suína, além de duas faltas, ou quatro penais clamorosamente não marcados. Além de um sem-número de faltinhas desleais a la porco, além de uma alusão a um tempo em que o porquinho não lembrava sua identidade. O mais surpreendente (ou não) é que os outros adversários papagaiam isso, elevando a um nível de criatividade que não condiz. Na verdade apenas mostra qual é a Referência do Futebol.
E então vemos abutres falando em "empate justo", justo é lu cazzu. Deixamos de ganhar por falta de capacidade de finalizar, e porque ao menos um dos penaltis poderiam ter sido marcado, que a porcada não iria ter do que reclamar, muito menos dos gols impedidos que marcou e que marcou o seu ex-werthon. Estão começando a nos tirar pontos, e a querer fazer-nos pensar que não temos elenco para disputar esse campeonato. O que falta apenas é o fator que determina as Glórias Corinthianas; JOGAR PELO CORINTHIANS!
Quer queira, quer não, o rivale só saiu de seu marasmo, quando éramos moleques, quando abandonaram a carinhosa e filodramática auto-alcunha de 'loucademia', tentando lembrar a esquecida origem de parte de sua história, recriando-se a partir do elemento primordial do Corinthianismo. Que é a Referência, ora pois.
Claro que só faltou vestir o apitador, naquela ocasião. E veio a época da referida homenagem, vinda da arquibancada do lado lá. Foi justamente quando essa tese tomou forma definitiva no chiqueiro.
Só se ganha do CORINTHIANS jogando como CORINTHIANS, e é isso que todo time pequeno (ou quem enfrenta o Corinthians) faz; os adversários dão o sangue, a vida, põe o coração na ponta da chuteira. O próprio Pelé fazia isso. E a torcida rival nos comprovou, e sempre comprovarão todos os adversários.
Um Derby é a melhor ocasião para reafirmar essa verdade, e ontem todos ali presentes garantiram e garantimos que essa verdade se fizesse reafirmada.

AQUI É CORINTHIANS!!!

domingo, 1 de agosto de 2010

O Maior Clássico do Mundo

Uma rivalidade mitológica.
Dois gigantes irão se enfrentar novamente neste domingo, e isso transforma essa cidade.
O Jogo será no Templo Sagrado. E não no privadão.
É bom lembrar, sempre.

Clássico que está no imaginário popular do povo paulista, e brasileiro, como nenhum outro. Se falar de história é falar de Corinthians, falar do clássico é completar essa história toda com outros nuances, outras facetas.

Quando tomamos em mãos a obra de Alcântara Machado, Brás, Bexiga e Barra Funda, vemos a enormidade da Alma desta Paulicéia que foi se perdendo, se deixando alienar. Hoje o mundo parece estar dado, estar dito e revisado, pela revista, pelo jornal, e sujeito o aceita como se fosse incontestabilíssimo.
A Paulicéia desses tempos de Alcântara Machado tinha praticamente os mesmos elementos que os de hoje, só que o procedimento hoje já não leva tanto em conta a vergonha. O descaramento da mentira é aceito com mais facilidade, a despeito de toda informação que o sujeito tem disponível.
Mas existem elementos essenciais nas culturas, e na cultura Piratiningana em particular, que não desaparecem, não se enfraquecem, mesmo que mudem um pouco.
O clássico é um elemento que não mudou nada sua essência, mas adquiriu formas de existir, a cada época, de acordo com a própria História.
Clássico que sempre envolveu multidões, e que sempre deixou engasgado o torcedor que vive o clube, dias antes de acontecer.
Está no filme do Mazzaropi. Ali não há mera caricatura; todos nós Corinthianos temos naquele personagem boa dose de pertencimento. Nos vemos nele. Assim como os rivais se vêem no palestrino, personagem que é o vizinho. As duas famílias trocam açucar e milho, azeite e farinha, pão e café, pelo muro ou pela janela.
Mas os chefes das famílias discutem e brigam todo tempo.
Por causa do Corinthians e do parmera.

A idéia de se criar uma marca para este épico combate é louvável, serve para representar mercadologicamente o clássico e inseri-lo no contexto internacional como um produto real, não apenas uma faceta do imaginário popular, tão fértil.

Pode também vir a ser lucrativo para os clubes, e obviamente será para o nosso futebol brasileiro. E vem a ser símbolo de 'paz', com o tal do estatuto, como nos sites dos clubes neste momento.
Mas é completamente desnecessário para o torcedor que carrega isso tudo em cada célula, no gene, na alma, no coração. Na vida toda e no dia-a-dia.

Tal torcedor tende a ver isso como heresia, pois a mercadologização é o que há de profanação no mundo de hoje, mas é amplamente aceita.
O torcedor não quer só o produto, não quer só consumir, isso tudo é muito sem essência nenhuma. O torcedor tem o clube em sua vida e é impossível separar.

A grande idéia, do presidente do rival, Beluzzo, é a criação de um troféu, a ser levado pelo vencedor da partida, e que volta a ser disputado sucessivamente nos próximos clássicos.
Se chama, na mais justa das homenagens possíveis, Troféu Oswaldo Brandão.
A idéia é bonita pois revive uma tradição, tão antiga quanto a própria várzea, berço de nosso futebol. Quando dois varzeanos partiam para o embate nas quatro linhas, algo estava na disputa. Normalmente, um troféu. Na maioria das vezes, oferecido por alguma empresa, veículo de comunicação, ou até por personalidades. Isso se manteve até tempos recentes, é hoje em dia que não vemos mais.
A taça mais famosa foi disputada em 1922, a memorável "Cântara Portugália", em homenagem aos primeiros aviadores a cruzar o oceano Atlântico.

Neste pôster, muito mais valioso que qualquer logotipo que qualquer designer resolva inventar, vemos o conto de Alcântara Machado em imagens.
As pessoas, a solenidade com Guido Giacominelli, o presidente do palestra que não faço idéia de quem seja, os aviadores e mais uma porção de agregados. Uma festividade comum a este grandioso clássico, um acontecimento notável, como se vê. Inclusive o frango passando debaixo das pernas do goleiro do rival: é algo clamoroso.
A taça está no Memorial do Parque São Jorge, e foi vencida por um placar de 2 a 0, gols de Gambarotta e Tatu.
Vale lembrar que neste ano o Coringão foi Campeão do Centenário da República, Paulista e Brasileiro. Enfrentamos o América da Cidade Maravilhosa, e vencemos. "Campeão dos Campeões", feito que repetiríamos oito anos depois, contra o bacalhau.

E temos muitos outros embates memoráveis. Impossível falar de todos aqui...
O jogo de 55, que valeu pelo Centenário de Piratininga, sintetiza o que é o clássico.
Inclusive com arranca-rabo.



Mas o de 71, a mais Histórica das Viradas, mostra o que é Corinthians.
Todo Avô e Pai da minha Geração, se Corinthianos, usaram este educativo jogo para explicar, exemplificar, cientificizar, filosofar, compreender e, sobretudo, ensinar a AMAR, às gerações que lhe sucediam.
O Coringão suava sangue na época, mas isso não lhe impedia de jogar bela bola. E fazer memoráveis partidas como essa, em que era tratado como capacho. Mas quando O Corinthians joga, o poste jamais faz xixi no cachorro.



E o que segue agora poderá desagradar a todos. Ou a ninguém, se o sentido da coisa for compreendido.
Permito-me transcrever trechos da obra do Mestre Diaféria. Trata-se do Capítulo XXXVI, "Acredite se quiser: Corinthians e Palestra já formaram combinados".
Só o título já provoca modorrenta ânsia no primeiro instante, e muita inquietação a seguir.
Mas vamos lá. Pois isso só prova ainda mais que a coisa é mais que histórica, é mitológica.
Vamos ao Mestre:

"Parece incrível, mas o Corinthians Paulista e o Palestra Italia, apesar de tudo o que se diz - e com razão - da rivalidade entre os dois clubes, já uniram forças e formaram combinados. E não apenas uma vez, mas duas. A rivalidade, que tem servido para animar os campeonatos, se origina da dissidência de um grupo de oriundi que abandonou o alvinegro (ou pelo menos a simpatia pelo alvinegro) para ir fundar o Palestra no Salão Alhambra. A rivalidade aumentou quando o Palestra, com uma vitória de 3 a 0, acabou com uma invencibilidade de três anos do Corinthians, nos primórdios de sua história. Bem verdade que para conseguir esse feito, o Palestra teve de ir buscar um dos melhores jogadores do Corinthians, chamado Bianco, Bianco Spartaco Gambini.
Outro que jogou lenha na fogueira foi o Moscardo, um pasquim dirigido por um palestrino que vivia atacando gratuitamente o Corinthians. O clube alvinegro pretendia processar o jornaleco, mas a diretoria achou que não se devia gastar vela com defunto ruim. Tudo isso foi no tempo do onça.
Mas nem tudo eram brigas no princípio das coisas.
Tanto assim que no dia 12 de outubro de 1917 o Corinthians Paulista e o Palestra Italia formaram um conjunto, misturando seus jogadores num único time, e foram enfrentar o Club Athletico Paulistano num festival organizado pela Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo, que tinha sido fundada naquele ano.
Esse jogo é pouquíssimo conhecido e todos os dados sobre ele foram obtidos graças à fidalguia e à excelente organização da diretoria do próprio Paulistano, que abriu seus arquivos.
A Associação dos Cronistas Esportivos não tinha recursos, por isso organizou um festival esportivo no campo da Associação Athletica das Palmeiras, na Floresta, Ponte Grande. Toda a renda reverteu para a entidade dos comentaristas esportivos, cujo número estava aumentando, obrigando-os a se organizarem.
Embora amistoso, o jogo atraiu grande público porque tanto o Corinthians quanto o Palestra tinham muitos simpatizantes, bons times, eram populares; e o Paulistano era bicampeão de 1916 e 1917 e reunia em seu esquadrão os chamados "reis do futebol".
O combinado alvinegro-esmeraldino apresentou-se com Flosi; Grimaldi e Casemiro Gonzales; Ciasca, Bianco e Fabi; Américo, Ministro, Ettore, Aparício e Severino. O Paulistano jogou com Cunha Bueno; Carlito e Orlando; Sérgio, Gullo e Madureira; Agnello, Mário de Andrade, Friedenreich, Mariano e Ulbrich.
Friedenreich, que era um perigo, chutou duas bolas nas traves do excelente goleiro palestrino, mas foi o corinthiano Américo, com um chute enviezado e potente, quem fez o primeiro gol da partida. O placar foi completo por outro Corinthiano, Aparício.

Neste histórico jogo foi disputado um troféu de bronze que ninguém sabe dizer onde foi parar, se na sede do Corinthians ou do Palestra. É possível que tenha ficado com a própria Associação dos Cronistas Esportivos. Enfim, o troféu sumiu.

(...)

Fora esse jogo contra o Paulistano, há registro de uma outra partida em que o Corinthians e o Palestra formaram um combinado, em 1930, e enfrentaram o Tucumán, da Argentina. O Corinthians-Palestra venceu o Tucumán por 5 a 2, e jogou assim: Tuffy, Grané e Del Debbio; Pepe, Gogliardo e Serafim; Ministrinho, Heitor, Friedenreich*, Rato e De Maria. Foi sem dúvida, um grande resultado, mas melhor ainda quando, a seguir, o Corinthians Paulista apenas com seus próprios jogadores venceu o Tucumán por 7 a 2! Dos dois gols que Tuffy levou, um foi de pênalti. Nesse dia, o arqueiro Corinthiano foi um portento!"

*Friedenreich jogou como elemento do Corinthians nessa partida. Consta que, nessa época, ele já havia bebido uns goles da milagrosa água da biquinha do Parque São Jorge...


Farei aqui algumas considerações.
Observe que Neco não participou de nenhuma partida.
Isso é indício de onde foi gerada grande parte da rivalidade pelos lados Alvinegros; é sabido também da rixa entre ele e Bianco.
É evidente que essa taça sumiu. E que de todo jeito sumiria. Taças somem.
Era comum, nesta época, combinarem-se os times em treinos, e não se tinha a visão que hoje se tem. No começo de sua história, inclusive, era comum o Corinthians treinar jogando contra o Paulistano, e poderia ocorrer de alguns jogadores ocasionalmente "trocarem de lado". Não era portanto algo incomum ou muito diferente, em se tratando de uma partida não-oficial.
Apesar da paixão clubística já ter se impregnado na paulicéia, a rivalidade era tida cavalheiristicamente, no sentido de estarem os torcedores assistindo uma guerra teatralizada, simulada, em ambiente social. Talvez o individualismo não fosse tão exarcebado, quem saberia dizer. Uma juju, por exemplo, não faria sentido em 1922.
Outra coisa é que, contra o time argentino, o trio que o Palestra carregava, que tinha apelido de refrescos da época (sissi, gasosa e guaraná; uma gracinha, não é?) fez menos diferença que a linha do Corinthians, mesmo que o jogo fosse outro, o dia fosse outro, e sabemos que isso conta muito neste esporte-arte-guerra que é o futebol.
E observe também que este fato explicado pelo Mestre Diaféria, aconteceu dois anos antes do episódio do suborno, por parte de um dirigente de lá que acabou afastado do Futebol, ao Grande Pai Jaú.
E se querem se convencer da mitologia a qual se refere este Mosqueteiro, leiam o que Arthur Tirrone escreveu. Coisa magnífica.
E antes dos números, aproveitem uma musiquinha antiga que homenageia a rivalidade.



No confronto geral, é verdade que o rival possui certa vantagem (113V, 97E, 119D). Que passa a ser do Corinthians quando falamos dos confrontos pelos Campeonatos Paulista (70V, 56E, 67D) e Brasileiro (12V, 11D, 10E).
Se tomássemos os números a partir do momento em que o rival mudou de nome, em 1942, veríamos ampla vantagem do Coringão.
Além de termos os quatro principais goleadores: Claudio (21 gols), Baltazar (20), Luizinho (19) e Teleco (15), disparados, e sucedidos por Heitor, com apenas 14. Foi um rival, porém, quem disputou mais vezes o Derby na carreira; Ademir jogou 57 vezes.
E as duas maiores séries invictas no confronto, ambas de dez partidas. A primeira de 26/12/1948 a 24/3/1951 e a segunda de 6/7/1952 a 21/7/1954.
A última vez em que a Fazendinha foi palco para o clássico foi em 18/8/1940. Ainda havia a cativa coberta, com parafusos do senhor Schürig.
Aliás, em 1942, data de refundação compulsória do rival, disputamos cinco vezes o Derby. Em 28/3, vencemos por 4 a 1. Em 27/5, por 4 a 1 novamente. Em 28/6, empatamos em 1 a 1. em 15/7, vencemos por 4 a 2. E em 4/10, por 3 a 1.
Curiosamente o campeão nesse ano (justamente no dia em que mudaram de nome, contra a madame amedrontada, que simplesmente fugiu) e tirando de nós o bicampeonato, foi o próprio rival.
Terem duas das principais derrotas da História Alvinegra - nas penalidades, após resultados iguais - é razão de vida para os rivais.

Mas sabemos todos que a História não acabou. Ainda mais para este que é o maior clássico do Brasil, perto de completar seu Centenário.
E o Brasil que tem o maior futebol do mundo, tem esse clássico, que por isso é o Maior Clássico do Mundo.
Hoje: GUERRA!
É dia de Derby. E isso não passa batido nem para o próprio ar que se respira.
Estaremos no Tobogã, de acordo com o que as diretorias trataram. O mando é rival agora, e quando for nosso voltaremos à Arquibancada. Simples e justo; o problema é que eles trazem as próprias carcaças ao nosso cimento. E depois, haja sal e chuva pra lavar. Mas não há problema, o CORINTHIANS irá entrar em campo de Bataglia e é isso que nos importa.
O Coringão terá a estréia de Adílson no Comando. Que está tranqüilo e irá aproveitar a grande ocasião para chegar chegando ao Coringão, sob a Proteção de São Jorge Padroeiro.
Se alguém diz que sabe a escalação de hoje, esse alguém está dizendo justamente o que não sabe. É uma incógnita. Impossível saber com que Timão irá entrar em campo de Bataglia, esse nosso novo Comandante. Fato é que ele irá continuar tudo o que Mano fez de bom e quer arrumar o que há de errado. E de fato, ao menos no papel, chegamos a essa tarde um pouco melhores que o rival. O que, sabemos de antemão, não quer dizer coisa alguma.

Que essa atmosfera de sexta à noite, no Parque Sagrado, seja alcançada, com a Força da Companhia de Jorge Padroeiro!



Entrou em vigor o estatuto que é de qualquer um, menos do torcedor.
Precisamos entender o que está se passando e, como Torcedores que somos, saber exatamente o nosso papel no Futebol. Que é muito mais que essencial. Nós, Torcedores, somos o âmago do Futebol.
Sem jogador sequer existira o Futebol, isso é óbvio. Mas sem Torcedor, o Futebol deixa de ser Futebol.
E qual o papel da Torcida?
Incentivar seu time, incitar seus guerreiros à vitória, lembrá-los que nessa guerra simulada do Futebol existe Alma e Paixão. E é por essa Alma que eles estão lá, em campo, disputando um instrumento de formato perfeito, que simboliza o conflito entre partes. A Deusa Bola não é apenas ancestral, mas ela faz parte de todas as culturas.
É por causa desse ritual semanal da Deusa Bola no Templo Sagrado que a Torcida existe.
Note bem: a coisa é empírica. Tem de ser experimentada, vivenciada. Deve-se ir ao Templo e cumprir o ritual de Arquibancada para que se possa contemplar um "estatuto do torcedor". Então cumpre perguntar qual a função real desse estatuto que está em vigor. E não se vê Torcedor que tenha entendido como é que uma coisa dessas entra em vigor...
Mas no fundo entendemos bem; somos o incômodo semanal da velha aristocracia.
A Deusa Bola mobiliza.

Por isso tudo, que os Torcedores compreendam o seu papel, sobretudo como cidadão que somos.
Pois como se vê, nada nos é dado em troca. Só que nós fazemos o Futebol.
Um escorregão, e nos tiram, vão tirando.
Hoje é dia de Derby e a eletricidade está no ar.
Serenidade e lucidez, Família.
São Jorge nos proteja e nos dê Forças!

VAI CORINTHIANS!!!