quinta-feira, 24 de outubro de 2013

A ponta do iceberg

Todo aquele que é paciente e/ou corajoso o suficiente para ter lido alguma coisa deste blogue já sabe o que diremos aqui. Por isso mesmo, como já dizíamos aqui e nos microfones do Bunker, vive-se uma crise de natureza distinta da natureza de quaisquer das outras tantas crises que a História do Corinthians já apresentou, e o que se observou ontem foi apenas e tão somente um dos lados da ponta aparente de um iceberg num mar de lama.
A manifestação do descompromisso com o Manto Sagrado, com a História, com a Fiel, não é de ontem e nem de anteontem, e é a manifestação concreta da alienação dos que se julgam "modernetes", ou tem rabo preso e têm que lamber bolas. No pacote disso está a burrice que nos assola, a ignorância que nos divide, e o avesso de cabeça para baixo. Sinal dos tempos: apenas este Mosqueteiro, no vagão lotado e no corredor do metrô ostentava o Manto, e nenhuma outra camiseta estava presente. Só o Manto madrugador, sozinho.
"Ser Corinthiano é mergulhar no Oceano da Paixão que afoga", dizia o verso do poeta. Esse Oceano de Paixão nunca foi uma mera imagem; foi sempre realidade. Ao passo que o "afogar", esse sim, era imagem, pois Corinthiano nunca coube em si, de forma que "afogar" é de fato dar mais vida à própria vida: Sofredores, Graças ao Padroeiro!
Eis portanto um dos lados desta ponta do iceberg: a inversão desses valores. O Oceano de Paixão passou a ser miragem para essa burrice "modernete" - o que leva o "afogar" ao status de realidade.
Coroando o iceberg está a esfinge da Charada de Jorge, que não foi desvendada, e parece que terá de durar mais tempo que o previsto.
O Corinthians é coisa simples, mas nessa inversão promovida pelos incautos dinheiristas "modernetes" tornou-se monstruosamente complexo, tanto que está adoecido. E agora ninguém pode mais julgar este "dinossauro" simplesmente um "intolerante", "radical": a coisa toda se apresenta na fuça de quem for. E este "dinossauro" já criou asas, para sobrevoar a cabeça de quem gritou "vivas" à essa inversão "modernete", e devidamente presentear com rajadas de excremento essas cabeças sem alma.
Pois o dinheirismo sempre inoculará a Alma; e esses aí preferem ficar sem a Alma, pois de fato são incapazes de conviver com ela e consigo mesmos, e fornecem seus corpos para o abate neste grande açougue do dinheiro que se transformou o mundo desta raça humana; tendem a ver nós, radicais, intolerantes e dinossauros como "antigos" (e lucenil do valle, o ideólogo do "conselheiro" zé ferreira dizia ontem, ao ver o estádio "confortavelmente" vazio perto da importância do jogo, que não "quer" a volta do antigo, como se ele tivesse "acabado"), conformadinhos que estão, propagandeando o conformismo alienado.
Um outro lado desta ponta de iceberg é o fato desse atual (ainda?) camisa 7 desrespeitar não apenas a FIEL TORCIDA no tempo presente, fazendo o que fez. Mas desrespeitar a HISTÓRIA DO CORINTHIANS ao não observar que ali na meta adversária estava o maior defensor de penalidades da História do Futebol, não um narigudinho baitola que ajoelha e caça borboleta. Isso porque esse atual 7 não é um jogador de Futebol, mas um jogador de video-game - e foi assim que tratou o Manto que lhe paga indevidos salários milionários. Assustador é ver que esses alienados "modernetes" querem a permanência do jogador de video-game: afinal, são todos estes, também, jogadores de video-game. São consumidores, e não Torcedores.
Dentro dessa perspectiva é natural observar como e porquê está em curso o revisionismo historiográfico: a identidade desidentificada é a própria virtualidade do video-game. Sem identidade, é possível uma esculhambação como aquela de ontem. E, veja: esta esculhambação não começou e não terminou nas mãos de Dida (ah, Charada de Jorge...).
No mais, fiquem à vontade para identificar os outros lados dessa ponta do iceberg. No momento oportuno enveredaremos por aqui na parte submersa na lama deste iceberg, enquanto a Charada de Jorge é esfregada na cara dos incautos alienados (que hoje deixaram o Manto no armário, afinal não houve "vitória"...). E quem não for Corinthians sabe que rumo tomar.

SÃO JORGE PADROEIRO
nos guarnece hoje e sempre

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

O golem sem virtude

Pode soar estranho, sendo este blogue "monotemático", mas estarei falando de Corinthians sem fazê-lo, nas próximas linhas.
Necessário e salutar se faz, de antemão, relembrar e conceituar uma diferença. Pois o Torcedor de qualquer clube compreende e aceita as coisas como são, diferente do consumidor de Futebol, essa figura que demoraram tanto tempo para produzir, mas que agora é quem se espera que conduza o Futebol e, por analogia, a noça çoçiedade.
Tal diferença é muito simples; existe a rivalidade e existe o revanchismo.
Por rivalidade compreendemos a relação mais virtuosa existente entre dois antagonistas. Caiu no uso popular, incentivado por abutres da pior espécie como os que se encontram por este nosso cenário, a forma decadente do emprego de tal conceito; por estes tempos dizem por aí que a sardinha é nossa rival, coisa tão absurda quanto chamar a madame de nossa rival. A relação que travam conosco (muito mais que nós com elas, diga-se, e para o Gigante são só adversários como tantos outros) é simples revanchismo, a forma menos virtuosa de lidar consigo mesmo e com o resto do mundo. Talvez seja por isso mesmo que tendam a querer que esta relação cresça em grau e se torne rivalidade - mas isso é antinatural e não acontece sem muita lavagem cerebral.
O caso da madame é o mais emblemático: a velha aristocracia perdeu o pedestal no Futebol em 1913 (uma História que a nova historiografia interna do próprio Clube tende a omitir), e no momento em que perde o pedestal na política e na economia definitivamente (1929), é também expulsa do próprio salão de chá-das-cinco. Tiveram que "se virar" com diversas falências, apoios escusos de figuras duvidosas, aportes públicos de dinheiro e de terrenos, além de uma idiotização massificadora da mídia que, durante décadas tentando, conseguiu fazer crer que o frankestein remendado da velha aristocracia maquiada é alguma coisa. Pousando helicópteros, encheram de penduricalhos e enfeites adornados esta monstruosa criatura para que parecesse menos horrorosa (vai ver que é por isso que os seus consumidores não ligam tanto pro monstro, para a feiúra embotada dele e para a antinatureza que ele porta, mas ligam mais para o revanchismo dele).
Um frankestein e um golem possuem uma mesma origem, então tanto faz o emprego de um ou de outro para essa exposição: ambos são objetos fabricados ao qual se pretendeu atribuir vida (eis a antinatureza da coisa). O golem-madame é, portanto, o que de mais abjeto já se pretendeu "criar". A atual gestão do Corinthians tem verdadeiro apreço a essa coisa produzida de vida duvidosa, e dentro de seu "projeto" administrativo estão colocando o Gigante em coma para transubstanciar sua Alma a um golem, ao estilo de madame. E isto vai surtindo efeito, uma vez que quem dá vida ao golem somos nós, e nós já adotamos a postura de consumidor necessária para manter o Gigante em coma.
Assim sendo, observemos o que anda acontecendo atualmente na tabela do modorrento campeonato de pontos perdidos e roubados. Na quarta que antecedeu este domingo passado, em que madame amargou mais uma vez a - natural - freguesia, ela foi ajudadíssima pela maria que lidera com folga esse curso de campeonato. Mas ninguém falou isso, porque ninguém viu: se aproveitaram que o joguinho foi des-televisionado, afinal quem dá ibope nessa mixórdia é o Corinthians, para operar mais um campeonato (como fizeram quando "venceram" há algum tempo atrás, mas isso também ninguém fala) já no apagar das luzes, exatamente como o penaltizinho maroto que roubaram no último minuto ontem.
O esforço para não deixar a madame-golem cair é hercúleo.
Salvar o golem-frankestein-madame é a missão "maior" neste ano da cúpula da confederação, da mídia abutre e do conjunto de canalhas do apito, afinal se madame cair seria o mesmo que degolar a arrogância desses sem-número de golemzinhos sem alma que ela criou com o tempo. E, mais importante, seria o fim de um "projeto" gestado desde 29, que não é nada mais que o próprio revanchismo contra o Time do Povo. Esse mesmo revanchismo é o motor e a razão pela qual fizeram esses alienados esquecerem a queda para a segunda divisão do 'paulistinha' que o ex-técnico-ídalo-delas relembrou em um Roda-Viva da TV Cultura (R.I.P.). Ontem, a claque de imbecis que não será punida (nas artimanhas "jornalísticas" de abutres, estão querendo é que o Corinthians seja punido) ostentava uma faixa malograda, já de antemão. Pois madame-golem já caiu, e a faixa desdiz de si o que pretendia dizer dos outros - é o que acontece quando imbecis decidem fazer graça.
A madame-golem-frankestéia pode até não cair, a operação-salvamente pode até surtir efeito, mas uma coisa é certa: o revanchismo sempre será revanchismo, e a rivalidade será sempre rivalidade.

SÃO JORGE PADROEIRO
Nos guarnece hoje e sempre

Post-Scriptum: não é à toa que o pentagrama disforme de cabeça pra baixo está na região intestinal do golem-madame-frankestéia. Não há virtude em coisas artificiais. Mas noça çoçiedade adora essas coisas sem alma, por puro revanchismo de quem já perdeu a própria alma.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

A Boa e Velha Charada de Jorge

E a máscara da gestão rachou. Os cacos caíram. A carne viva por trás dela se mostra, as pontas de cancro aparecem, e as palavras vindas com o mau-hálito da ressaca já não têm decoração. A prioridade posta no caminho mais curto para a possibilidade de participação na taça continental já é óbvia, e ainda temos um turno inteiro do modorrento campeonato de pontos perdidos. Ao mesmo tempo, a tal gestão passou o tempo inteiro incentivando, moldando e tirando o couro do "consumidor" Corinthiano, inchando o relatório anual, propagandeando-se. Mas a decisão por tal opção não pode ser anunciada, senão a máscara racha e cai. No entanto, é subentendida - e o "produto" é uma fraude de qualquer jeito.
Jogadores sem vontade, comissão técnica acomodada. São só reflexos. Só reflexos.

"O Corinthians é um vulcão japonês indormido. Ali fervem o sangue luso, um pouco dos mouros, a cimitarra árabe, a família dos macabeus, a espanholada que enriqueceu com cobre e zinco, os paulistas descendentes dos Alcântaras e dos Machados, e algumas ramificações do povo da Bota que encheram as noites do Bom Retiro de bandolins e pizzas napoletanas. Bote-se tudo isso num cadinho, mexa-se com fogo brando apaixonado, misture-se essa poção poderosa com o Povo Brasileiro, nós, e está feita a Explosão chamada Corinthians Paulista.
Como se vê, a receita é simples."
(Mestre Diaféria)


O Vesúvio entrou em erupção no ano de 79 da Era Cristã, nono dia antes das Calendas de Setembro, e a lua estava minguando.
O efeito devastador deste evento, que nunca havia sido igualmente descrito no mundo antigo, foi das coisas mais impressionantes já vivenciadas pela memória cristalizada em forma de História.
O relato sobre a tragédia foi escrito por Plínio, o jovem, e pareceu loucura a todos os antigos e medievos que tomaram contato com a peça. Descrevia um pinheiro gigante de fumaça e fogo que se expandia e era arrastado pelo vento, criando noite onde deveria ser dia. Tal "insanidade" foi comprovada pela ciência contemporânea, e pelas provas arqueológicas, depois de descoberta (literalmente) a grande ruína de Pompéia.
O tio-avô do jovem Plínio, chamado Plínio, o velho, considerava-se um acurado observador da physis, e teórico dos assuntos relacionados aos fenômenos naturais, de forma que, quando lhe foi apontado o que acontecia na outra ponta da belíssima baía, prontamente mandou preparar os navios para observar de perto.
Veja, o teórico foi ao fenômeno sem saber do que realmente se tratava, e dos perigos que corria, enquanto seu sobrinho permaneceu no domus descrevendo o que via. Naquele momento, todos admiraram a coragem do teórico, ao passo que o cronista ficou sendo ridicularizado pela posteridade - até que a realidade fosse colocada cabalmente.
O jovem escapou da tragédia e ainda pôde viver o suficiente para fazer carreira no Império. O velho morreu com os órgãos e o sangue carbonizado, quase instantaneamente, dentro da nuvem dilatada da erupção.

Guardadas as devidas proporções, com os "radicais intolerantes" Corinthianos ocorre o mesmo que com o jovem, enquanto os "acomodados" serão carbonizados pela erupção da "modernidade" e da elitização.

A 'História' ainda ridiculariza os primeiros e denota a "coragem" dos segundos.

domingo, 1 de setembro de 2013

Memórias de um Ancestral

Aqueles tempos não eram fáceis, foi preciso muita união e coragem para enfrentar a segregação classista daqueles que por aqui já estavam assentados, com seus tentáculos agarrados e sufocando aqueles que sonhavam com uma vida de melhores condições, com os frutos do suor e do sangue do trabalho. Logo que cheguei a este país, tudo era novo, mas a exploração era a mesma. Quiseram que eu fosse um parceiro do fazendeiro, mas já conhecia o funcionamento e as artimanhas. De onde eu vim, há muitos séculos a coisa toda era assim. Por isso não me deixei levar à Hospedaria dos Imigrantes, e sabia de um patrício que vivia em boas condições num bairro afastado desta SanPaolo, lugarejo arborizado onde os passarinhos faziam sinfonia.
Este meu patrício conhecia todo mundo naquele lugar que bem chamaram Bom Retiro. Era o barbeiro do bairro, mas só fui entender que ele não era apenas isso quando conheci todos aqueles camaradas. Era um mundaréu de gente, o bairro todo movido em torno daquilo que chamavam protagonismo. O mesmo sonho de uma vida que todos tínhamos, todos nós que embarcamos num vapor e saímos de nossas terras. E ali estavam pessoas de todos os lugares que já ouvira falar, e de outros que não tinha noção que existia. Interessante é que, com tantas línguas, todos nós nos entendíamos, e cada um falava de sua própria maneira.
Cheguei numa noite fria, meu patrício estava doente, mas sabia que chegaria. Assim, me encaminhou para a casa de um camarada, já tinha arranjado tudo, e eu ficaria ali até arrumar-me. Este camarada estava reunido com uma dezena e tantas, e eles discutiam um movimento. Ali estavam camaradas de macacão sujo, de terno, uns jovens outros envelhecidos pelo labor, todos inflamados com uma idéia em comum.
Eles falavam coisas como evitar a violência da polícia. Levei pouco tempo para entender que aqui nesse país a polícia também reprimia, e eles queriam criar um time de futebol para poderem discutir o que precisavam sem que a polícia achasse tudo aquilo muito estranho, e começasse a bater. Já haviam perdido camaradas em outras oportunidades, assassinados em via pública, sob os olhos de todos. E não queriam mais que isso viesse a acontecer.
Passei pouco tempo na casa do Antonio, que logo me arrumou um trabalho e pude me arrumar. Aquele pessoal arrendou um terreno para fazer acontecer aquela idéia, a qual admirei muito, e prontamente aderi. Chegavam muitos patrícios e gente de outros lugares do mundo, e o Bom Retiro, com aquela idéia em marcha, agregava a todos. Éramos muitos, e já começávamos a dar nas vistas e na paciência de quem não nos aguentava assim, tão organizados. Com a escusa de sermos um time de futebol, articulamos com outros bairros a idéia, e em pouco tempo, posso dizer, estávamos na cidade inteira. E em menos tempo, em várias outras cidades. Outros times surgiram com o mesmo nome do nosso. Mas os lugares onde jogávamos não era o mesmo lugar onde a classe mais alta jogava. Por incrível que pareça, os bem-nascidos achavam que jogavam bola. Eu já estava casado, com o primeiro filho na barriga, quando o nosso time conseguiu a proeza de ir jogar na cancha dos ricos. Aquilo foi uma revolução de verdade. Não é possível imaginar realmente a cara de asco de quem era imbuído da segregação. Tanto que, com essa cara de asco, fugiram do nosso time. Mas nós alcançamos e nos vingamos pouco tempo depois. O tempo passa, e o destino acontece como deve acontecer. A ordem natural das coisas é respeitada pelo destino, e aquele time se tornou de fato um Clube. Construímos um estádio, com nosso suor e sangue. Adquirimos uma fazendinha. E crescemos de forma que o mundo nos conheceu.
E venho falar-lhes hoje, cento e três anos após minha chegada neste país, que toda aquela turma grande que encontrei naquela noite fria, não reconheceria o que criaram. Não pela grandeza, pois naquela noite esse destino estava previsto e foi selado, mas pelo propósito que impulsionou tudo isso, a idéia. Hoje nós não conseguimos mais ver onde está a idéia.
Ela só está nas cabeças de alguns, por incrível que pareça. E contra a própria idéia, igual os tentáculos agarrados, desvirtuam o propósito, dizem "quem manda aqui sou eu", acabam com a Sede Grandiosa que construímos com suor e sangue. E pretendem ficar ricos com o que acham que é uma máquina de fazer dinheiro. E criam versões para justificar essa tramóia, transformando esse nosso passado em historieta palatável. Não éramos cinco operários, éramos muitos e de diferentes origens e profissões; não éramos um time, mas um movimento. Essa domesticação da nossa história está justificando, nas cabeças dos que chegam, toda essa estapafúrdia enganação. Nem Antonio, nem Salvatore, iriam reconhecer, nisto que se apresenta hoje, aquilo que empenharam a própria vida.
Mas a Memória de um Ancestral não irá se apagar nunca.

"Algo vive tanto tempo quanto a última pessoa se lembrar dele"
Memória, como o fogo, é radiante e imutável, enquanto a História serve apenas àqueles que procuram controlá-la, àqueles que querem varrer a chama da Memória, para apagar o perigoso fogo da verdade. Cuidado com estes homens, pois eles são perigosos e ignorantes. A falsa História deles está escrita com o sangue daqueles que possam se lembrar, e daqueles que procuram a verdade.

VIVA O CORINTHIANS
NOSSO DE CADA DIA!!!

sexta-feira, 26 de julho de 2013

A Charada é Implacável

A Charada de Jorge continua. Recentemente, em âmbito nacional, observamos a mídia abutre tentando inferiorizar a insatisfação latente de nosso povo, e muitos compravam o "ideário" alienante: afinal, com o 'bolsa família', por que este povo está reclamando? Mas não eram estes que estavam nas ruas, e sim os bem nascidos desta nossa pátria, igualmente insatisfeitos! Bem que queriam retratar a nossa face de comodista, mas não puderam. Assim, infiltraram-se, semeando a discórdia e a baderna. Temos exemplos disto acontecendo por estes dias, no Rio. Observem a tecla da baderna; ela é essencial para o "ideário".
Segue firme a Charada, pois nos últimos anos vemos acontecer no Corinthians algo que parece ser evolução, mas é devastação. Títulos são o 'bolsa família' do Torcedor, garantem o discurso da 'competência' e possibilitam diversas justificativas administrativas que carregam em si a devastação. Não existem dúvidas sobre o Futebol ser uma máquina poderosa de capitalização. Quanto mais azeitada for, mais a máquina produzirá dinheiro. A arapuca do plano de fidelização do cliente consiste em garantir a renda, mas não a porcentagem absoluta de ocupação do estádio. Ou seja, se vende ingressos hoje pelo plano de fidelização com a finalidade de garantir uma renda média, que hoje vem sendo bastante polpuda, pois as vitórias estão acontecendo. Mas não se vende ingressos com a finalidade de garantir 100% de ocupação dos lugares do estádio. Assim, o preço do ingresso de qualquer setor, está majorado de forma a devastar a própria torcida, e aqui tentamos apontar o problema não apenas da elitização (pois através deste mesmo Corinthians, a Revolução de 1913 já foi ultrapassada; através do próprio Corinthians, o Povo perdeu seu lugar no Futebol).
A Charada de Jorge é implacável como uma Esfinge. O Corinthians inaugurará seu estádio em território onde garantiria o 100% de ocupação, em todos os jogos, com um preço condizente - o que lhe garantiria uma renda também condizente com os propósitos de desenvolvimento do Futebol e do Clube, mas não de quem tem olhos maiores que a barriga, onde carregam um reizinho sem coroa. Mas o sistema devastador perdurará ali, e quem não tiver condições financeiras para se garantir presencialmente em todos os jogos, e garantir o boleto pago da 'fidelização' (?), esqueça o estádio. Em plena Itaquera, um templo para burguês ver - e como o Corinthians é o Brasil visto por dentro, está aí a face comodista da noça çoçiedade.
Se a garantia desta renda que os olhos do reinól pretende irá ter pernas, é justamente o que a resposta de Jorge à Charada irá dizer. Será bastante intrigante a renda pretendida não acontecer - pelo preço, por derrotas (afinal, Futebol é Futebol. Mas Corinthians é Corinthians), por revoltas sistemáticas de... "baderneiros"!
A Charada abrange, inclusive, a Historiografia. Não será de se admirar se os conceitos do Senhor Toninho de Almeida e do Fundador Senhor Antonio Pereira estiverem domesticados e desvirtuados em um futuro próximo, que já vem acontecendo. A devastação terá sua aparência mais horrenda por aí. A Lenda do Clube do Povo, que é a Saga do Povo por um lugar ao Sol, toma a roupagem de uma anedota do passado, descolada da realidade. Ela é de fato atemporal, mas tomada frente à tal da "evolução" (que é devastação, lembre-se) pode ser um fator de acomodação, como a moeda número um do Tio Patinhas. O ideário atemporal do Libertário passou a ser o do "self made man": é esta a tal história que se conta, ainda que se intente propagar o ideário verdadeiro. É essa a verdadeira monstruosidade que estão a promover, talvez sem saber, sem nem imaginar, inconscientemente, como um alienado citando a orelhinha do livro.
A mídia abutre, afinada com a administração do Futebol como um todo, e do Corinthians em particular, está inferiorizando tais insatisfações. É a praxe. Mas Jorge é implacável (a própria madame sente - se é que ela sente alguma coisa - isso nas cascas de maquiagem que se descolam de suas rugas). A onda é lucrar, não desenvolver (mesmo que insistam que as duas coisas andam juntas, o modelo as exclue, como veremos num futuro próximo). E quem está lucrando com o Corinthians não é o Corinthians, nem hoje, e nem será amanhã. Não enquanto a charada desmascarar o próprio modelo. O Povo irá fazer o Corinthians, dizem os Ancestrais. E no Eco da Revolução de 1913 os intolerantes e radicais de hoje apontam para o eterno retorno do movimento da História - não repetição, mas a própria realização. Saravá, Santo Padroeiro.
VIVA O CORINTHIANS
NOSSO DE CADA DIA!!!

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Centésima borboleta

A hora é de comemorar. Este grupo comandado pelo Sr. Adenor mostrou serviço e conquistou mais uma taça. Os Ancestrais não fizeram tanto esforço: a Tradição por si só caminhou, viu e venceu.

A sempre preferencial freguesia do Corinthians tirou passaporte!
Essa Tradição acompanha o Futebol em qualquer cancha do Universo. Desde 1910.

PARABÉNS, FIEL TORCIDA!
AQUI É CORINTHIANS!!!

VIVA O CORINTHIANS

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segunda-feira, 20 de maio de 2013

1913, 2013

Faz cem anos e vinte dias que o Timão, cognominado "Galo Brigador das Várzeas", quebrou a barreira classista imposta no Futebol, ingressando na Liga Paulista. Neste dia a anticorintiania débil mental desabrochou nos coraçõezinhos ocos, enquanto observavam aquela Paixão, aquele Ideal, tomar Força e fincar raízes firmes no lodaçal da mesquinharia que sempre foi esse cenário futebolístico e desportivo.
Naquele momento o Corinthians era um 'entrão', um 'bicão', um "estraga-prazeres" - e sempre que conquistou qualquer coisa em sua História foi tido desta forma por quem não comunga desta Fé Corinthianista.
Por isso podemos dizer que, além daquele torneio de ingresso na Liga ter sido a primeira conquista, foi também a que mais doeu na carcaça da anticorintianada. E São Jorge escreve tão certo que no aniversário de Um Século desta que é a Formadora Conquista, o Corinthians se sagrou campeão do Paulistão. E essa escrita é tão grandiosa que não adianta explicar; seria como querer narrar uma epopéia, explicar a ópera, chover no molhado. Só quem é sabe o que é. Quem não é fica com o ranço que impingiu a si mesmo, de bobeira. Azar de quem não é.
Cem anos depois, o Galo Brigador segue fazendo História. 1913, 2013.
AOS HERÓIS DE 1913!!!
E se quisermos esmiuçar essa História, devemos lembrar que o chamado "clássico" paulista mais antigo também está completando um século. E foi contra a madame da Baixada que essa História foi escrita neste domingo. Logo ela, que há cem anos ingressava por favores na Liga - sem ter de passar por armadilhas como passou o Time do Povo. São Jorge escreve sempre certo.
Obrigado, Corinthians, por nos escolher. A própria vida, por ti, é o mínimo que lhe dispomos.
Parabéns, FIEL TORCIDA!!!

SARAVÁ SÃO JORGE

VIVA O CORINTHIANS
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quinta-feira, 16 de maio de 2013

La Amenaza Amarilla


O Coringão, na noite de ontem, jogou o que sabe jogar e o que precisava ter jogado.
Muito apesar, como sempre - até porque assim fomos campeões invictos dessa Várzea Latino-Americana -, das opções e da tática que o Professor Adenor realizou, como por exemplo substituir Danilo. No entanto não foi nada disso que determinou a desclassificação.
Nem aquele gol achado de Román, que confessou o acaso de um cruzamento que por infortúnio resultou na gritaria da debilidade mental da anticorintiania. E é por isso que iniciamos dizendo que foi jogado tanto o sabido quanto o necessário. Fomos clamorosamente roubados, e foi isto que determinou o resultado. Não um pouquinho roubados, nem mais ou menos roubados, mas roubados demais de forma acintosa. A mano amarilla da confederação funcionou, e se estampou na boca e na cara da anticorintianada débil mental.
Mas ninguém irá morrer por causa disso... E quem ainda não foi libertado? Como faz?
E como chegamos a essas condições?

Nossa diretoria é muito boa. Para caçar níquel da Torcida. Ótima, para fingir que abre o clube à possibilidade de frequência de seu "Fiel Torcedor" (entre aspas, pois se refere ao vitimizado em dívidas no plano caça-níquel, não dizendo nada acerca do componente da Fiel Torcida por si), ainda que, logo em seguida à comemoração da ótima adesão à referida "promoção", majore os preços das mensalidades futuras. E por que é que não nos surpreendemos? Nossa diretoria é muito boa para arrogar a si "modernidades", fingindo saber qual é a natureza desta instituição. Mas a qualquer momento bate no próprio peito e diz "quem manda aqui sou eu". E nessas circunstâncias e condições, orbitam feito penduricalhos os asseclas que se reduzem a meros papagaios. E é boa para ocultar a História. São aspectos desta nossa sociedade morfética, que são reproduzidos neste universo que é o Clube. Nada de novo.
O ser-humano tem, de fato, esta tendência à submissão, a se pendurar no poder ou, vulgarmente dizendo, se prestar ao papel de puxa-saco. Alguma hora o saco estará no chão, com tanto peso pendurado. E isso uma hora acaba, pois quem puxa o saco quer ser um dia o próprio saco a ser puxado. É neste processo que se dá a ruptura, campo fértil para as traições - como sempre aconteceu na História, e também na História do Corinthians.
A contaminação deste quadro nefasto em parte da Torcida é, infelizmente, latente.
Eis a Charada de Jorge se esmiuçando, a olhos vistos.

A Arquibancada contagiou, e ainda que hoje nossa Torcida não seja um terço do que já foi (até porque a exacerbação do puxa-saquismo inerente é averso e contraditório, por definição conceitual, ao Corinthianismo), a FIEL TORCIDA se mostrou o esteio e a Força do Nosso Corinthians, como sempre, provando, mais outra vez, que não há comparação entre nenhuma torcidinha com esta que é a maior e a melhor do mundo. Enquanto isso, a anticorintianada, coitada, ainda não consegue entender que o Coringão tropeça só para ter a oportunidade de se reerguer ainda mais alto. É isso que uma análise simples da História do Corinthians demonstra - mas a alienação de parcela interna e totalidade externa impede a noção mínima destes fatos. E também faz parte desta enorme Charada de Jorge.
A abutraiada se saiu com um "adeus" ao "sonho". Que "sonho", ignóbil? O Corinthians é a Utopia Concretizada. O Sonho é realidade e é vivido no cotidiano (pobre anticorintianada infeliz fadada a nunca suportar tal realidade...).
Ainda vai demorar para esta Charada ser desvendada.
É DOMINGÃO!

VIVA O CORINTHIANS
NOSSO DE CADA DIA!!!

domingo, 14 de abril de 2013

A Memória

(Texto lido no "100 Anos" da www.radiocoringao.com.br, dia doze de abril de 2013)

Não é por acaso que determinada historiografia (termo científico utilizado para descrever a memória estabelecida, entre outras coisas) é esquecida por uma parcela ainda hegemônica da corinthianidade, que estão e andam esperando estar no comando para sempre.
Não é por acaso, pois o Corinthians é o único caso no esporte nacional que um movimento social assume um caráter revolucionário de fato - não apenas um caráter reformista - e chega às cabeças do Futebol, em particular, ainda que dentro de todas as contradições interiores e exteriores.
O esporte, e o Futebol em particular, são dimensões culturais da sociedade que expressam aspirações humanas ancestrais, e é dessa importância que falamos aqui. O Futebol é um reflexo da sociedade, e dentro desse universo estão as torcidas (as organizadas e também o conjunto autônomo de torcedores).
No caso do nosso Corinthians, o conjunto autônomo gerou e gestou o movimento social que se concretizou em Clube desportivo, e esse conjunto autônomo é autor de um processo histórico, cuja historiografia tem que ser esquecida segundo determinados propósitos.
O Corinthians é um caso isolado de um clube social abrangente e protagonista das mais variadas formas e etnias, e é o caso isolado de um clube social capaz de expressar e exprimir os anseios dos oprimidos, e vencer os opressores. E quem ler essa frase e pensar que se trata de bobagem, apenas por causa do mensageiro, vai ter de parar de pensar no Corinthians como Time do Povo, e parar de gritar que é maloqueiro e sofredor, e outros gritos do tipo, sob pena de poder ser taxado de hipócrita por essa mesmo maldito mensageiro.
O Corinthians de 1913 arrebentou a hierarquia.
O Corinthians de 1913 fez tremer os que se pensavam poderosos. Os que acreditam que podem deter qualquer poder sobre qualquer coisa.
Os desprezados socialmente, os insultados pelas condições, com o Corinthians arrancam as amarras sociais impostas, e em 1913 o Futebol viu esse espetáculo em seu próprio seio - e anseio.
O Povo através do Corinthians assume este suposto poder, em pé de igualdade com a elite, que vai tomar aulas e surras no Futebol, numa permanência histórica que se verá sempre, e hoje em dia, quando essas contradições interiores e exteriores se avolumam, colocando o Corinthianismo do avesso e de ponta cabeça. Não aqui no Bunker.
E 1913 é um exemplo perigoso que tem de ser ocultado, segundo determinados propósitos. Gostariam mesmo, os que têm medo, é que já tivesse sido apagado da História.
Do lado de fora da instituição o que fazem, como sempre fizeram, é transformar este exemplo em banditismo de ralé, e do lado de dentro identificam como algo que não permite apelo comercial. E em ambos os casos o pano de fundo é o argumento depreciativo, e quando não simplesmente ignoram o exemplo e suprimem, ocultam, da memória institucional, ele passa a ser apenas uma rebelião popularesca de ralé, dos desdentados, marginais - pois desse pseudo-argumento não se tira mais nada, pois ele pouco ou nada diz.
Diriam os teóricos: as classes dominantes riscam o povo da história. E apagam principalmente as lutas populares, tentando não deixar qualquer traço, especialmente uma luta popular que atinge o cerne de seu objetivo. 1913 vive.
É por isso que a falseada historiografia institucional, a serviço do avesso da "mercadologização", não diz absolutamente nada sobre março de 1913: ele vive, é preciso liquidá-lo.
Quem fala é Seo Antônio de Almeida, escanteado pela instituição ao longo do tempo, mas alçado à eterna lembrança pelas mãos de Mestre Diaféria. A fonte de Seo Toninho é Antônio Pereira, o fundador e ideólogo, a quem também se busca escantear institucionalmente, embora se possa usar comercialmente sua figura...
Esta falseada historiográfica sequer pretende explicar a própria História da instituição; quando muito busca ajustá-la mediocremente aos conceitos de quem está no comando. E assim há um abismo entre essa historiografia falseada e a realidade concreta, e suas necessidades ideológicas.
Institucionalmente, há tempos, o impedimento destes fatos e exemplos concretos, que foram iluminados academicamente pelo Professor Labriola ainda em meados de 1990, só favorecem quem ainda quer ver a instituição arruinada, alienada, ausente de consciência.
Assim como se falseia uma suposta neutralidade quando se faz qualquer ciência humana, querem te fazer crer que exista alguma mistificação em vitórias e conquistas - e 1913 mostra qual é a conquista e qual é o caminho do processo histórico real desta instituição.
Essa mistificação de conquistas só ocorre para que não seja preciso escancarar a História e seus fatos, possibilitando assim condicionar essa historiografia falseada e a não-interpretação da História dentro do resgate popular que está na base da origem do Corinthians, o que leva a um estado de submissão que expressa a contradição com o Corinthianismo. Tudo isso levando em conta a ocultação de março de 1913 nessa suposta historiografia, que é falseada, portanto.
A instituição ainda não aprendeu a interpretar a sua História, e esse é um problema que abrange a humanidade como um todo. O falseamento e a ocultação é um fenômeno particular por aqui. Mas a História do Corinthians é algo de mais complexo do que qualquer propaganda pode querer comunicar. Tem profundas raízes e não acontece por acidente, e nem à toa. No Corinthians nada é por acaso.
A grande arma de qualquer ser humano é seu próprio cérebro, que encontra munições no arsenal da História.
Se só se encontra uma historiografia falseada, a pólvora desse pseudo arsenal vai ser apenas pó e o cérebro não vai servir pra nada. Março de 1913 está aí para ser encontrado no site, ou não. Está latente para que seja pensado, ao menos neste Bunker.
Não adianta modificar, negar, perfumar, reciclar ou mentir fatos históricos. Quem não vê Março de 1913 não está capacitado para enxergar nenhuma estréia do Corinthians em campeonato paulista - e o que dizer da primeira conquista, invicta, que estará propagandeada em 2014 por conta de seu Centenário...
Mas é cada vez mais comum dar um pedaço para tirar todo o resto. Igualdade, pluralidade, são palavras já sem qualquer força no mundo do interesse. É por isso que este microfone (e este blogue...) é chamado de Bunker; a História do Corinthians é uma guerrilha, que tem o mais completo Arsenal à sua disposição. Que São Jorge nos ilumine sempre.

sábado, 23 de março de 2013

Semana da Revolução Corinthiana


A data de 23 de março é especial para o Corinthians.
É evidente que ela não é demarcada em quase nenhum manual de História, e que é preciso uma atenção especial para que ela não passe batido, inclusive pela Nação Corinthiana.
O que veio a acontecer há 100 anos, nesta data que completa o centenário hoje, mudou o rumo do Futebol, arrebatou os paradigmas obsoletos da aristocracia e foi o primeiro passo para que o nosso Corinthians devolvesse o Futebol a quem de direito: o Povo. E Povo aqui é um termo entendido como sendo não a classe social E, D, C, B ou A, mas o conjunto irrestrito da população, sem quebras ou diferenciações, sem a mesquinharia de rico ou pobre. O Corinthians, ao devolver o Futebol ao Povo, libertou a Deusa Bola do jugo totalitário de quem, pela necessidade de afirmar sua condição rica, pretendeu ser o dono dela.

23 de março de 1913.
Naquela tarde, no campo engomadinho, pequeno e perfumado do Velódromo, entrou em campo, por ali pela primeira vez, aquela associação popular nascida em berço varzeano. Aquele acanhado estádio ficou superlotado. Foi a primeiríssima Invasão Corinthiana da História.

O Futebol, como bem explica em sua tese o professor Plínio Labriola, diz que:
"De início, a prática desse esporte era claramente elitista e, pouco a pouco, foi sendo questionada. Uma série de elementos contribuiu para o abrandamento do elitismo, dentre eles o surgimento do fenômeno da multiplicação das associações esportivas organizadas pelos setores socialmente excluídos de São Paulo.
Nesse contexto é que surge o SCCP, clube basicamente composto de pessoas vindas da classe popular e que muito contribuiu para o processo de deselitização do futebol oficial paulistano e posterior popularização do futebol em São Paulo."

Pois bem, foi no dia 23 de março que se pôde ver e ouvir em alto e bom som o estopim desse processo.
E naquela tarde o Povo Corinthiano marcou presença no campo elitista. Pela primeira vez se viu uma Invasão da Fiel Torcida, aquela que tem um time.

Foi uma tarde trabalhada e pensada com afinco durante quase três anos, se lembrarmos da Lenda do Cometa, em maio de 1910.
Maio de 1910, o Cometa, a prainha do rio Tietê, o Bom Retiro do começo do século vinte, aquele caldeirão de culturas se entrelaçando e se recriando.
O Corinthians é filho da miscigenação cultural. Não apenas racial, pois a raça humana é uma raça una e indivisível, como já nos prova a ciência neste século vinte e um.
O Corinthians é filho da mais velha luta humana: a luta por um lugar ao sol.
Concebido sob o céu aberto e estrelado numa prainha de rio, sob a luz do cometa e sob a lua, nascido sob a luz do Lampião, o Corinthians colocou o Povo e a Deusa Bola sob a luz do sol.
E a tarde de 23 de março de 1913 é um instante na História em que esse processo histórico, identificado pelo professor Labriola, recebe um estalo grandioso.
O processo convergiu para aquela tarde.

Nesse processo está em vigor um ideário libertário que precisa ser visto, e mais que isso, propagado, pela instituição. O Corinthians é algo sério demais pra achar que basta lucro e título. Nesse ideário está em curso o conceito do protagonismo, e ele é mais que importante para entender o porque de existir o Corinthians.
O Corinthians é a manifestação palpável do anseio popular por emancipação. O Corinthians deve fazer uma escola. Pensada para fazer com que seu cidadão se coloque em condição de protagonismos, voltada a todo ser humano infante, na melhor hora da vida para cair no caldeirão dessa poção mágica que é o Corinthians.

E o Corinthians era ainda um pequeno infante naquela tarde de 23 de março de 1913.
O processo histórico convergiu para aquela tarde, e naquela tarde o Corinthians caiu no caldeirão de poção mágica, igual o Obelix.

Em sua tese, o professor Plínio dirá assim (é o item 4.1, referente ao ingresso do Corinthians na Liga Paulista de Futebol):

"O São Paulo Athletic Club, famoso clube da época enfocada neste trabalho, formado apenas por ingleses, desistiu de disputar o campeonato da LPF em 1913. Em virtude do fato assinalado, surgiu uma vaga na LPF. Esta, como já fizera antes, abriu inscrições para os clubes de São Paulo que quisessem participar de um torneio eliminatório, no qual seria escolhido o novo ocupante da vaga. Segundo o jornal O Comércio de São Paulo:
-Com a saída do S. Paulo Athletic Club, verificou-se uma vaga na Liga. Não haverá em São Paulo um clube que se apresente? Entre nós não são poucas as associações que se dedicam exclusivamente ao esporte do futebol: há milhares de clubes regularmente organizados e que têm elementos capazes de uma bela figura no campeonato paulista. Mas, estes não se apresentam: sempre lhes falta alguma coisa que a Liga exige [...].

Essas poucas linhas são reveladoras quando informam que não eram poucos os clubes de futebol em São Paulo, mas que a LPF não tinha interesse em que eles participassem. Enfim, criavam-se tantos empecilhos, que os clubes até desejavam ingressar na LPF, mas esta se fechava. Porém, poucos dias depois, o mesmo periódico volta a tratar do assunto, dizendo que

-A Diretoria da Liga nomeou uma comissão especial encarregada de dar parecer sobre o valor dos times concorrentes. O ato da Liga cuidando com interesse da substituição que quer dar ao time inglês, só nos merece elogios. Parecia a nós, e assim o entendeu a Liga, que a simples prova eliminatória não será suficiente para assegurar a entrada de qualquer clube no seu seio uma vez que o métier, a sua prática, embora perfeita, não é completa recomendação para um sportman: é preciso que a par da educação esportiva esteja a educação social: aquela sem esta, mata o esporte e desorganiza as agremiações.

Como se pode perceber, a posição do jornal era clara: ele desejava que a vaga fosse preenchida pois existiam inúmeros clubes com competência esportiva para assumi-la. Por outro lado, o periódico entendia que a direção da LPF tinha regras muito severas, que impediam, na prática, que uma equipe ingressasse naquela entidade esportiva. Por fim, ficou satisfeito o jornal ao tomar ciência de que a LPF iria abrir um processo com o intuito de preencher a vaga existente. 
Porém, o cronista esportivo não deixou de dar importante conselho: que o futuro ingressante fosse educado nos âmbitos esportivo e social. E foi além quando recomendou “que a comissão de sindicância pese bem a sua responsabilidade e não leve para o seio da Liga um elemento de perturbação da ordem; desigual que ele seja é dito, para, senão desorganizar a agremiação, ao menos torná-la desprezada pelo público paulistano”. 
(Nota rápida deste Mosqueteiro: antes mesmo da tarde em questão, a abutraiada já arrumava um jeito pra fazer o que sempre fez, e cá está a prova material)

Ou seja, o que preocupou uma parcela da imprensa paulistana e dos meios esportivos foi a possibilidade de uma equipe chegar à vitória nos jogos eliminatórios e ser uma “perturbadora da ordem”, caracterização essa muito ampla, mas que atingiu certeiramente os setores populares da sociedade paulistana. Deve-se estar pensando nas pessoas que, de um modo ou de outro, contestam a organização econômica, cultural, política e social, que lhes foi imposta.

Quatro foram os clubes que se inscreveram para participar das eliminatórias: São Paulo Football Club (sem relação com o atual São Paulo F. C.), da Bela Vista; São Paulo Railway Football Club, da Luz; Minas Gerais Football Club, do Brás e Sport Club Corinthians Paulista, do Bom Retiro. Feito o sorteio, os jogos que inicialmente se realizariam seriam: São Paulo F. C. contra São Paulo Railway, e SCCP contra Minas Gerais F. C. Os vencedores jogariam a partida decisiva e o vencedor ficaria com a vaga. Aliás, isso é o que a comissão de sindicância da LPF iria decidir. Portanto, o clube vencedor não estaria automaticamente dentro da LPF. Tal comissão detinha a prerrogativa de aconselhar a não entrada de um clube, alegando alguma incompatibilidade com os estatutos da entidade. Nos estatutos da Liga havia, por exemplo, a condenação dos atletas profissionais. Não há dúvidas de que tais julgamentos tinham um caráter subjetivo."

Essas linhas da tese do professor Labriola nos mostra  a importância que tinha aquela tarde do dia 23 de março para a gente Corinthiana dos primórdios.

O Mestre Diaféria à sua maneira nos coloca o seguinte, à página 74 de sua Obra:

"Foi no sufoco do Paulistano (que estava com o quadro associativo reduzido a nada e uma reserva de caixa que mal passava dos 927 mil réis) que surgiu o Corinthians Paulista, e esse Corinthians de operários — que não tinham bicicleta e viajavam de “caradura” para economizar uns vinténs e oferecer ao clube — se preparava agora para enfrentar uma cilada que a Liga Paulista de Futebol lhe tinha armado à sorrelfa, para
tentar impedi-lo de se ombrear com os “grandes do futebol”.
Para disputar o campeonato da Liga Paulista de Futebol o Sport Club Corinthians Paulista teria, antes, de passar pelo cadáver do Minas Gerais e do São Paulo. Era agora — ou nunca mais! Os corinthianos se prepararam para dizer adeus à várzea."

Esses quatro times que disputaram o torneio eliminatório valendo uma vaga na Liga Paulista eram times estruturados, mas só um deles não tinha um patrão, um manda-chuva que bancava e fazia acontecer. Só um desses quatro times que lutavam pela vaga na Liga era feito com as mãos, a cabeça e o suor de muita gente em um protagonismo que mereceu uma tarde como aquela do dia 23 de março de 1913.

Segue mais adiante o Mestre, na página 75:

"Quando o time do Corinthians Paulista pisou o campo “pequeno e duro” da rua da Consolação, quando os onze rapazes com camisas novas apareceram sob o céu do Velódromo, onde estreavam e inauguravam um sonho que os adversários torciam para que fosse um pesadelo, as arquibancadas do estádio, construídas para acolher 5 mil pessoas, balançavam de emoção.

A torcida dividia-se em dois grupos: os corinthianos — e os “anticorinthianos”. Os “anticorinthianos” não torciam tanto pelo Minas Gerais Football Club. Torciam, sim, pela derrota do Corinthians, aquele atrevido, aquele ousado, aquele “bicão” com cheiro de povo, jeito de povo, coração de povo. Os primeiros carrapatos do “anticorinthianismo” estavam ali agarrados nas vigas das arquibancadas, aves pardas piando maus agouros para aquela “gentinha” alvinegra."

Essa tarde de 23 de março de 1913, portanto, não foi especial apenas porque o Corinthians começava a subir um importante degrau em sua vida desportiva.
O fato de começar a ingressar na Liga Paulista foi apenas uma prova de carinho, como a corda mi do cavaquinho do Adoniran. Aquele um a zero em cima do Minas Gerais Futebol Clube, cujo nome fazia menção a um navio de guerra e que não foi páreo para o ainda pequeno Gigante Corinthians foi uma vitória conquistada desde o começo do processo histórico, consequência frutífera do protagonismo.

O caldeirão da poção mágica a que nos referíamos anteriormente foi o fato da Fiel Torcida marcar sua posição. O cheiro de povo marcou pra sempre o olfato da elite em seu pleno campinho.
O Corinthians mostrava a que veio. Estampava o caráter desse mesmo processo histórico que brada o protagonismo.

A anticorintianada, expressão da reatividade dessas pessoas naquele momento em que o Padroeiro enfiava a lança na goela do dragão, podemos dizer que surgiu nessa mesma tarde de 23 de março de 1913, portanto a anticorintiania doentia também faz aniversário hoje. Meus pêsames, anticorintianada infeliz.

E seguimos o Mestre, à página 77:

"Soou o apito do árbitro. Quando o primeiro chute — que o povo chamava de kick — foi desferido na dama redonda e morena vestida com o manto do capotão, o alarido da galera subiu aos ares nas asas do vento. Tudo podia acontecer naqueles noventa minutos em chamas e carne viva. Eram vinte e dois “leões” em campo, se medindo e se respeitando, sabendo que um descuido, um escorregão, um tropeço, uma bobeada, um fraquejo equivalia à degola de anos de anseios e aspirações.
Para complicar as coisas, o zagueiro Chaves, que tinha ido do Club Athletico Pary para o Minas Gerais — do qual fora um dos fundadores — e que costumava dar suas boas “furadas” quando ficava nervoso e tenso, no jogo com o Corinthians Paulista não errava uma. Estava firme como uma rocha e exibia toda a potência de seus shoots. O Minas Gerais não era nenhuma “galinha morta”, tinha seus grandes craques, Bruno Poltronieri no gol, Alexi Neuyens, o próprio Fonseca, em cuja residência o clube nascera.
Mas o Corinthians Paulista era o guerreiro montado no cavalo branco da raça e estava preparado para fazer estrebuchar o dragão adversário a qualquer momento. Um gol, um único e portentoso gol — rezam as crônicas —, fulminou e pôs a pique o Minas Gerais com seus onze tripulantes uniformizados de listas vermelhas e brancas. Inexpugnável pela presença magnífica do Casimiro do Amaral, que o pintor de paredes Antônio Pereira conquistara para o time ensinando-lhe o ofício das tintas e pincéis, o gol corinthiano terminava a partida virgem. 1 a 0 dava o caso com o Minas Gerais encerrado.
Os corinthianos saíram de campo cobertos de pó e suor. E o Velódromo, pela vez primeira, que abria o caminho para todas as outras vezes, cobriu de aplausos e vivas e doce ternura aqueles meninos que no dia seguinte iam pegar no batente duro na ferrovia."

Assim abrimos caminho para as comemorações da próxima semana, afinal dia 30 de março de 1913 foi o dia em que o Corinthians devolveu, de fato e de direito, o Futebol ao Povo.
É a Semana da Revolução Corinthiana que começou seu Centenário!
VIVA O CORINTHIANS
NOSSO DE CADA DIA!!!

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

O que se esconde em Oruro


Poucos assuntos parecem atingir um consenso tão grande como as torcidas organizadas. Hoje é fato público e notório que se trata de gente desqualificada, criminosos travestidos de torcedores, marginais. Os predicados variam ao gosto de quem escreve e quem lê. É fato, também, que elas contribuem bastante para que esse preconceito se dissemine, assim como a atuação medíocre do mainstream do jornalismo brasileiro que já não se dá o trabalho de apurar os fatos, e condena por antecipação. A morte do garoto Kevin, descortinou esse quadro como nunca antes, além de evidenciar uma série de incongruências no futebol latino-americano, em todas as suas instâncias.

As torcidas compõem um ambiente mais heterogêneo e complexo do que possa parecer. Seus associados mais ativos, contudo, são em grande parte jovens entre 17 e 25 anos, cheios de energia e disposição, a procura de um sentido para a vida. E encontram nas torcidas um ambiente propício para manifestar seu amor latente, sua vontade de ser alguém, e também sua violência. A pesquisadora Heloísa Reis, da Unicamp, talvez a única estudiosa sistemática da violência e das torcidas organizadas no Brasil, porém, ensina: “As raízes da violência (ou violências, grifo meu) relacionada ao futebol estão na sociedade brasileira. A formação de indivíduos apáticos ou agressivos e violentos ocorre a partir de sua sociabilidade primária, quando já podem ser percebidas manifestações agressivas ou apáticas: que será mais explicitada na juventude, podendo permanecer na fase adulta.” No caso do futebol, seria ingênuo dissociar a violência do torcedor da violência do policial, da violência do organizador, da violência do poder público, e da impunidade. Mas por que eu estou falando de violência? Estou falando de violência porque o episódio em Oruro foi protagonizado por torcedores organizados. E para todos, isso basta. É simples assim?

Então vejamos. Há imagens (aqui e aqui) e testemunhas (aqui e aqui), entre elas algumas que afirmam que o sinalizador quase atingiu aos próprios brasileiros (aqui), sem se esquecer do réu confesso (aqui). Além disso, o sinalizador foi disparado logo após um gol (aqui). Geralmente, nas arquibancadas, quando acontece um gol do seu time, sua torcida comemora. Não há muito tempo para pensar em atirar sinalizadores dentro do crânio de adolescentes.

Então por que continuar a falar sobre violência? Só porque o torcedor pertencia a uma torcida organizada? Sim, a lógica parece ser exatamente essa.

Um dos pontos que mais chama a atenção é a relação ambígua que a imprensa alimenta com as torcidas organizadas. Ainda que já tenham recebido todas as adjetivações possíveis e imagináveis, são essas mesmas torcidas que são utilizadas para promover o espetáculo. Grande parte dos jornalistas e cronistas esportivos, ou não (o tema é tão consensual que até intelectuais de áreas diversas se arriscam), destilam seu preconceito e ignorância temática durante os programas de televisão. Contudo, nos intervalos, o que não faltam são imagens de torcedores uniformizados fazendo festa nos estádios. Bandeiras, cantos, papéis picados e, pasmem, muitas vezes são sinalizadores que vemos nessas imagens. O jornalista Juca Kfouri, por exemplo, ainda que acredite ser uma infâmia alguém se arriscar a “defender” (seja lá o que queira dizer isso) torcidas organizadas, recheou o seu livro Corinthians, paixão e glória de foto dessas mesmas torcidas.
Resumidamente, o lado belo das torcidas serve apenas para promover o evento e render uns trocados, sem dar a elas qualquer direito à voz, qualquer direito à defesa.

Mas, partindo do pressuposto de um ato não-intencional, na hora do gol, acendendo um sinalizador que é utilizado em estádios para justamente promover o evento e fazer a festa, por que não um pouco mais de complacência e coerência num momento triste e delicado como esse? Descarregar toda a responsabilidade do episódio em cima de um garoto de 17 anos que teve a infeliz ideia de acender um sinalizador para comemorar um gol irá prevenir outras mortes? Manter 12 torcedores presos, sem que tivessem tido qualquer participação no episódio, apenas porque pertencem a torcidas organizadas, para saciar a sede de justiça da opinião publicada e daqueles que a reverberam, irá fazer com que os sinalizadores, ou parte deles, sejam proibidos? Ah, mas dois deles tinham sinalizadores do mesmo lote. Sim, mas nesse estádio pirotécnico, os sinalizadores foram proibidos? Então por que as imagens mostram um faixa de torcida boliviana incandescente somada a dezenas de sinalizadores queimando sem qualquer tipo de incômodo (aqui)? Por que a polícia, segundo relatos, não teria feito revista (aqui)? Será que foi porque o clima entre os torcedores era amistoso (aqui)? Caso não fosse amistoso, será que os próprios torcedores do San José teriam ido até a prisão prestar solidariedade aos torcedores presos (aqui)? Torcedores organizados não são animais que sabem apenas se matar? Confuso isso, não? Afinal, esse material era ou não proibido? Caso não fosse, quem libera a entrada? Só Corinthians e corinthianos merecem ser punidos, ainda que, o embaixador brasileiro e o advogado da embaixada do Brasil apontem diversas incoerências no inquérito (aqui e aqui)?  Ainda que o histórico de punições no futebol sul-americano pareça ser de escassa jurisprudência (aqui)?

Por que não uma visão um pouco mais equilibrada e imparcial, de modo a evitar que eventos como esse voltem a se repetir. Que as punições sejam justas e responsabilizem a todos, além de torcedor e Corinthians – Conmebol, San José, quem comprou, quem distribuiu, quem vendeu. Não apenas a parte mais fraca da estória, e da história. Assim, talvez pudéssemos acreditar que esse fato não servirá apenas para saciar sentimentos mesquinhos travestidos de luta por justiça.
Afinal, a Conmebol vai continuar a permitir jogos em pequenas cidades a quase 4.000m de altitude sem que o clube local garanta a segurança do evento? Será capaz de tomar medidas outras que não escolher bodes expiatórios para maquiar sua própria incompetência e emitir notas de lamento (aqui)? Continuará tendo suas decisões sendo tomadas por uma única pessoa, sem que sejam pelo menos apurados os fatos (aqui)? Continuaremos presenciando jogadores sendo protegidos por escudos em cobranças de escanteio, sem que os mandantes sejam responsabilizados? Quem vende sinalizadores de navio no centro da cidade? Eles são vendidos legalmente? Estavam vencidos? E os responsáveis pelo policiamento, alguém recebeu, ao menos, uma advertência? A família de Kevin será indenizada pela Conmebol, terá seus direitos de consumidor respeitado, já que a perda de uma vida não pode ser reparada? A hegemonia das emissoras de TV na condução do futebol será incomodada, ou apenas terão sua audiência ampliada com essa punição?

Tudo isso faz do episódio emblemático. Em Oruro, se escondem as responsabilidades da própria Conmebol. Em Oruro, se esconde uma imprensa tacanha, incapaz de interpretar com imparcialidade os poucos fatos que apura. Em Oruro, se esconde uma sociedade hipócrita, que com nobreza ímpar se solidariza com a morte do garoto boliviano, mas que com uma conivência vergonhosa fecha os olhos para a execução de dezenas de jovens da periferia – em sua maioria negros – pelos grupos de extermínio que proliferam na PM paulistana, e finge não ver a dizimação de seus índios por pistoleiros pagos por latifundiários. Em Oruro, esconde-se a mentira chamada Libertadores da América. No Brasil, se manifesta e grandeza do Sport Club Corinthians Paulista, nas atitudes pequeninas, incapazes de manter paixão clubística e preconceitos toscos afastados de assuntos sérios.

Mas e a violência? É mesmo, as torcidas. Segundo a pesquisadora Heloísa Reis, “os fatores geradores da violência são vários e complexos, mas pode-se afirmar que a disseminação de uma cultura em que violência e futebol sempre caminharam juntos contribuiu para a disseminação da violência nos estádios e dificulta a sua minimização. A ‘reação simbiótica’ entre esporte e violência não é exclusividade do futebol. Dunning afirma que todos os esportes competitivos conduzem ao aparecimento de agressão e violência (Elias e Dunning, 1992). Mas, por sua popularidade e seus valores masculinos, é no futebol que ela encontra um terreno fértil. É nesse conteúdo cultural que a expressão da violência física socialmente aceita e ritualizada aparece”.

Mas isso, isso é uma outra estória. O garoto Kevin não morreu devido à violência. Espero que não tenha morrido em vão. Justiça gera paz.

* Texto de Thomas Castilho, publicado aqui com autorização expressa, nessa hora em que a hipocrisia domina a mente de desavisados.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

O náufrago


Kevin Douglas Beltrán Espada foi atingido por um disparo de sinalizador náutico na Arquibancada e faleceu. O dispositivo foi aceso e detonado por um Corinthiano na Arquibancada, e passou zunindo pelas cabeças à frente, enquanto um bandeirão era levantado - movimento interrompido pela pirotecnia.

Na chegada ao estádio, o clima amistoso da paz entre irmãos que travavam o primeiro contato na História entre ambos.
Sabe-se lá como, sinalizadore náuticos foram parar em posse de torcedores. A revista deixou passar, passou, e foi detonado em plena Arquibancada, atingindo Kevin Douglas Beltrán Espada.

O clima amistoso foi interrompido pela reação à tragédia. A resposta teve de ser imediata, para que as autoridades do evento e da segurança pública mantivessem o controle da situação. Corinthianos foram presos, e quem não teve um A pra falar do Corinthians durante tanto tempo, agora cospe veneno doentio.

Um sinalizador náutico e seu manuseio fatal, um menino de Arquibancada morto. Fato inédito para muita gente. Família destroçada. O detonador da tragédia foi parar na mão do torcedor como? O que pensava este sujeito quando acendia o pavio?
Enquanto ninguém provar que este sujeito tinha a intenção de atingir Kevin Douglas Beltrán Espada ou qualquer pessoa ali presente - e poderia ter sido um Corinthiano, um policial, um jogador em campo, mas foi exata e cruelmente, dentro de um encadeamento de fatos tenebroso, Kevin Douglas Beltrán Espada - não haverá como imputar o adjetivo "violência" no caso.
Houve a morte de Kevin Douglas Beltrán Espada, houve alguém detonando um sinalizador náutico.
Há uma sede imbecil de criminalizar o Corinthians e a Nação Corinthiana - o que é, ou deveria ser, a mesma coisa.
Isso tudo ainda vai desenrolar, de diversas maneiras. Que se tenha a serenidade necessária para o andor da situação.
Descanse em paz, Kevin Douglas Beltrán Espada. São Jorge olha pela dor de sua Família.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

A Charada de Jorge


"O Corinthians é o Brasil visto por dentro", diria um grande Professor.
A elitização da nossa sociedade e da nossa torcida não é fenômeno que passa batido por ninguém, e não tem a ver com "melhoria econômica", pois pela "melhora" da economia pagaremos mais adiante. Quanto à torcida, a única "melhoria" é dos preços arrecadados que tem a ver com uma engabelação, e é nesse movimento que a coisa toda se "funde".
Essa elitização não implica uma aceitação dessa elitização, mas essa aceitação passa a ser um fenômeno mais pernicioso que todo o movimento de elitização, que é exterior. A aceitação tem a ver com a mentalidade, está portanto no interior. É pior do que dizer simplesmente que o Clube tem que cobrar caro mesmo para arrecadar mais, pois essa assertiva não tem pé nem cabeça, é ignorante - e é de quem aceita a elitização quase inconscientemente, e totalmente passivamente, sem medir consequência e nem examinar os fundamentos. E sem pensar na própria razão de ser do Corinthians Paulista.
Como exemplo, muito bem notado pelo Samurai, o fato do ex-presidente do Clube dizer que quer transformar o Monumental da Fazendinha para uma "arena de shows". Se quiser um espaço pra show, pega uma parte da renda dos jogos e compra um galpão, perto do Clube tem vários. Pois enviesar o sentido da existência do Monumenal dedicado ao Anjo da Guarda Alfredo Schürig é apenas uma pontinha desse iceberg; o cara dizer uma asneira dessas e não vermos sequer um buchicho entre sócios e torcedores é exatamente o que está sendo dito no segundo parágrafo desse post.
E teve gente que veio falar que vejo pelo em ovo. Essas pessoas com certeza não vêem que o ovo é branco ou caipira, mas vão querer pintá-lo.

Ah, Corinthia... São Jorge vai mostrar um "quer ser Corinthia, então sofre", nesses tempos que se aproximam, como já mostrou inúmeras vezes ao longo da Epopéia que é a História Gloriosa do Corinthians.
Ah, esse ano vai ser aquilo.
Estamos vendo gente falando muita bobagem, e a partir do quinto andar o discurso geral tá de ponta cabeça e do avesso.

Dá saudade de um tempo que eu não vivi, até de um tempo em que eu vivi dá saudade. Daí quando releio a obra do Mestre Lourenço Diaféria choro, não apenas pela beleza, mas principalmente pela retidão incompreendida de tudo o que deveria se apresentar e que é atravessado, descuidado, se manifesta pelo ardiloso contrário. Isso dá tristeza.
Mas São Jorge escreve certo por linhas tortas, e ele deve guinar essa barca e nessa hora nós vamos ter que ajudar e muito.
Mas hora virá também que não vai mais dar pra segurar o Povo (assim espero) porque se tá ruim pra nóis, imagina a classe média... Imagina a classe alta tendo que pagar escorchantes preços no Itaquerão, se locomovendo pra "área pobre da cidade", pois pagar é fácil, mas querer pagar são outros quinhentos: vão de pajero pra Itaquera (ah, diz que vai ter estacionamento. Mais caro que o do shopping no Itaim, que os da Paulista, evidentemente. Cem conto do estacionamento, mais trezentos da cadeira. Quem vai?)? Vão deixar a tucson onde? Essa maquininha de fazer dinheiro só tem sentido com a população do Lado Leste. Sem ela, aquilo míngua. Aí quero ver; vai ter trouxa aceitando, mas até quando? Isso tem um limite, que o discurso do avesso de ponta cabeça não consegue enxergar.

Esse tal de Futebol não é produto que se possa dar garantia... Todos queremos a vitória, mas a que preço?... A maioria agora não pensa mais em nada que não seja a vitória, efêmera, que é uma partícula do que o Corinthians, Congregação de São Jorge, tem como missão.
Às vezes, como a história recente prova, precisa cair pra levantar, precisa dar merda pra mudar. Pois é, Camaradas, e a tal da Libertadores vai começar a perder o "afã" que teve... Vai acabar o tesão porque a mentalidade está de ponta cabeça e do avesso.

Essa é a grande Charada de Jorge.
O preço não é mentiroso em si, mas através de quem comanda, os corruptores dos corações. A forma como propagandeiam uma estendida de mão ao torcedor é cruel, fria e venenosa, como a cobra de Adão e Eva. Esses golpes contra o torcedor é apenas desejo de lucro - para quem?
Mas a questão é com aqueles que se renderam ao discurso do avesso de ponta cabeça, isso é que é angustiante. Ter que bater de frente com boa parte da Corinthianada que ficou molóide. A Corinthianada, a paulistada e a brasileirada...

VIVA O CORINTHIANS
NOSSO DE CADA DIA!!!