quinta-feira, 24 de outubro de 2013

A ponta do iceberg

Todo aquele que é paciente e/ou corajoso o suficiente para ter lido alguma coisa deste blogue já sabe o que diremos aqui. Por isso mesmo, como já dizíamos aqui e nos microfones do Bunker, vive-se uma crise de natureza distinta da natureza de quaisquer das outras tantas crises que a História do Corinthians já apresentou, e o que se observou ontem foi apenas e tão somente um dos lados da ponta aparente de um iceberg num mar de lama.
A manifestação do descompromisso com o Manto Sagrado, com a História, com a Fiel, não é de ontem e nem de anteontem, e é a manifestação concreta da alienação dos que se julgam "modernetes", ou tem rabo preso e têm que lamber bolas. No pacote disso está a burrice que nos assola, a ignorância que nos divide, e o avesso de cabeça para baixo. Sinal dos tempos: apenas este Mosqueteiro, no vagão lotado e no corredor do metrô ostentava o Manto, e nenhuma outra camiseta estava presente. Só o Manto madrugador, sozinho.
"Ser Corinthiano é mergulhar no Oceano da Paixão que afoga", dizia o verso do poeta. Esse Oceano de Paixão nunca foi uma mera imagem; foi sempre realidade. Ao passo que o "afogar", esse sim, era imagem, pois Corinthiano nunca coube em si, de forma que "afogar" é de fato dar mais vida à própria vida: Sofredores, Graças ao Padroeiro!
Eis portanto um dos lados desta ponta do iceberg: a inversão desses valores. O Oceano de Paixão passou a ser miragem para essa burrice "modernete" - o que leva o "afogar" ao status de realidade.
Coroando o iceberg está a esfinge da Charada de Jorge, que não foi desvendada, e parece que terá de durar mais tempo que o previsto.
O Corinthians é coisa simples, mas nessa inversão promovida pelos incautos dinheiristas "modernetes" tornou-se monstruosamente complexo, tanto que está adoecido. E agora ninguém pode mais julgar este "dinossauro" simplesmente um "intolerante", "radical": a coisa toda se apresenta na fuça de quem for. E este "dinossauro" já criou asas, para sobrevoar a cabeça de quem gritou "vivas" à essa inversão "modernete", e devidamente presentear com rajadas de excremento essas cabeças sem alma.
Pois o dinheirismo sempre inoculará a Alma; e esses aí preferem ficar sem a Alma, pois de fato são incapazes de conviver com ela e consigo mesmos, e fornecem seus corpos para o abate neste grande açougue do dinheiro que se transformou o mundo desta raça humana; tendem a ver nós, radicais, intolerantes e dinossauros como "antigos" (e lucenil do valle, o ideólogo do "conselheiro" zé ferreira dizia ontem, ao ver o estádio "confortavelmente" vazio perto da importância do jogo, que não "quer" a volta do antigo, como se ele tivesse "acabado"), conformadinhos que estão, propagandeando o conformismo alienado.
Um outro lado desta ponta de iceberg é o fato desse atual (ainda?) camisa 7 desrespeitar não apenas a FIEL TORCIDA no tempo presente, fazendo o que fez. Mas desrespeitar a HISTÓRIA DO CORINTHIANS ao não observar que ali na meta adversária estava o maior defensor de penalidades da História do Futebol, não um narigudinho baitola que ajoelha e caça borboleta. Isso porque esse atual 7 não é um jogador de Futebol, mas um jogador de video-game - e foi assim que tratou o Manto que lhe paga indevidos salários milionários. Assustador é ver que esses alienados "modernetes" querem a permanência do jogador de video-game: afinal, são todos estes, também, jogadores de video-game. São consumidores, e não Torcedores.
Dentro dessa perspectiva é natural observar como e porquê está em curso o revisionismo historiográfico: a identidade desidentificada é a própria virtualidade do video-game. Sem identidade, é possível uma esculhambação como aquela de ontem. E, veja: esta esculhambação não começou e não terminou nas mãos de Dida (ah, Charada de Jorge...).
No mais, fiquem à vontade para identificar os outros lados dessa ponta do iceberg. No momento oportuno enveredaremos por aqui na parte submersa na lama deste iceberg, enquanto a Charada de Jorge é esfregada na cara dos incautos alienados (que hoje deixaram o Manto no armário, afinal não houve "vitória"...). E quem não for Corinthians sabe que rumo tomar.

SÃO JORGE PADROEIRO
nos guarnece hoje e sempre

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

O golem sem virtude

Pode soar estranho, sendo este blogue "monotemático", mas estarei falando de Corinthians sem fazê-lo, nas próximas linhas.
Necessário e salutar se faz, de antemão, relembrar e conceituar uma diferença. Pois o Torcedor de qualquer clube compreende e aceita as coisas como são, diferente do consumidor de Futebol, essa figura que demoraram tanto tempo para produzir, mas que agora é quem se espera que conduza o Futebol e, por analogia, a noça çoçiedade.
Tal diferença é muito simples; existe a rivalidade e existe o revanchismo.
Por rivalidade compreendemos a relação mais virtuosa existente entre dois antagonistas. Caiu no uso popular, incentivado por abutres da pior espécie como os que se encontram por este nosso cenário, a forma decadente do emprego de tal conceito; por estes tempos dizem por aí que a sardinha é nossa rival, coisa tão absurda quanto chamar a madame de nossa rival. A relação que travam conosco (muito mais que nós com elas, diga-se, e para o Gigante são só adversários como tantos outros) é simples revanchismo, a forma menos virtuosa de lidar consigo mesmo e com o resto do mundo. Talvez seja por isso mesmo que tendam a querer que esta relação cresça em grau e se torne rivalidade - mas isso é antinatural e não acontece sem muita lavagem cerebral.
O caso da madame é o mais emblemático: a velha aristocracia perdeu o pedestal no Futebol em 1913 (uma História que a nova historiografia interna do próprio Clube tende a omitir), e no momento em que perde o pedestal na política e na economia definitivamente (1929), é também expulsa do próprio salão de chá-das-cinco. Tiveram que "se virar" com diversas falências, apoios escusos de figuras duvidosas, aportes públicos de dinheiro e de terrenos, além de uma idiotização massificadora da mídia que, durante décadas tentando, conseguiu fazer crer que o frankestein remendado da velha aristocracia maquiada é alguma coisa. Pousando helicópteros, encheram de penduricalhos e enfeites adornados esta monstruosa criatura para que parecesse menos horrorosa (vai ver que é por isso que os seus consumidores não ligam tanto pro monstro, para a feiúra embotada dele e para a antinatureza que ele porta, mas ligam mais para o revanchismo dele).
Um frankestein e um golem possuem uma mesma origem, então tanto faz o emprego de um ou de outro para essa exposição: ambos são objetos fabricados ao qual se pretendeu atribuir vida (eis a antinatureza da coisa). O golem-madame é, portanto, o que de mais abjeto já se pretendeu "criar". A atual gestão do Corinthians tem verdadeiro apreço a essa coisa produzida de vida duvidosa, e dentro de seu "projeto" administrativo estão colocando o Gigante em coma para transubstanciar sua Alma a um golem, ao estilo de madame. E isto vai surtindo efeito, uma vez que quem dá vida ao golem somos nós, e nós já adotamos a postura de consumidor necessária para manter o Gigante em coma.
Assim sendo, observemos o que anda acontecendo atualmente na tabela do modorrento campeonato de pontos perdidos e roubados. Na quarta que antecedeu este domingo passado, em que madame amargou mais uma vez a - natural - freguesia, ela foi ajudadíssima pela maria que lidera com folga esse curso de campeonato. Mas ninguém falou isso, porque ninguém viu: se aproveitaram que o joguinho foi des-televisionado, afinal quem dá ibope nessa mixórdia é o Corinthians, para operar mais um campeonato (como fizeram quando "venceram" há algum tempo atrás, mas isso também ninguém fala) já no apagar das luzes, exatamente como o penaltizinho maroto que roubaram no último minuto ontem.
O esforço para não deixar a madame-golem cair é hercúleo.
Salvar o golem-frankestein-madame é a missão "maior" neste ano da cúpula da confederação, da mídia abutre e do conjunto de canalhas do apito, afinal se madame cair seria o mesmo que degolar a arrogância desses sem-número de golemzinhos sem alma que ela criou com o tempo. E, mais importante, seria o fim de um "projeto" gestado desde 29, que não é nada mais que o próprio revanchismo contra o Time do Povo. Esse mesmo revanchismo é o motor e a razão pela qual fizeram esses alienados esquecerem a queda para a segunda divisão do 'paulistinha' que o ex-técnico-ídalo-delas relembrou em um Roda-Viva da TV Cultura (R.I.P.). Ontem, a claque de imbecis que não será punida (nas artimanhas "jornalísticas" de abutres, estão querendo é que o Corinthians seja punido) ostentava uma faixa malograda, já de antemão. Pois madame-golem já caiu, e a faixa desdiz de si o que pretendia dizer dos outros - é o que acontece quando imbecis decidem fazer graça.
A madame-golem-frankestéia pode até não cair, a operação-salvamente pode até surtir efeito, mas uma coisa é certa: o revanchismo sempre será revanchismo, e a rivalidade será sempre rivalidade.

SÃO JORGE PADROEIRO
Nos guarnece hoje e sempre

Post-Scriptum: não é à toa que o pentagrama disforme de cabeça pra baixo está na região intestinal do golem-madame-frankestéia. Não há virtude em coisas artificiais. Mas noça çoçiedade adora essas coisas sem alma, por puro revanchismo de quem já perdeu a própria alma.