sábado, 23 de março de 2013
Semana da Revolução Corinthiana
A data de 23 de março é especial para o Corinthians.
É evidente que ela não é demarcada em quase nenhum manual de História, e que é preciso uma atenção especial para que ela não passe batido, inclusive pela Nação Corinthiana.
O que veio a acontecer há 100 anos, nesta data que completa o centenário hoje, mudou o rumo do Futebol, arrebatou os paradigmas obsoletos da aristocracia e foi o primeiro passo para que o nosso Corinthians devolvesse o Futebol a quem de direito: o Povo. E Povo aqui é um termo entendido como sendo não a classe social E, D, C, B ou A, mas o conjunto irrestrito da população, sem quebras ou diferenciações, sem a mesquinharia de rico ou pobre. O Corinthians, ao devolver o Futebol ao Povo, libertou a Deusa Bola do jugo totalitário de quem, pela necessidade de afirmar sua condição rica, pretendeu ser o dono dela.
23 de março de 1913.
Naquela tarde, no campo engomadinho, pequeno e perfumado do Velódromo, entrou em campo, por ali pela primeira vez, aquela associação popular nascida em berço varzeano. Aquele acanhado estádio ficou superlotado. Foi a primeiríssima Invasão Corinthiana da História.
O Futebol, como bem explica em sua tese o professor Plínio Labriola, diz que:
"De início, a prática desse esporte era claramente elitista e, pouco a pouco, foi sendo questionada. Uma série de elementos contribuiu para o abrandamento do elitismo, dentre eles o surgimento do fenômeno da multiplicação das associações esportivas organizadas pelos setores socialmente excluídos de São Paulo.
Nesse contexto é que surge o SCCP, clube basicamente composto de pessoas vindas da classe popular e que muito contribuiu para o processo de deselitização do futebol oficial paulistano e posterior popularização do futebol em São Paulo."
Pois bem, foi no dia 23 de março que se pôde ver e ouvir em alto e bom som o estopim desse processo.
E naquela tarde o Povo Corinthiano marcou presença no campo elitista. Pela primeira vez se viu uma Invasão da Fiel Torcida, aquela que tem um time.
Foi uma tarde trabalhada e pensada com afinco durante quase três anos, se lembrarmos da Lenda do Cometa, em maio de 1910.
Maio de 1910, o Cometa, a prainha do rio Tietê, o Bom Retiro do começo do século vinte, aquele caldeirão de culturas se entrelaçando e se recriando.
O Corinthians é filho da miscigenação cultural. Não apenas racial, pois a raça humana é uma raça una e indivisível, como já nos prova a ciência neste século vinte e um.
O Corinthians é filho da mais velha luta humana: a luta por um lugar ao sol.
Concebido sob o céu aberto e estrelado numa prainha de rio, sob a luz do cometa e sob a lua, nascido sob a luz do Lampião, o Corinthians colocou o Povo e a Deusa Bola sob a luz do sol.
E a tarde de 23 de março de 1913 é um instante na História em que esse processo histórico, identificado pelo professor Labriola, recebe um estalo grandioso.
O processo convergiu para aquela tarde.
Nesse processo está em vigor um ideário libertário que precisa ser visto, e mais que isso, propagado, pela instituição. O Corinthians é algo sério demais pra achar que basta lucro e título. Nesse ideário está em curso o conceito do protagonismo, e ele é mais que importante para entender o porque de existir o Corinthians.
O Corinthians é a manifestação palpável do anseio popular por emancipação. O Corinthians deve fazer uma escola. Pensada para fazer com que seu cidadão se coloque em condição de protagonismos, voltada a todo ser humano infante, na melhor hora da vida para cair no caldeirão dessa poção mágica que é o Corinthians.
E o Corinthians era ainda um pequeno infante naquela tarde de 23 de março de 1913.
O processo histórico convergiu para aquela tarde, e naquela tarde o Corinthians caiu no caldeirão de poção mágica, igual o Obelix.
Em sua tese, o professor Plínio dirá assim (é o item 4.1, referente ao ingresso do Corinthians na Liga Paulista de Futebol):
"O São Paulo Athletic Club, famoso clube da época enfocada neste trabalho, formado apenas por ingleses, desistiu de disputar o campeonato da LPF em 1913. Em virtude do fato assinalado, surgiu uma vaga na LPF. Esta, como já fizera antes, abriu inscrições para os clubes de São Paulo que quisessem participar de um torneio eliminatório, no qual seria escolhido o novo ocupante da vaga. Segundo o jornal O Comércio de São Paulo:
-Com a saída do S. Paulo Athletic Club, verificou-se uma vaga na Liga. Não haverá em São Paulo um clube que se apresente? Entre nós não são poucas as associações que se dedicam exclusivamente ao esporte do futebol: há milhares de clubes regularmente organizados e que têm elementos capazes de uma bela figura no campeonato paulista. Mas, estes não se apresentam: sempre lhes falta alguma coisa que a Liga exige [...].
Essas poucas linhas são reveladoras quando informam que não eram poucos os clubes de futebol em São Paulo, mas que a LPF não tinha interesse em que eles participassem. Enfim, criavam-se tantos empecilhos, que os clubes até desejavam ingressar na LPF, mas esta se fechava. Porém, poucos dias depois, o mesmo periódico volta a tratar do assunto, dizendo que
-A Diretoria da Liga nomeou uma comissão especial encarregada de dar parecer sobre o valor dos times concorrentes. O ato da Liga cuidando com interesse da substituição que quer dar ao time inglês, só nos merece elogios. Parecia a nós, e assim o entendeu a Liga, que a simples prova eliminatória não será suficiente para assegurar a entrada de qualquer clube no seu seio uma vez que o métier, a sua prática, embora perfeita, não é completa recomendação para um sportman: é preciso que a par da educação esportiva esteja a educação social: aquela sem esta, mata o esporte e desorganiza as agremiações.
Como se pode perceber, a posição do jornal era clara: ele desejava que a vaga fosse preenchida pois existiam inúmeros clubes com competência esportiva para assumi-la. Por outro lado, o periódico entendia que a direção da LPF tinha regras muito severas, que impediam, na prática, que uma equipe ingressasse naquela entidade esportiva. Por fim, ficou satisfeito o jornal ao tomar ciência de que a LPF iria abrir um processo com o intuito de preencher a vaga existente.
Porém, o cronista esportivo não deixou de dar importante conselho: que o futuro ingressante fosse educado nos âmbitos esportivo e social. E foi além quando recomendou “que a comissão de sindicância pese bem a sua responsabilidade e não leve para o seio da Liga um elemento de perturbação da ordem; desigual que ele seja é dito, para, senão desorganizar a agremiação, ao menos torná-la desprezada pelo público paulistano”.
(Nota rápida deste Mosqueteiro: antes mesmo da tarde em questão, a abutraiada já arrumava um jeito pra fazer o que sempre fez, e cá está a prova material)
Ou seja, o que preocupou uma parcela da imprensa paulistana e dos meios esportivos foi a possibilidade de uma equipe chegar à vitória nos jogos eliminatórios e ser uma “perturbadora da ordem”, caracterização essa muito ampla, mas que atingiu certeiramente os setores populares da sociedade paulistana. Deve-se estar pensando nas pessoas que, de um modo ou de outro, contestam a organização econômica, cultural, política e social, que lhes foi imposta.
Quatro foram os clubes que se inscreveram para participar das eliminatórias: São Paulo Football Club (sem relação com o atual São Paulo F. C.), da Bela Vista; São Paulo Railway Football Club, da Luz; Minas Gerais Football Club, do Brás e Sport Club Corinthians Paulista, do Bom Retiro. Feito o sorteio, os jogos que inicialmente se realizariam seriam: São Paulo F. C. contra São Paulo Railway, e SCCP contra Minas Gerais F. C. Os vencedores jogariam a partida decisiva e o vencedor ficaria com a vaga. Aliás, isso é o que a comissão de sindicância da LPF iria decidir. Portanto, o clube vencedor não estaria automaticamente dentro da LPF. Tal comissão detinha a prerrogativa de aconselhar a não entrada de um clube, alegando alguma incompatibilidade com os estatutos da entidade. Nos estatutos da Liga havia, por exemplo, a condenação dos atletas profissionais. Não há dúvidas de que tais julgamentos tinham um caráter subjetivo."
Essas linhas da tese do professor Labriola nos mostra a importância que tinha aquela tarde do dia 23 de março para a gente Corinthiana dos primórdios.
O Mestre Diaféria à sua maneira nos coloca o seguinte, à página 74 de sua Obra:
"Foi no sufoco do Paulistano (que estava com o quadro associativo reduzido a nada e uma reserva de caixa que mal passava dos 927 mil réis) que surgiu o Corinthians Paulista, e esse Corinthians de operários — que não tinham bicicleta e viajavam de “caradura” para economizar uns vinténs e oferecer ao clube — se preparava agora para enfrentar uma cilada que a Liga Paulista de Futebol lhe tinha armado à sorrelfa, para
tentar impedi-lo de se ombrear com os “grandes do futebol”.
Para disputar o campeonato da Liga Paulista de Futebol o Sport Club Corinthians Paulista teria, antes, de passar pelo cadáver do Minas Gerais e do São Paulo. Era agora — ou nunca mais! Os corinthianos se prepararam para dizer adeus à várzea."
Esses quatro times que disputaram o torneio eliminatório valendo uma vaga na Liga Paulista eram times estruturados, mas só um deles não tinha um patrão, um manda-chuva que bancava e fazia acontecer. Só um desses quatro times que lutavam pela vaga na Liga era feito com as mãos, a cabeça e o suor de muita gente em um protagonismo que mereceu uma tarde como aquela do dia 23 de março de 1913.
Segue mais adiante o Mestre, na página 75:
"Quando o time do Corinthians Paulista pisou o campo “pequeno e duro” da rua da Consolação, quando os onze rapazes com camisas novas apareceram sob o céu do Velódromo, onde estreavam e inauguravam um sonho que os adversários torciam para que fosse um pesadelo, as arquibancadas do estádio, construídas para acolher 5 mil pessoas, balançavam de emoção.
A torcida dividia-se em dois grupos: os corinthianos — e os “anticorinthianos”. Os “anticorinthianos” não torciam tanto pelo Minas Gerais Football Club. Torciam, sim, pela derrota do Corinthians, aquele atrevido, aquele ousado, aquele “bicão” com cheiro de povo, jeito de povo, coração de povo. Os primeiros carrapatos do “anticorinthianismo” estavam ali agarrados nas vigas das arquibancadas, aves pardas piando maus agouros para aquela “gentinha” alvinegra."
Essa tarde de 23 de março de 1913, portanto, não foi especial apenas porque o Corinthians começava a subir um importante degrau em sua vida desportiva.
O fato de começar a ingressar na Liga Paulista foi apenas uma prova de carinho, como a corda mi do cavaquinho do Adoniran. Aquele um a zero em cima do Minas Gerais Futebol Clube, cujo nome fazia menção a um navio de guerra e que não foi páreo para o ainda pequeno Gigante Corinthians foi uma vitória conquistada desde o começo do processo histórico, consequência frutífera do protagonismo.
O caldeirão da poção mágica a que nos referíamos anteriormente foi o fato da Fiel Torcida marcar sua posição. O cheiro de povo marcou pra sempre o olfato da elite em seu pleno campinho.
O Corinthians mostrava a que veio. Estampava o caráter desse mesmo processo histórico que brada o protagonismo.
A anticorintianada, expressão da reatividade dessas pessoas naquele momento em que o Padroeiro enfiava a lança na goela do dragão, podemos dizer que surgiu nessa mesma tarde de 23 de março de 1913, portanto a anticorintiania doentia também faz aniversário hoje. Meus pêsames, anticorintianada infeliz.
E seguimos o Mestre, à página 77:
"Soou o apito do árbitro. Quando o primeiro chute — que o povo chamava de kick — foi desferido na dama redonda e morena vestida com o manto do capotão, o alarido da galera subiu aos ares nas asas do vento. Tudo podia acontecer naqueles noventa minutos em chamas e carne viva. Eram vinte e dois “leões” em campo, se medindo e se respeitando, sabendo que um descuido, um escorregão, um tropeço, uma bobeada, um fraquejo equivalia à degola de anos de anseios e aspirações.
Para complicar as coisas, o zagueiro Chaves, que tinha ido do Club Athletico Pary para o Minas Gerais — do qual fora um dos fundadores — e que costumava dar suas boas “furadas” quando ficava nervoso e tenso, no jogo com o Corinthians Paulista não errava uma. Estava firme como uma rocha e exibia toda a potência de seus shoots. O Minas Gerais não era nenhuma “galinha morta”, tinha seus grandes craques, Bruno Poltronieri no gol, Alexi Neuyens, o próprio Fonseca, em cuja residência o clube nascera.
Mas o Corinthians Paulista era o guerreiro montado no cavalo branco da raça e estava preparado para fazer estrebuchar o dragão adversário a qualquer momento. Um gol, um único e portentoso gol — rezam as crônicas —, fulminou e pôs a pique o Minas Gerais com seus onze tripulantes uniformizados de listas vermelhas e brancas. Inexpugnável pela presença magnífica do Casimiro do Amaral, que o pintor de paredes Antônio Pereira conquistara para o time ensinando-lhe o ofício das tintas e pincéis, o gol corinthiano terminava a partida virgem. 1 a 0 dava o caso com o Minas Gerais encerrado.
Os corinthianos saíram de campo cobertos de pó e suor. E o Velódromo, pela vez primeira, que abria o caminho para todas as outras vezes, cobriu de aplausos e vivas e doce ternura aqueles meninos que no dia seguinte iam pegar no batente duro na ferrovia."
Assim abrimos caminho para as comemorações da próxima semana, afinal dia 30 de março de 1913 foi o dia em que o Corinthians devolveu, de fato e de direito, o Futebol ao Povo.
É a Semana da Revolução Corinthiana que começou seu Centenário!
VIVA O CORINTHIANS
NOSSO DE CADA DIA!!!
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
O que se esconde em Oruro
Poucos assuntos parecem atingir um consenso tão grande como as torcidas organizadas. Hoje é fato público e notório que se trata de gente desqualificada, criminosos travestidos de torcedores, marginais. Os predicados variam ao gosto de quem escreve e quem lê. É fato, também, que elas contribuem bastante para que esse preconceito se dissemine, assim como a atuação medíocre do mainstream do jornalismo brasileiro que já não se dá o trabalho de apurar os fatos, e condena por antecipação. A morte do garoto Kevin, descortinou esse quadro como nunca antes, além de evidenciar uma série de incongruências no futebol latino-americano, em todas as suas instâncias.
As torcidas compõem um ambiente mais heterogêneo e complexo do que possa parecer. Seus associados mais ativos, contudo, são em grande parte jovens entre 17 e 25 anos, cheios de energia e disposição, a procura de um sentido para a vida. E encontram nas torcidas um ambiente propício para manifestar seu amor latente, sua vontade de ser alguém, e também sua violência. A pesquisadora Heloísa Reis, da Unicamp, talvez a única estudiosa sistemática da violência e das torcidas organizadas no Brasil, porém, ensina: “As raízes da violência (ou violências, grifo meu) relacionada ao futebol estão na sociedade brasileira. A formação de indivíduos apáticos ou agressivos e violentos ocorre a partir de sua sociabilidade primária, quando já podem ser percebidas manifestações agressivas ou apáticas: que será mais explicitada na juventude, podendo permanecer na fase adulta.” No caso do futebol, seria ingênuo dissociar a violência do torcedor da violência do policial, da violência do organizador, da violência do poder público, e da impunidade. Mas por que eu estou falando de violência? Estou falando de violência porque o episódio em Oruro foi protagonizado por torcedores organizados. E para todos, isso basta. É simples assim?
Então vejamos. Há imagens (aqui e aqui) e testemunhas (aqui e aqui), entre elas algumas que afirmam que o sinalizador quase atingiu aos próprios brasileiros (aqui), sem se esquecer do réu confesso (aqui). Além disso, o sinalizador foi disparado logo após um gol (aqui). Geralmente, nas arquibancadas, quando acontece um gol do seu time, sua torcida comemora. Não há muito tempo para pensar em atirar sinalizadores dentro do crânio de adolescentes.
Então por que continuar a falar sobre violência? Só porque o torcedor pertencia a uma torcida organizada? Sim, a lógica parece ser exatamente essa.
Um dos pontos que mais chama a atenção é a relação ambígua que a imprensa alimenta com as torcidas organizadas. Ainda que já tenham recebido todas as adjetivações possíveis e imagináveis, são essas mesmas torcidas que são utilizadas para promover o espetáculo. Grande parte dos jornalistas e cronistas esportivos, ou não (o tema é tão consensual que até intelectuais de áreas diversas se arriscam), destilam seu preconceito e ignorância temática durante os programas de televisão. Contudo, nos intervalos, o que não faltam são imagens de torcedores uniformizados fazendo festa nos estádios. Bandeiras, cantos, papéis picados e, pasmem, muitas vezes são sinalizadores que vemos nessas imagens. O jornalista Juca Kfouri, por exemplo, ainda que acredite ser uma infâmia alguém se arriscar a “defender” (seja lá o que queira dizer isso) torcidas organizadas, recheou o seu livro Corinthians, paixão e glória de foto dessas mesmas torcidas.
Resumidamente, o lado belo das torcidas serve apenas para promover o evento e render uns trocados, sem dar a elas qualquer direito à voz, qualquer direito à defesa.
Mas, partindo do pressuposto de um ato não-intencional, na hora do gol, acendendo um sinalizador que é utilizado em estádios para justamente promover o evento e fazer a festa, por que não um pouco mais de complacência e coerência num momento triste e delicado como esse? Descarregar toda a responsabilidade do episódio em cima de um garoto de 17 anos que teve a infeliz ideia de acender um sinalizador para comemorar um gol irá prevenir outras mortes? Manter 12 torcedores presos, sem que tivessem tido qualquer participação no episódio, apenas porque pertencem a torcidas organizadas, para saciar a sede de justiça da opinião publicada e daqueles que a reverberam, irá fazer com que os sinalizadores, ou parte deles, sejam proibidos? Ah, mas dois deles tinham sinalizadores do mesmo lote. Sim, mas nesse estádio pirotécnico, os sinalizadores foram proibidos? Então por que as imagens mostram um faixa de torcida boliviana incandescente somada a dezenas de sinalizadores queimando sem qualquer tipo de incômodo (aqui)? Por que a polícia, segundo relatos, não teria feito revista (aqui)? Será que foi porque o clima entre os torcedores era amistoso (aqui)? Caso não fosse amistoso, será que os próprios torcedores do San José teriam ido até a prisão prestar solidariedade aos torcedores presos (aqui)? Torcedores organizados não são animais que sabem apenas se matar? Confuso isso, não? Afinal, esse material era ou não proibido? Caso não fosse, quem libera a entrada? Só Corinthians e corinthianos merecem ser punidos, ainda que, o embaixador brasileiro e o advogado da embaixada do Brasil apontem diversas incoerências no inquérito (aqui e aqui)? Ainda que o histórico de punições no futebol sul-americano pareça ser de escassa jurisprudência (aqui)?
Por que não uma visão um pouco mais equilibrada e imparcial, de modo a evitar que eventos como esse voltem a se repetir. Que as punições sejam justas e responsabilizem a todos, além de torcedor e Corinthians – Conmebol, San José, quem comprou, quem distribuiu, quem vendeu. Não apenas a parte mais fraca da estória, e da história. Assim, talvez pudéssemos acreditar que esse fato não servirá apenas para saciar sentimentos mesquinhos travestidos de luta por justiça.
Afinal, a Conmebol vai continuar a permitir jogos em pequenas cidades a quase 4.000m de altitude sem que o clube local garanta a segurança do evento? Será capaz de tomar medidas outras que não escolher bodes expiatórios para maquiar sua própria incompetência e emitir notas de lamento (aqui)? Continuará tendo suas decisões sendo tomadas por uma única pessoa, sem que sejam pelo menos apurados os fatos (aqui)? Continuaremos presenciando jogadores sendo protegidos por escudos em cobranças de escanteio, sem que os mandantes sejam responsabilizados? Quem vende sinalizadores de navio no centro da cidade? Eles são vendidos legalmente? Estavam vencidos? E os responsáveis pelo policiamento, alguém recebeu, ao menos, uma advertência? A família de Kevin será indenizada pela Conmebol, terá seus direitos de consumidor respeitado, já que a perda de uma vida não pode ser reparada? A hegemonia das emissoras de TV na condução do futebol será incomodada, ou apenas terão sua audiência ampliada com essa punição?
Tudo isso faz do episódio emblemático. Em Oruro, se escondem as responsabilidades da própria Conmebol. Em Oruro, se esconde uma imprensa tacanha, incapaz de interpretar com imparcialidade os poucos fatos que apura. Em Oruro, se esconde uma sociedade hipócrita, que com nobreza ímpar se solidariza com a morte do garoto boliviano, mas que com uma conivência vergonhosa fecha os olhos para a execução de dezenas de jovens da periferia – em sua maioria negros – pelos grupos de extermínio que proliferam na PM paulistana, e finge não ver a dizimação de seus índios por pistoleiros pagos por latifundiários. Em Oruro, esconde-se a mentira chamada Libertadores da América. No Brasil, se manifesta e grandeza do Sport Club Corinthians Paulista, nas atitudes pequeninas, incapazes de manter paixão clubística e preconceitos toscos afastados de assuntos sérios.
Mas e a violência? É mesmo, as torcidas. Segundo a pesquisadora Heloísa Reis, “os fatores geradores da violência são vários e complexos, mas pode-se afirmar que a disseminação de uma cultura em que violência e futebol sempre caminharam juntos contribuiu para a disseminação da violência nos estádios e dificulta a sua minimização. A ‘reação simbiótica’ entre esporte e violência não é exclusividade do futebol. Dunning afirma que todos os esportes competitivos conduzem ao aparecimento de agressão e violência (Elias e Dunning, 1992). Mas, por sua popularidade e seus valores masculinos, é no futebol que ela encontra um terreno fértil. É nesse conteúdo cultural que a expressão da violência física socialmente aceita e ritualizada aparece”.
Mas isso, isso é uma outra estória. O garoto Kevin não morreu devido à violência. Espero que não tenha morrido em vão. Justiça gera paz.
* Texto de Thomas Castilho, publicado aqui com autorização expressa, nessa hora em que a hipocrisia domina a mente de desavisados.
sábado, 23 de fevereiro de 2013
O náufrago
Kevin Douglas Beltrán Espada foi atingido por um disparo de sinalizador náutico na Arquibancada e faleceu. O dispositivo foi aceso e detonado por um Corinthiano na Arquibancada, e passou zunindo pelas cabeças à frente, enquanto um bandeirão era levantado - movimento interrompido pela pirotecnia.
Na chegada ao estádio, o clima amistoso da paz entre irmãos que travavam o primeiro contato na História entre ambos.
Sabe-se lá como, sinalizadore náuticos foram parar em posse de torcedores. A revista deixou passar, passou, e foi detonado em plena Arquibancada, atingindo Kevin Douglas Beltrán Espada.
O clima amistoso foi interrompido pela reação à tragédia. A resposta teve de ser imediata, para que as autoridades do evento e da segurança pública mantivessem o controle da situação. Corinthianos foram presos, e quem não teve um A pra falar do Corinthians durante tanto tempo, agora cospe veneno doentio.
Um sinalizador náutico e seu manuseio fatal, um menino de Arquibancada morto. Fato inédito para muita gente. Família destroçada. O detonador da tragédia foi parar na mão do torcedor como? O que pensava este sujeito quando acendia o pavio?
Enquanto ninguém provar que este sujeito tinha a intenção de atingir Kevin Douglas Beltrán Espada ou qualquer pessoa ali presente - e poderia ter sido um Corinthiano, um policial, um jogador em campo, mas foi exata e cruelmente, dentro de um encadeamento de fatos tenebroso, Kevin Douglas Beltrán Espada - não haverá como imputar o adjetivo "violência" no caso.
Houve a morte de Kevin Douglas Beltrán Espada, houve alguém detonando um sinalizador náutico.
Há uma sede imbecil de criminalizar o Corinthians e a Nação Corinthiana - o que é, ou deveria ser, a mesma coisa.
Isso tudo ainda vai desenrolar, de diversas maneiras. Que se tenha a serenidade necessária para o andor da situação.
Descanse em paz, Kevin Douglas Beltrán Espada. São Jorge olha pela dor de sua Família.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
A Charada de Jorge
"O Corinthians é o Brasil visto por dentro", diria um grande Professor.
A elitização da nossa sociedade e da nossa torcida não é fenômeno que passa batido por ninguém, e não tem a ver com "melhoria econômica", pois pela "melhora" da economia pagaremos mais adiante. Quanto à torcida, a única "melhoria" é dos preços arrecadados que tem a ver com uma engabelação, e é nesse movimento que a coisa toda se "funde".
Essa elitização não implica uma aceitação dessa elitização, mas essa aceitação passa a ser um fenômeno mais pernicioso que todo o movimento de elitização, que é exterior. A aceitação tem a ver com a mentalidade, está portanto no interior. É pior do que dizer simplesmente que o Clube tem que cobrar caro mesmo para arrecadar mais, pois essa assertiva não tem pé nem cabeça, é ignorante - e é de quem aceita a elitização quase inconscientemente, e totalmente passivamente, sem medir consequência e nem examinar os fundamentos. E sem pensar na própria razão de ser do Corinthians Paulista.
Como exemplo, muito bem notado pelo Samurai, o fato do ex-presidente do Clube dizer que quer transformar o Monumental da Fazendinha para uma "arena de shows". Se quiser um espaço pra show, pega uma parte da renda dos jogos e compra um galpão, perto do Clube tem vários. Pois enviesar o sentido da existência do Monumenal dedicado ao Anjo da Guarda Alfredo Schürig é apenas uma pontinha desse iceberg; o cara dizer uma asneira dessas e não vermos sequer um buchicho entre sócios e torcedores é exatamente o que está sendo dito no segundo parágrafo desse post.
E teve gente que veio falar que vejo pelo em ovo. Essas pessoas com certeza não vêem que o ovo é branco ou caipira, mas vão querer pintá-lo.
Ah, Corinthia... São Jorge vai mostrar um "quer ser Corinthia, então sofre", nesses tempos que se aproximam, como já mostrou inúmeras vezes ao longo da Epopéia que é a História Gloriosa do Corinthians.
Ah, esse ano vai ser aquilo.
Estamos vendo gente falando muita bobagem, e a partir do quinto andar o discurso geral tá de ponta cabeça e do avesso.
Dá saudade de um tempo que eu não vivi, até de um tempo em que eu vivi dá saudade. Daí quando releio a obra do Mestre Lourenço Diaféria choro, não apenas pela beleza, mas principalmente pela retidão incompreendida de tudo o que deveria se apresentar e que é atravessado, descuidado, se manifesta pelo ardiloso contrário. Isso dá tristeza.
Mas São Jorge escreve certo por linhas tortas, e ele deve guinar essa barca e nessa hora nós vamos ter que ajudar e muito.
Mas hora virá também que não vai mais dar pra segurar o Povo (assim espero) porque se tá ruim pra nóis, imagina a classe média... Imagina a classe alta tendo que pagar escorchantes preços no Itaquerão, se locomovendo pra "área pobre da cidade", pois pagar é fácil, mas querer pagar são outros quinhentos: vão de pajero pra Itaquera (ah, diz que vai ter estacionamento. Mais caro que o do shopping no Itaim, que os da Paulista, evidentemente. Cem conto do estacionamento, mais trezentos da cadeira. Quem vai?)? Vão deixar a tucson onde? Essa maquininha de fazer dinheiro só tem sentido com a população do Lado Leste. Sem ela, aquilo míngua. Aí quero ver; vai ter trouxa aceitando, mas até quando? Isso tem um limite, que o discurso do avesso de ponta cabeça não consegue enxergar.
Esse tal de Futebol não é produto que se possa dar garantia... Todos queremos a vitória, mas a que preço?... A maioria agora não pensa mais em nada que não seja a vitória, efêmera, que é uma partícula do que o Corinthians, Congregação de São Jorge, tem como missão.
Às vezes, como a história recente prova, precisa cair pra levantar, precisa dar merda pra mudar. Pois é, Camaradas, e a tal da Libertadores vai começar a perder o "afã" que teve... Vai acabar o tesão porque a mentalidade está de ponta cabeça e do avesso.
Essa é a grande Charada de Jorge.
O preço não é mentiroso em si, mas através de quem comanda, os corruptores dos corações. A forma como propagandeiam uma estendida de mão ao torcedor é cruel, fria e venenosa, como a cobra de Adão e Eva. Esses golpes contra o torcedor é apenas desejo de lucro - para quem?
Mas a questão é com aqueles que se renderam ao discurso do avesso de ponta cabeça, isso é que é angustiante. Ter que bater de frente com boa parte da Corinthianada que ficou molóide. A Corinthianada, a paulistada e a brasileirada...
VIVA O CORINTHIANS
NOSSO DE CADA DIA!!!
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
O Levante Popular
Março de 1913.
Em nossa cidade provinciana, o bairro mais cosmopolita do hemisfério sul na época estava em polvorosa.
Naquele Bom Retiro, ao redor da estação de trem, do Parque Público da cidade provinciana e elitista, perto das escolas politécnica e da farmácia, onde estudavam os futuros engenheiros e aspirantes a médicos, onde se concentrava o comércio e os serviços importantes, para onde corriam tanto os ricos quanto os necessitados, inspirados pela ideologia libertária do protagonismo, o povo havia criado um verdadeiro levante.
Desde muito antes de setembro de 1910 aquela idéia estava nas mentes e nos corações. E das tripas coração: a idéia se concretizou, a utopia se realizou, e naquele momento de 30 de março de 1913 já transcendia o bairro e a própria cidade provinciana.
Mas naquele março de 1913 aquele bairro em polvorosa se esparramava pela cidade e pelo mundo que conhecia, já sinalizando que o mundo desconhecido seria pequeno demais para o tamanho do levante popular.
Até então, o levante popular havia fincado raízes nas Várzeas, território do Futebol popular, e portanto do Futebol de verdade; daqueles que não poderiam, pela condição material e social, se meter no futebolzinho engomadinho e perfumadinho das oligarquias, das assim ditas "boas famílias", ou melhor dizendo, daquelas famílias que concentravam as riquezas que o povo gerava às custas de sofrimento, de negação, de subjugação, de exploração e de martírio dos que trabalhavam mais de quinze horas diárias de segunda a sábado, e tinham o domingo apenas para o divertimento com a família - nas Várzeas.
Era essa gente que estava em polvorosa naquele março de 1913.
Era a lavadeira da Várzea do Carmo, que morava no barraco pendurado à beira do trilho do trem, pertinho da esquina onde se consagrou a lenda de Fundação deste levante popular.
Era o trabalhador braçal, o peão de obra, que carregava saco de areia, de cimento, tijolo, madeira, e construía de fato essa cidade elitista, que tanto lhe custou suor e sangue.
Era o motorneiro de bonde, que via o transporte público ser dividido: havia o bonde para operários, ou seja, para essa gente despossuída que possuía o que interessava à elite: o braço, o sangue, o suor, o trabalho, essa gente que se explorava como se fosse o escravo antes da abolição. Essa elite odiou a abolição, e ainda ressentia com ela, pois não sabia o que fazer se não tivesse quem fizesse por ela. Via também os engomadinhos perfumadinhos sentarem-se nos espaçosos carros privados, que aos poucos tomavam conta das ruas, disputando espaço com o bonde dos operários. Exatamente como acontecia naquele março de 1913, no que se refere ao esporte elitista de então, que o povo tomava pra si em definitivo, através deste gigantesco levante popular.
Era o pintor de paredes, que se aproximava um pouco mais do patrão nas filigranas sociais, mas que mantinha suas raízes, pois era vizinho da lavadeira que morava no barraco, e vizinho do motorneiro que morava num cortiço um pouco mais confortável que o barraco da lavadeira.
Era o dono do armazém e da confeitaria, que fazia os pães que corriam pelas bocas do bairro, que fazia os bolos dos aniversários daquela criançada que nascia aos borbotões e principiava uma das maiores aglomerações populacionais do mundo que veio a ser essa cidade grotesca que continuou elitista.
Era o ferroviário que tratava dos trilhos do trem e que tinha consciência política, e começava a se organizar, às custas de muita borrachada da polícia proto-fascista a serviço dessa oligarquia que ainda dita o que as pessoas tem de pensar e dizer, nessa grotesca e elitista cidade.
Era o operário do cotonifício, da indústria metalúrgica que ainda engatinhava, que aprendia com este ferroviário a se organizar, e a pensar política.
Era o barbeiro do bairro, sempre a par das notícias que chegavam primeiro por ali, pela estação de trem, pelos burburinhos do povo.
Era o estudante da escola germinal, da educação libertária que fundamentou esse levante popular.
O Levante Popular depois, ao longo de sua existência, foi conquistando o coração de plutocratas com menos ranço, mais condizentes com uma ideia de igualdade. Patrões aderiram à causa, depois de firmada, concretizada, disseminada. O Levante existindo nunca mais parou de pulsar. Está no coração de todos nós, e adere contornos tão variados quanto nós somos diferentes, e, conforme a História, a época, a dinâmica social através dos tempos, tão variados quanto às classes, ou os tipos sociais. Era o que encontrávamos nas Arquibancadas até pouco tempo atrás: desde moleque de rua até um patrão, todas as camadas e credos.
Além disso, um pouco antes de março de 1913 foi necessário reconstituir o estatuto. Aquele estatuto de 1910, quem souber do paradeiro, contate a Rádio Coringão, por favor. Este de 1910 foi reescrito em algum momento no tempo muito próximo ao março de 1913, para que o Corinthians pudesse disputar esse torneio. Além disso, David, o centroavante negro do velho Botafogo da rua Paula Souza era barrado no baile. Um negro jogar bola no Velódromo era pedir demais. A mídia e os detratores irão interpretar isso como culpa do Corinthians, é evidente, pois precisam esconder o fato de que se jogasse com um negro no time o Levante não teria sequer a chance de fazer o que fez: enfiar dois pés no peito da oligarquia. Em 1913 um clube de operários não poderia sonhar em brincar com certos tabus, como por exemplo o racismo cru e degradante que a mídia não perdeu até hoje como ranço de seu humor nefasto, como escutar em off, por aí, que Joaquim Barbosa, ministro do judiciário brasileiro, abram aspas, “é negrinho mas é bom”.
Esse estatuto rezava que o Clube não faz distinção de cor, credo ou condição social. Havia brasileiros negros, pardos, brancos, caboclos, junto com italianos, espanhóis, portugueses, ingleses, alemães, polacos, húngaros, turcos, sírios, gregos, judeus, chineses, japoneses. O Clube era a expressão pura do bairro mais cosmopolita do hemisfério na década de 1910: o Bom Retiro, o berço do Levante, um cenário que aos poucos foi sendo aviltado pela oligarquia, reduzido ao funcionamento baseado na lógica simplória mercantilista que finge ser capitalista, mas é feita por gente afidalgada, medieval, com ranço feudal, embora vistam uma purpurinadíssima fantasia liberal. O destino do Bom Retiro foi o mesmo da Bela Vista, do Cambuci, da Barra Funda, do Brás: tornarem-se geograficamente comprimidos e historicamente esquecidos, além de economicamente aviltados, por uma especulação traiçoeira ao estilo da relação empregado e patrão. Campos Elíseos, por exemplo, um bairrozinho satélite do Bom Retiro na época, era o lugar de moradia de muitos barões; o que restou do bairro oligárquico par excellence do início do século vinte, só por estar muito próximo do Povo? Visitem os Campos Elíseos e descubram, ele é o retrato de fato disto que estamos expondo aqui.
Março de 1913 fez muito mais diferença do que a Academia gosta de pensar que tenha feito. Mas o Levante Popular foi de fato popular em 1913, e aquela gente toda fez muito mais História do que o mais apaixonado Corinthiano possa imaginar.
Essa era aquela gente que chamou esse levante de Corinthians Paulista, que conquistou as Várzeas do mundo conhecido e mirava a conquista do mundo desconhecido, onde só entrava gente dita de alto escalão, gente dita oficial, gente engomadinha e perfumadinha.
Em pouco mais de dois anos na ativa, o levante popular chamado Corinthians chegava com os dois pés no peito da oligarquia, o que a deixou extremamente ressentida e desgostosa do mundo conhecido por aquela gente, mas que ela desconhecia pois fazia vista grossa pra não ter que enxergar o mundo real que cerca o mundinho cor-de-rosa onde vive essa oligarquia infeliz ainda hoje.
Março de 1913.
O Clube do Povo, o Levante popular chamado Corinthians, disputava a vaga que se abriu para o campeonato chamado de oficial, que era disputado no campo da oligarquia, o velódromo da matriarca dos Prado que alugava o terreno para os rapazotes engomadinhos e perfumadinhos do clube de elite par excellence, o chamado paulistano, que anos depois, não obstante sua riquissíma condição social, falia e se transmutava em coisas cada vez menos dignas.
Naquele dia 30 de março de 1913 o povo do Bom Retiro subia a colina que hoje é imperceptível, até o lugar que hoje se chama praça Roosevelt.
Foi das primeiras invasões Corinthianas, e ao mesmo tempo a mais importante e formadora. O levante popular alcançava o mundo até então desconhecido. Alcançava e conquistava.
Relatos dos viventes da época, dos jornais, acusam o quanto se ressentiam desse feito os oligarcas: eles não entendiam, e nem poderiam entender pela curteza mental que lhes assola, o que significava aquilo. Torceriam para o adversário do levante, fosse esse adversário quem fosse. Foi nesse momento que a erva daninha espiritual dessa anticorintiania esquizofrênica surgiu.
Março de 1913...
O povo entrou com as duas solas no peito da oligarquia, conquistou por méritos, na bola, em campo, a tão ansiada vaga no campeonato dito oficial, naquele glorioso um a zero contra o união da Lapa, no Velodrómo.
Chegava ao campo engomadinho e perfumadinho o cheiro de suor do povo, o macacão sujo de graxa, a calça rasgada e empoeirada do trabalhador braçal, e as mãos leves que carregavam o fardo do mundo daquelas pretas lavadeiras, verdadeiras Mães do Levante Popular. Aquelas mãos lindas e leves eram pretas, o cheiro de suor é mais forte que o perfuminho da oligarquia. Os dois pés no peito derrubaram aquele corpinho frágil oligarca.
O ressentimento veio em seguida; se retiraram da Liga Paulista de Futebol e fundaram a APEA com apenas três timinhos temerosos de se tornarem saco de pancada do Levante Popular - o que veio a acontecer, porque a História é do Povo.
E esse campeonatinho de três timinhos se tornou, na voz da mídia mainstream, o único campeonato válido. O da Liga? Ah, esse passou a ser menor. Dos pobres, segundo essa mesma mídia achacada pela oligarquia plutocrata. Depois o castelinho de cartas, ou castelinho de jornal carcomido, teve de ceder ao povo, pois a História é do povo; e a Liga Paulista se fundiu com a APEA para ser a Federação Paulista. Mas isso foi um processo, determinado pelas artimanhas elitistas temerosas de perder o espaço para o Povo, posto que o clube que fez acontecer o Futebol foi o Clube do Levante Popular. E essa é uma outra parte da História, que na verdade teima a se repetir sempre.
Pois em 1976 também aconteceu uma gigantesca invasão Corinthiana, a exemplo de Março de 1913, a exemplo de 41 quando o Corinthians invadiu a baixada, enfim, são tantas invasões que poderíamos nos dedicar apenas a falar sobre elas. Aqui porém temos de fazer o recorte que nos propomos; pois essa semana já se principiou a mais nova invasão da História do Levante Popular.
Começou no aeroporto de guarulhos, para o ressentimento dessa gente porcalhona das idéias aflorar. Da festa essa pseudo-gente não poderia fazer nada contra, mas eles têm o poder público achacado no controle, nas mãos: mandaram seu braço armado, a polícia a serviço da oligarquia plutocrata, descer a borracha e gás lacrimogênio, quebrar o aeroporto, para que a mídia pudesse de alguma forma culpar quem? A Fiel Torcida, ou seja, o próprio Levante Popular.
Esse foi mais um dos inúmeros exemplos da esquizofrenia anticorintiana, e se viu muito babaca arrotar asneiras a respeito da Fiel Torcida. Quem fez baderna foi a mão armada do Estado controlado pela oligarquia ressentida, meu Povo! E isso será sempre assim, esse script já começa a não funcionar mais, o uso da mídia para reiterar essas asneiras já passa a não funcionar mais, bando de filhote de madame frankenstein!
Daí temos o exemplo óbvio daquele quase-desconhecido que ninguém nota, a não ser quando fala de CORINTHIANS. E para não ver sua imagem sempre ignorada destruída, esse léo sardinha teve que desdizer o que disse a respeito de rodoviária, enfim, todos nós sabemos do que estamos falando aqui: a anticorintianada não consegue bancar o que fala do Corinthians, ainda que, como bem diz nosso Maestro, esse preconceito anticorintianista esquizofrênico seja tratado por "politicamente correto" nas entrelinhas imundas da mídia capciosamente fascista.
O fato é que Março de 1913 se repete.
Mas dessa vez não é nos altos da colina que desapareceu nessa cidade.
Dessa vez é do outro lado do mundo, para todo o Universo ver.
Para todo o Universo sentir, como um terremoto.
Março de 1913 vive!
Março de 1913 se repete antes de completar seu primeiro século de História!
Alguns meses antes de completar cem anos de aniversário, vemos e sentimos, e fazemos acontecer novamente, o Glorioso Março de 1913.
Coisa tão forte, tão pura, tão magnânima, que nem o marketing oligarca que hoje acachapa o Levante Popular poderia controlar - e nem poderá usar de qualquer forma que não seja comercial, pois o Levante é espiritual, está em outro plano, está no tecido escuro do Universo, e já comanda o mundo.
Eis o CORINTHIANS, o Levante Popular.
Eis Março de 1913.
Eis a Utopia Concretizada.
Eis o Padroeiro Guerreiro sorrindo vitorioso, antes mesmo da vitória. Pois a vitória, a conquista, já chegou. A fortuita vitória ou derrota em campo é apenas um desenrolar que está nas mãos da Fortuna e do Tempo, POR SÃO JORGE!
AQUI É CORINTHIA, i basta!
VIVA O CORINTHIANS NOSSO DE CADA DIA!!!
sábado, 1 de setembro de 2012
Resistência e Identidade: A Utopia Corinthians
“... jogar no Corinthians é como ser convocado para a guerra irracional e jamais duvidar que ela é a mais importante de todas as que existiram.
É ser sempre chamado a pensar como Marx, lutar como Napoleão, rezar como Dalai Lama, doar a vida a uma causa como Mandela, e chorar como criança...
Jogar no Corinthians é adormecer com o filho querido, é sentir o pulsar de seu pequeno coração, é abreviar a dor quando ela se estabelece.
É saber o que é a sociedade no pleno sentido da palavra...
Nada se compara ao Corinthians nesta Terra chamada Brasil.
Aqui, japoneses, árabes, mongóis, siberianos, italianos, bolivianos, além dos nordestinos e até os originários de estados rivais se irmanam, dão-se as mãos, sofrem em comunhão, gritam em êxtase a cada vitoria por menos importante que seja, como se cada vizinho fosse mais que irmão, pai, mãe ou quem sabe, ele seja realmente um representante de suas famílias distantes ou ausentes, inventando uma nova e substituta, formando uma gigantesca rede de genomas humanos com o mesmo DNA.”
DOUTOR SÓCRATES
O Coringão completa 102 anos de muitas glórias e
muitas tradições em tudo o que se aventurou praticar, seja no plano desportivo,
seja no plano sócio-político.
Nenhum Clube neste mundo representa tanto o Povo ao qual
pertence, e nenhum é tão poliesportivamente vitorioso quanto o nosso
Corinthians.
O Corinthians não é apenas este clube militante em tantos
esportes, vencedor em todos eles, assim como não é apenas esta Torcida, cuja
denominação é o próprio conceito de Fidelidade.
A Torcida do Corinthians, aliás, é o princípio e a
finalidade, a Conclusão e síntese deste gigantesco projeto que chamamos
Corinthians.
Quando o primeiro presidente sentenciou celebremente que o
Corinthians é o Time do Povo e é o Povo quem faz o Time, empregou nela um
sentido que não é por acaso. Assim como nada é por acaso na História do
Corinthians.
E neste aniversário de 102 anos, cabe aqui uma
reflexão.
O que era aquilo que Miguel Bataglia assistia nascer, ao
mesmo tempo que criava e forjava, que o fez proferir tal sentença formadora,
explicativa, norteadora da identidade Corinthiana? Por que o Corinthians é o
Time do Povo, e é o Povo quem vai fazer o Time?
A anticorintiania doentia anda dizendo que o Corinthians deixou de ser e
de fazer. Ora, essa gente não entende o princípio ético que é o Corinthianismo, e ignora a
historiografia (os fatos) ao bel-prazer.
Enfim, todo esse questionamento está sendo elaborado aqui no
sentido de criticarmos o período presente, quando os 102 anos são completos,
este momento o qual passamos.
Criticar nesse sentido não é apenas apontar o dedo e dizer o
que está errado. Nem tampouco apenas escarafunchar defeitos, o que é muito
usual dizerem a partir desse senso comum anticorintianista, mas criticar não é
essa coisa medíocre.
A anticorintiania não consegue elaborar nada melhor do que
as rançosas afirmações negativas, expressão da mucosa de ódio que permeia a
cabeça e o coração dessa gente contaminada.
Não. Aqui teremos de elaborar essa crítica segundo o viés
sociológico-político e historiográfico do Corinthians; campos onde se pode
compreender racionalmente que nenhuma associação atuante em nossa Era (leia-se:
a partir de 1910) possui carga de luta histórica como o Nosso Corinthians.
Por isso estamos discorrendo aqui no cerne da identidade
Corinthiana. Para tanto devemos remontar minimamente a situação em que se
encontrava esta cidade, esta sociedade, no momento histórico da gestação do
Clube de Todos os Povos, para identificarmos as causas, os porquês, do
surgimento e da consolidação do Corinthians, segundo sua própria genealogia.
Temos então de pensar quem eram aquelas pessoas anônimas que se
empenharam na concretização de um sonho. Porque o Corinthians já existia no
sonho de um punhado de gente, antes que essa gente partisse para a ação direta
de criar e consolidar o sonho do Time do Povo.
E por que sonhavam com um Time do Povo? Lembre-se; nada na
História do Corinthians é por acaso.
Aquela década foi uma década de efervescência social e política.
A tecnologia principiava a pulsar, surgia o automóvel nas ruas, e o
Povo trabalhava quinze horas por dia.
Portanto, qual a principal efervescência política? As greves
trabalhistas. Ideologias contestavam o que se apresentava na Roda da História.
1907: uma greve que fez a rua ser encharcada de sangue. Trabalhadores
assassinados debaixo da cartola do patrão. E a polícia, servindo de milícia para a
aristocracia, passou a rechaçar qualquer amontoação maior que duas pessoas
conversando numa esquina. Se três macacões sujos de graxa se reuniam numa
esquina, a polícia deflagraria seu contra-ataque.
Eles não tinham mais onde se reunir.
As várzeas eram o terreno de lazer dos despossuídos. Se o
high society considerava aquelas partes da cidade insalubres, o Povo armava
toda sorte de ativismo cultural. Serestas, saraus, pic-nics, e claro, o
Futebol. Essa gente tinha apenas o domingo para se reunir e discutir política,
agora. As várzeas viraram o território camuflado, o Bunker. Dali saíram as
ideias que gestariam um Sonho.
Sonho que foi concretizado. Sonho que se sonha junto é
realidade. Realidade produzida pelas mãos, pela Alma, pelo suor e pela Vontade
do Povo.
Relatos do primeiro jogo do Corinthians, na Várzea da Lapa - e foi na velha Lapa que o Velho Corinthians, ainda moleque varzeano, principiou sua
História Futebolística (posto que sua História já houvesse começado muito
antes) - contam que uma multidão de dezenas de Corinthianos, e este era apenas o
primeiro jogo, saiu do Bom Retiro a pé, e chegou à Lapa cantando. Entre eles,
gentes de todos os povos.
Para ser Corinthiano com carteirinha, não seria observada
sua condição social, tampouco sua origem, nem seus credos. E o Corinthians foi a primeira e única associação de sua época a rezar em seu Estatuto Originário tamanha subversão.
O Corinthians é fruto opimo do protagonismo do Povo. A
Concretização da Utopia. E foi lá, na condição de Galo Varzeano, disputar sua
vaga no Futebol engomadinho da aristocracia, da Liga Paulista. A Revolução
aconteceu, e tem data: 30 de março de 1913. Ela completará um século no ano que
vem.
Neste momento o Futebol se viu de volta às mãos (aos pés) do Povo. O
Corinthians conseguiu isso por méritos próprios, por sua Bravura, e manteve
isso com a cara e a coragem, quando em 1915 a aristocracia resolveu que ia dar
uma rasteira e pulverizar aquilo que pensava ser um mero amontoado. O
Corinthians era o Campeão Invicto do campeonato de 1914. A elite havia fugido,
se refugiado num campeonatinho próprio, de apenas três clubes (vai ver está aí
a origem da sanha purpurinada de se chamar de tricolete, da madame).
Mas se não pôde disputar o campeonato, nem usar sua camisa
branca e seus calções pretos, a Resistência Corinthiana reafirmou a Revolução
de 1913 e concretizou, de fato e de direito, a Existência do Corinthians.
A ideia era clara: desmembrar o time, que não disputaria o
campeonato daquele ano e não veria nenhum dinheiro da renda dos jogos que não
teria. Faliriam o Corinthians e recolheriam seus despojos.
Mas o Povo tomou conta do que é seu. O Corinthians
sobreviveu para escrever sua hegemonia na década de vinte, quando o Futebol ratificou
a situação existente debaixo dos panos, que era o profissionalismo, nos anos
trinta. E então o Corinthians já era um Clube poliesportivo consolidado e
seguiria sua trajetória de lutas frente ao mainstream, de dentro do próprio
mainstream.
Foi ele sempre o que mais elevou as multidões. Foi ele
sempre o que mais aglutinou gente, das mais variadas origens. O Corinthians
ratificou, com sua Existência, a frase do primeiro presidente. É esta a
identidade Corinthiana.
Hoje em dia, portanto, nós somos a parte ativa, o carro-chefe
deste mainstream. Basta observar as ações de marquetim, e é este o ZeitGeist, o
espírito do tempo, dos nossos tempos.
Uniforme todo patrocinado, inclusive as
axilas; hoje em dia todos têm, e naquele momento todos zombaram do Corinthians.
Não que eu aceite este tipo de coisa, de jeito nenhum, mas os fatos têm de ser
observados.
As fotos 3x4 na camisa; teve um clubinho nazista que copiou.
Cinema; a madame não conseguiu deixar de imitar.
E esse estádio que se ergue a
todo vapor é um empreendimento do padrão do superbowl estadunidense.
Quer dizer; em 1910 o Corinthians é a contra-cultura, a
Revolução, e seguiremos sendo, pois é esta a seiva da Gigantesca Árvore chamada
Corinthians, cuja raiz é e segue sendo o Povo.
A transformação deve ser entendida pelo desdobramento das
ações da sociedade, pelo que se chama erroneamente de desenvolvimento, se quisermos carregar
essa ideia com a falácia do progresso.
Quando foi consumada a Revolução, o Povo entrou de sola na
cena futebolística perfumada da aristocracia; a lavadeira e o operário suados e
encharcados de fedentina de Povo, com macacão sujo da graxa das máquinas da
fábrica e do motor do trem, fizeram com que a aristocracia reacionária se
esforçasse por dar seu troco. Vem daí a anticorintiania doentia, mas também vem
daí a lenda de que aqui é o país do Futebol.
Não fosse o Corinthians, e não é exagero dizer isso quando
são observados os fatos, o Brasil não poderia ter popularizado o Futebol. Por causa disso tudo, a anticorintiania doentia se dissimulou em todos esses matizes que vemos hoje.
Pobre do Povo que não entende sua História, e me parece que
nem a anticorintiania, que é imersa no ódio gratuito, e nem boa parte da
Corinthianada, está entendendo as implicações de tanta carga histórica.
O Corinthians é instrumento do Povo e, o que está em
curso hoje, está apenas à sombra da luz que é o Corinthianismo. Que a sombra se esvaia no sopro da Luz, com a Força de São Jorge Guerreiro!
O CORINTHIANS SOMOS NÓS!
VIVA O CORINTHIANS
NOSSO DE CADA DIA!!!
quinta-feira, 5 de julho de 2012
Ah, Corinthians...
Não faz duas décadas e à Libertadores foram estigmatizando como sendo algo necessário.
O CORINTHIANS, Campeão Sul-Americano de Bola ao Cesto, Campeão Mundial de Remo, medalhista internacional e Campeão da Taça Brasil de Natação, Campeão Brasileiro de Futebol de Salão, de Futebol de Botão (até isso!), de Handebol, Campeão na Peteca, Campeão Paulista de Tênis (em cima das dondocas madames do paulistano...), talvez tenha demorado um tanto pra conquistar mais essa Taça.
Para Libertar essa Taça do jugo escroque da anticorintianada.
Grande parte de nossas vidas ouvimos dessa gente sem alma que "nunca veríamos Libertadores". Que nunca "seríamos".
Ah, o abismo entre SER e TER...
Ter é muito fácil. Na noite de ontem, sob a luz da Lua Cheia de São Jorge (que preparou aquela Lua durante toda a semana, quem viu, viu!), acabamos por "ter" mais essa Taça.
Que o CORINTHIANS fez grandiosa, de forma invicta, sob as Bênçãos dos Ancestrais que Revolucionaram o Futebol no dia 30 de março de 1913, e foram ser Campeões Invictos em 1914.
A questão que sempre trouxemos à tona neste blogue sempre foi outra. SER.
Quinquilharias não nos enternecem, como fazem à anticorintianada pobre-diabo.
Aqui no CORINTHIANS a coisa é outra. SER CORINTHIANS é levar adiante, na Alma Guarnecida para a Guerra do Mundo, toda a História de Luta de nosso Povo.
Construída com sangue, suor e lágrimas. Muitas lágrimas. Muito sangue. Muito suor.
Ser, de verdade verdadeira e com Alma, é algo difícil para quem é rancoroso e recalcado; e o que é a anticorintianada, senão um bando de carcaça sem alma, ao sabor dos ventos (leia-se: ao sabor do próximo adversário do CORINTHIANS)?
Pois bem; ontem a tal "piada" morreu. A anticorintianada continuará, cada vez mais putrefata, tentando achar um lugar nesse mundo (e fatalmente, nunca encontrando...).
O lugar do CORINTHIANS sempre esteve aqui, por SÃO JORGE.
Pois o CORINTHIANS sempre levou a sua Existência adiante, na luta diária, matando um dragão a cada dia.
E é só isso que sempre importará de verdade.
Vencemos mais uma batalha, Companhia de Jorge!
Parabéns, Família Corinthiana!
Obrigado, Santo Guerreiro Padroeiro, pela noite de Luta e Lua Cheia, por escrever de maneira tão grandiosa mais esta História dentro dessa Gigantesca História chamada CORINTHIANS!
VIVA O CORINTHIANS
NOSSO DE CADA DIA!!!
O CORINTHIANS, Campeão Sul-Americano de Bola ao Cesto, Campeão Mundial de Remo, medalhista internacional e Campeão da Taça Brasil de Natação, Campeão Brasileiro de Futebol de Salão, de Futebol de Botão (até isso!), de Handebol, Campeão na Peteca, Campeão Paulista de Tênis (em cima das dondocas madames do paulistano...), talvez tenha demorado um tanto pra conquistar mais essa Taça.
Para Libertar essa Taça do jugo escroque da anticorintianada.
Grande parte de nossas vidas ouvimos dessa gente sem alma que "nunca veríamos Libertadores". Que nunca "seríamos".
Ah, o abismo entre SER e TER...
Ter é muito fácil. Na noite de ontem, sob a luz da Lua Cheia de São Jorge (que preparou aquela Lua durante toda a semana, quem viu, viu!), acabamos por "ter" mais essa Taça.
Que o CORINTHIANS fez grandiosa, de forma invicta, sob as Bênçãos dos Ancestrais que Revolucionaram o Futebol no dia 30 de março de 1913, e foram ser Campeões Invictos em 1914.
A questão que sempre trouxemos à tona neste blogue sempre foi outra. SER.
Quinquilharias não nos enternecem, como fazem à anticorintianada pobre-diabo.
Aqui no CORINTHIANS a coisa é outra. SER CORINTHIANS é levar adiante, na Alma Guarnecida para a Guerra do Mundo, toda a História de Luta de nosso Povo.
Construída com sangue, suor e lágrimas. Muitas lágrimas. Muito sangue. Muito suor.
Ser, de verdade verdadeira e com Alma, é algo difícil para quem é rancoroso e recalcado; e o que é a anticorintianada, senão um bando de carcaça sem alma, ao sabor dos ventos (leia-se: ao sabor do próximo adversário do CORINTHIANS)?
Pois bem; ontem a tal "piada" morreu. A anticorintianada continuará, cada vez mais putrefata, tentando achar um lugar nesse mundo (e fatalmente, nunca encontrando...).
O lugar do CORINTHIANS sempre esteve aqui, por SÃO JORGE.
Pois o CORINTHIANS sempre levou a sua Existência adiante, na luta diária, matando um dragão a cada dia.
E é só isso que sempre importará de verdade.
Vencemos mais uma batalha, Companhia de Jorge!
Parabéns, Família Corinthiana!
Obrigado, Santo Guerreiro Padroeiro, pela noite de Luta e Lua Cheia, por escrever de maneira tão grandiosa mais esta História dentro dessa Gigantesca História chamada CORINTHIANS!
VIVA O CORINTHIANS
NOSSO DE CADA DIA!!!
terça-feira, 3 de abril de 2012
Bataglia, Corinthians!

"Vamos pagar ingresso pra ver o Timão", cantava a Fiel durante as votações. A discussão aqui não será levada apenas para que o Conselheiro, Diretor, Vice-Presidente, Presidente do Corinthians, e todo e qualquer Corinthiano pague seus ingressos. Isso deveria estar estabelecido.
Quando moleque, com meu Pai Gordão, entrei de graça na carteirada. Mas ele só se utilizava de tal expediente quando era jogo muito lotado. E mesmo que naquela época a imensa fila na bilheteria não durasse até o começo de jogo, sempre chegávamos em cima da hora. Não era raro que o Gordão estacionasse seu automóvel portão 23 adentro.
Mas esse paternalismo acabou, não é mesmo?
Entramos na Era do Bizinisse agora. É a lei de oferta e da procura, para a qual Rosemberg gostaria de nos fazer participar. Pois bem; a procura para o jogo do dia 28 de fevereiro, contra o velho quinzinho, foi aquém da desejada. Tivemos pouco mais de seis mil e quinhentos pagantes.
Um valoroso Camarada me explicava então que o Paulistão está fora de moda.
Argumentei com ele. Disse que nesse caso, paga-se menos por uma etiqueta de "segunda mão". Logo, o preço do ingresso tem de ser menor, e no dia 28 teríamos o público que pode pagar quinze reais (sete reais a meia-entrada), ou seja, Arquibancada lotada (pelo menos dez mil pagantes pra mais, ao invés de seis). Chegamos ao barateamento do ingresso (ao menos no Paulistão...).
A "procura" varia conforme a precificação do produto, ou o que isso lá quereria dizer. Barateamento da oferta leva à procura, ou qualquer lógica causal desse tipo.
Mas o preço injusto, mesmo, é o da Laranja e o das Numeradas. Trinta reais na Laranja já é caro, mas o brasileiro está se lambuzando no costume de se diferenciar pelo bolso. Não faz sete anos, o picadinho custava cinco reais no buteco. Hoje, menos de oitão é difícil de achar. Vai comer um picadinho na Paulista, ali o preço é diferenciado. Mas picadinho é muito fora de moda, e dizem que o Paulistão vai nessa toada...
Vamos então diminuir o preço do ingresso no Paulistão, cinqüenta reais a Numerada, e veremos o Paulistão "voltar pra moda".
Pra quem se comoveu com essa coisa de moda, devemos esclarecer que: Corinthians transcende essa coisa; Futebol está longe de participar dessa coisa; Torcida vai a todo e qualquer jogo, sendo extremamente desimportante essa coisa. Hoje, os "fixos", somos em três mil, oscilando pra mais ou pra menos. Há dez anos, éramos o dobro disso. Há vinte, nas épocas das carteiradas do Gordão, éramos vinte mil. O que hoje figura como cadeirinha laranja no Templo Sagrado era ARQUIBANCADA de cimento. Enfim, o que acontecia que hoje não acontece mais? Saiu de "moda"?
Disseram também que o preço é impagável.
Essa contra-corrente, que desfaz a visão de que o preço é "justo", argumenta não apenas com o que foi dito no parágrafo anterior, mas também se baseia em números. O total arrecadado com os preços altos é menor do que o total arrecadado com preços razoáveis (o que o brasileiro tem que entender é que preço nunca é "bom"), com a "vantagem" (ou dever de toda e qualquer Diretoria do Corinthians?) ainda de termos um público digno das Tradições da Fiel Torcida.
Por isso andam dizendo tanto que existe uma intenção de elitizar.
Daí os adversários destes respondem, reafirmando a lei de oferta e de procura, que num jogo mais procurado o preço vai se tornar fator de "perda de dinheiro"; é num jogo desses que temos que lucrar, dizem.
Há muito tempo que bilheteria deixou de ser a renda principal de um Clube. Mas quando se vê a Fiel Torcida, o pensamento mercadológico aguça. E então vemos 'cronistas' comparando os preços que alguns clubes praticam para chegar a uma renda semelhante a do Corinthians, e temos de frisar o fato de que está lidando com uma grandeza distinta quando se trata de Fiel Torcida.
Assim, diminuindo no papel a Fiel Torcida, o abutre está indo na mesma direção da elitização, cujo primeiro passo é homogenizar esse imaginário que liga Torcedor a marginal, Arquibancada a violência, preço injusto e excludente a simples lei de "oferta e procura" (sem contar que deixar de arrecadar continua sendo péssimo para os negócios, mas mesmo tendo instrumentos para medir a justeza do raciocínio do preço razoável, preferem manter o patamar de preços em moldes elitistas).
Dentre os Feitos e Glórias do SPORT CLUB CORINTHIANS PAULISTA, os maiores não são meras conquistas dentro dos quadriláteros, da piscina, em canoas (aliás, ter se tornado o mais completo clube Poliesportivo que se tem notícia na humanidade bem que poderia ser o terceiro maior feito do Clube do Povo...).
O Primeiro é a Revolução Corinthiana de 30 Março de 1913.
Nesta tarde de domingo houve Procissão Popular do Bom Retiro até o campo do Velódromo, e da Consolação até o Bom Retiro, na volta. A cidade que ainda não era monstruosa, parou. Subia para o campo da aristocracia aquele clubinho que era uma saleta, com mesa de ping-pong, cuja gaveta servia de urna nas intempestivas assembléia daquele bando de loucos. Subia para as perfumadas Arquibancadas o cheiro de graxa de êmbolo de motor de trem e de bonde, o cheiro de suor da labuta, o cheiro de bóia-fria da marmita. As dondocas se horrorizam.
Aquele clubinho, porém, tinha um TIMÃO em campo, e ganha com a benção da Deusa Bola o acesso ao campeonato dito "oficial". Tratava-se do Galo Varzeano de sua época. O Corinthians Paulista nasceu sendo o Selecionado Varzeano de Piratininga.
Mas a aristocracia teve furor intestinal ao se imaginar junta daquela gente, e se retirou do campeonato que ela mesma fundou. Cria um "olimpo" de três clubes, a APEA, e faz a imprensa de porta-voz, chamando a Liga Paulista de "liga pobre".
(Observemos que a aristocracia brasileira nunca quis oferta, para não haver procura)
O Corinthians será o Campeão Paulista Invicto de 1914, e será o único a fazer frente ao Torino, em agosto daquele ano (fato que acendeu o pavio da italianada que fundou uma società filodramática e dançante "só dela", e hoje, com a bracciola entalada na garganta, desaprendeu a fazer polenta).
Com dois campeonatos de 'experiência', a aristocracia descobriu que sua fonte de renda, o público nas partidas, era por demais escasso.
Vejam só, havia um clube na cidade que vivia só de renda de público, sem dinheiro de mecenas! Que atrairia um público de verdade ao enfadonho campo aristocrático.
E o Corinthians era um bicão de marca maior. Pretende entrar na festa da aristocracia. Ela sinaliza positivamente. Convence o Corinthians de que precisa se desligar da Liga.
Mas quando o Corinthians bate à porta, solicitando a entrada, a madame lhe responde que irá apenas participar de amistosos em nome da APEA, contra os times dela. Mas que não se preocupasse, pois a renda seria repartida, meio a meio.
Assim, o Corinthians teria renda e sobreviveria.
A madame sabia muito bem disso. Quantos clubes varzeanos não morreram à míngua?
Era a hora esperada de esfacelar aquele clube e depois recolher os despojos. Aliciar seus excelentes jogadores.
O Corinthians Paulista não resistiria àquela rasteira tão bem-dada.
Mas tinha alguma coisa estranha naquilo. Foram passando os meses, cada clubinho de madame dava uma desculpa diferente para adiar o confronto com o Corinthians (o plano era sistemático, observem), o Clube é obrigado a ir fazer um jogo no interior por conta própria pra poder balancear o defasadíssimo caixa, é penalizado pela APEA por isso, mas mesmo assim, todos os jogadores voltavam para o Corinthians.
Era esse imaginário de pertencer à uma Congregação Popular genuína, de um Cosmos mais elevado, que agora já se tornava de fato uma Mentalidade.
Tudo fizeram para neutralizar, ou mesmo reprimir, e dispersar esse bando de louco.
Mas os caras eram bons. Os Gênios do Povo não estavam para brincadeirinhas de salão.
Com a cara e a coragem, como massa de pão que quanto mais bate mais cresce, como azeite tirado da pressão, o Povo Corinthiano resistiu. Nunca dependeu de viabilidade financeira para existir. Sua própria condição de existência, e tudo o que pode ser entendido por existência, consistia numa RESISTÊNCIA.
Portanto, o Segundo feito do Corinthians é concretizar a Resistência Corinthiana de 1915.
O segundo feito é elemento que esteve intrínseco ao primeiro feito, e é também representado pelo próprio Ato de Fundação, com tudo o que lhe envolve.
O segundo feito é também desdobramento do primeiro na re-afirmação do Clube que representa o excluído, mas que tem o papel histórico de agregá-lo e afirmá-lo.
As décadas posteriores aos feitos comprovam o vulto e a dimensão do que surgia.
No final da década de cinquenta foi recolhido um depoimento, de Raimundo de Magalhães, ex-garimpeiro cearense, operário na paulicéia, encontrado na fronteira com a Venezuela, trabalhando os seringais. Foi presenteado com um chaveiro do Corinthians, assentado que já estava num fim de vida, em seu hotel de fronteira.
Poucas coisas explicam tão bem a imensidão do movimento gerado pelos dois grandes feitos do Corinthians.
"Eu era operário e ia de bonde para a Fazendinha. Ia com minha mulher, que a morte levou. Vi quando o CORINTHIANS marcou 103 gols. Vi Teleco ser artilheiro. Vibrei com Brandão, com Roberto, com Idário, com Rosalém e com Cláudio e Luizinho. Assisti Carbone marcar tentos memoráveis. Quando, nos seringais, sozinho, distante dos meus, eu vivia, de tudo isso me recordava. E relembrava, saudoso, o meu CORINTHIANS. Este distintivo, se não for comigo para o túmulo, quero dá-lo a um de meus filhos. Porque eu os ensinei a serem Corinthianos, também. O CORINTHIANS foi o clube que me acolheu, na juventude, oferencendo-me o que eu, como homem pobre, não podia ter: a sua Sede Grandiosa"
FAMÍLIA CORINTHIANA,
O CORINTHIANS É COISA SÉRIA. E É COISA NOSSA.
Já não é mais questão de "manter" os preços, é questão de INCLUSÃO.
Quando o Corinthians realizou o Mutirão da Ponte Grande, outro grande feito derivado dos dois grandes feitos, o fez para ter um campo próprio, onde pudesse subsistir autonomamente nesse meio pantanoso que era a relação com os clubes de elite.
De 1918 até a transferência para a Gloriosa Fazendinha, em 1928, a Ponte Grande foi o esteio do Corinthians Paulista. O Timão tinha desde já seu campo e sua fonte de renda. Começou na Ponte Grande uma hegemonia que durou mais de duas décadas. São Jorge abençoou os feitos ao longo da História desde então (e desde sempre).
O Corinthians é SEDE GRANDIOSA do Povo, não se deixem enganar por leis mercadológicas, que aqui não funcionarão nunca.
AQUI É CORINTHIANS!!!
VIVA O CORINTHIANS NOSSO DE CADA DIA!!!
segunda-feira, 26 de março de 2012
Lá e de volta outra vez
Longo tempo distante do blogue, cá estamos de volta.
O resultado da eleição confirmou o prognóstico e o Corinthians segue a gestão de Luis Paulo Rosemberg. E o presidente eleito vai precisar mostrar que gosta da Torcida, pois ela chega em peso no Conselho. Que Flávio La Selva seja lembrado cotidianamente, portanto. E que suas lições sejam postas em prática.
A Natação Corinthiana evolui a cada dia (para desespero da anticorintianada desta modalidade) e hoje 12 atletas Corinthianos estão embarcando, para o Grand Prix de Indianapolis. O Futsal Corinthiano também melhorou do ano passado pra cá (logo de saída goleamos a antiga parceria, e neste sábado a madame falida e freguesa foi massacrada). A Peteca Corinthiana já começou o ano bem, vice na 1ª etapa do Paulista. A direção do Futebol Masters está a cargo do Departamento Cultural a partir de agora, o que faz todo o sentido, e Basílio será seu coordenador. O Corinthians é o primeiro Campeão Brasileiro de Futebol de Areia (4 a 1 na pequena sereia).
O Futebol ontem conquistou uma virada contra aqueles que não sabem mais fazer polenta. Afinal, com sofrimento é muito mais Corinthians! Agora, estamos líderes no Paulista (confronto direto é sempre nosso, mas dividimos o primeiro lugar com a freguesa purpurinada das mil falências não-declaradas), e líderes na chave da Várzea de América.
O Corinthians do Adenor é um come-quieto que ninguém aguenta. A anticorintianada, pelos resultados positivos (ah, que é isso? elas estão descontroladas). Nós, Povo do Corinthians, porque o futebol jogado é feio e chato de se ver.
Mas no Brasil, hoje, quem joga bonitinho é porque um jogador leva o time. No dia que ele tem diarréia, o time não joga. E por mais gaúcho que seja seu estilo, e por mais que possamos ver resultados ruins no seu planejamento, Adenor segue trabalhando. E contra todo e qualquer time que joga feio igual Sr. Adenor tem conseguido bons resultados. Às vezes o Futebol entra nesse redemoinho dos resultados positivos.
Enquanto isso, o "mercado consumidor" Corinthiano tem cacife pra bancar o "ticket médio" mais caro. E a Referência chamada Corinthians se faz presente até na elitização do Futebol. E, ao mesmo tempo, é o único elemento com real bagagem histórica para fazer frente a esse processo. O Corinthians somos nós, Família Corinthiana. E nenhum torcedor é mero "consumidor". Em pouco tempo deixaremos de existir nas Arquibancadas, pois elas já não existirão. Ou aproveitamos os últimos suspiros pra nunca mais, ou fazemos valer a Arquibancada. Para isso precisamos de união; é só isso que garante a nossa voz.
(Leia o Samurai)
No mais, VAI CORINTHIANS!!!
"As fadas, musas olímpias
Todas elas se dizem Corinthians
Eratos, Euterpes, Urânias
Quietinhas, mas Corinthianas
Dia de jogo logo cedo
O que se passa comigo é segredo:
Coração bate que pula
Senhor São Jorge é quem me segura
Mas o Corinthians vai crescer, crescer, crescer
Com a vibração daquela fé
Tenha ela o nome que quiser
Força, magia, feitiçaria,
Porque se o inimigo
Tem truque nos pés
O Corinthians tem 1910"
O resto é areia. Desde 1910.
SARAVÁ SÃO JORGE!!!
VIVA O CORINTHIANS
NOSSO DE CADA DIA!!!
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
A República Corinthians
Poderíamos reiniciar este blogue falando da Copinha, muito bem conquistada pelos moleques e pelo Narciso, que montou um time com atitude, que buscou o jogo e criou um bom jogo de bola, tendo sólidas todas as funções em campo. E o jogo final, contra o frufru, foi um baita jogo, em que a Raça Corinthiana se fez valer. Aliás, o Adenor poderia ter, pelo menos, umas aulas com Narciso, já que não vai embora com seu futebolzinho ramelento (e ainda assim ele ganhou o campeonato, né? O que esse corneteiro está dizendo, por São Jorge? Que cara chato...).
Mas isso nem de longe é o que quereríamos dizer por aqui. Até porque ficou tarde pra isso, né? Estamos em fevereiro já.
O destino do Corinthians não será decidido nestas eleições, caros Camaradas.
Já está decidido há algum tempo, mas você nem sabe disso. Enfim.
Antes de qualquer coisa, é necessário que se leia o SAMURAI.
E se ali a situação está sendo decupada, que se jogue as mesmas luzes na tal de oposição. Pois o episódio da votação do chamado "chapão" foi a panacéia da "democracia" mais à toa que alguém, em sã consciência, poderia contemplar.
A coisa não é bonita, pelo contrário. A drasticidade da coisa não nos deixa mentir. Caminhamos para um processo imaturo de mundialização forçada e especulativa, dentro de moldes que não condizem com a nossa História. Sim, isso no Futebol como um todo, nos esportes quase em geral, mas aqui no Corinthians - e justamente por ser sempre o carro-chefe da história - a coisa fica "monstra", como diríamos. Isso é um fato, e se alguém reluta em perceber tal fato, as recomendações do Samurai na primeira linha do texto indicado servirão também aqui.
A anticorintianada, por sua vez, está perdidinha. E sempre estarão; as vibrações do obscuro são inebriantemente o próprio fim. Então, mordam esse pequi cru e rasguem a própria língua. Encham de espinhos a gengiva. E recolham os restos moídos dos cotovelos, que ninguém quer o chão sujo dessa poeira fétida de vossas carcaças.
E nós, Camaradas?
Esta proposta que segue abaixo é tão "meramente" reflexiva quanto um real ponto de partida para qualquer discussão sobre este tema.
O Corinthians não é brincadeira. Atentem-se a isso.
Enquanto tivermos gente agindo em função de si própria e não em função do que deve ser o primordial - O CORINTHIANS! - estaremos num redemoinho, como estamos agora. Numa curva de rio, sem sair do lugar.
Precisamos AGIR, e parar de reagir, diria meu sábio Irmão de Fé.
Sábado agora teremos um festival de democracia no Clube. Aquela democracia do tipo senado da Roma antiga. Mas deveríamos já estar em outra vibração dentro da Cidade Corinthians, afinal já passamos por episódios muito mais emblemáticos em nossa História.
Vivemos essa crise de consciência. Então vamos resolvê-la, Camaradas.
AQUI É CORINTHIANS!!!
Chapa “Bataglia Corinthians”
Com sua gente, o Corinthians é sempre maior!
Passa o tempo. Muda o cenário. Porém, a política clubística pouco se transforma no esporte bretão. Se sabemos dessa incômoda realidade, por que nos contentamos com mais do mesmo? Se o Sport Club Corinthians Paulista é uma agremiação realmente diferenciada, por que não lidera a necessária revolução na gestão do futebol brasileiro?
Você, confrade corinthiano, pode indagar: não bastam os títulos, o novo centro de treinamento e o estádio que será palco da abertura da Copa do Mundo?
Sem dúvida, são conquistas a serem celebradas. Em 2011, vibramos com a disciplina e o esforço dos vitoriosos comandados de Tite. Também consideramos importante a modernização das instalações do clube, do CT e da sede social, no Parque São Jorge.
De forma especial, valorizamos a construção da arena esportiva em Itaquera, referência de desenvolvimento para a Zona Leste da Capital. Trata-se de empreendimento indispensável à metrópole, semente de prosperidade e materialização do justo anseio de nossa coletividade.
Será, no entanto, que isso basta para a mais vigorosa instituição popular do país?
Você pode estranhar a afirmação do parágrafo anterior, mas concordará conosco se conceder um minuto à reflexão.
O Corinthians não surgiu do desejo de um barão do café, de um rico industrial ou de jovens da elite quatrocentona. Tampouco teve origem nos interesses de um grupo étnico, religioso ou econômico.
Nosso clube surgiu em 1910, da vontade e do esforço do povo do mundo aqui radicado. Criou-se do empenho do operário, do carroceiro, do barbeiro, do alfaiate, do pintor de paredes, da lavadeira, do padeiro, do homem que abria na picareta o caminho do bonde.
O Corinthians é fruto do zeitgeist da urbe em metamorfose, que cresce na diferença, que aprende pelo desafio, que procura converter o conflito de classes em síntese de entendimento e cooperação.
Redescobrindo as origens
No Bom Retiro, reduto de imigrantes, o SCCP surge inspirado no humanismo libertário, na cultura de contestação dos que exigiam a universalização de direitos e a erradicação do modo de pensar e agir vigente, baseado na exploração, na intolerância e no preconceito.
Nos teatros da mocidade fabril anarquista, nos debates de rua sobre os artigos de Gigi Damiani, na Escola Libertária Germinal e no Circolo de Studi Sociali, nossos fundadores se convenceram de que podiam e deviam ser protagonistas da história. Decidiram que seriam agentes da mudança também por meio do esporte.
O Corinthians já surgiu grande porque fundiu aspirações de um coletivo miscigenado. Tinha seus brasileiros de antiga raiz, seus laboriosos italianos, seus inquietos espanhóis e seus perseverantes lusitanos.
Por conta de sua vocação gregária e de seu coração gigante de afetos, logo ganhou a adesão dos afro-brasileiros, dos caboclos, dos sírios, dos libaneses, dos gregos, do japoneses, dos lituanos e de outras gentes que vinham tentar o sonho brasileiro.
Nosso primeiro presidente era um homem simpático, amável, arguto e de visão ampla. Miguel Bataglia via o futebol como experimento inclusivo e comunal. É dele a frase, ao mesmo tempo simples e profunda, que nos resume e motiva:
- O Corinthians é o time do povo; e é o povo que vai fazer o time!
Nosso clube inaugurou um novo sentido de brasilidade, já Modernista em sua essência original, em que a diversidade antropofágica era admitida e até valorizada. De acordo com o estatuto de 1913, eram aceitos como sócios “indivíduos de bons costumes, não se observando nacionalidade, religião ou política”.
O documento também atesta que os primeiros corinthianos mantinham interesses que superavam a pugna esportiva: “de acordo com o estado financeiro, o club terá uma biblioteca, aceitando donativos de associados, e organizará, quando possível, matchs, pic-nics e saraus”.
Essa ideia holística de organização está impressa indelevelmente no DNA do time do povo. Por isso, há mais de um século, muitos alvinegros costumam confessam que nem gostam tanto assim de futebol. São apaixonados é pelo Corinthians e por seus múltiplos significados.
Isso não quer dizer, de forma alguma, que o futebol não tenha sido importante para a formação desta imensa Nação. O povo mais simples, desde sempre, buscava um esquadrão forte e vencedor para representá-lo num esporte até então reservado às elites.
E o Corinthians pôde atender com brio a esta demanda. Na várzea, tornou-se logo imbatível. Com apenas quatro anos de idade, sagrou-se Campeão Paulista, com 10 vitórias em 10 partidas. Dois anos depois, voltou a conquistar o título, arrebanhando mais torcedores.
Ser vanguarda: o destino do “mais brasileiro”
Num momento de afirmação dos movimentos populares, os corinthianos exigiam representantes batalhadores. Não bastava vencer. Era preciso mostrar empenho e muita garra. O herói clássico, como Neco, era aquele que saía de campo sujo, suado, arranhado, depois de representar seu povo na cancha de jogo. Éramos assim. Continuamos assim.
O Corinthians nasceu de corajosos guerreiros outsiders. No entanto, jamais acomodou-se num gueto. Logo, acolheu simpatizantes entre a elite intelectual, como o escritor, jurista e professor José de Alcântara Machado d’Oliveira.
No decorrer de sua formidável história, o Corinthians ofereceu magníficas aulas de participação nas grandes mobilizações nacionais. Seus aficcionados participaram da Greve Geral de 1917 e gritaram palavras de ordem políticas após a goleada contra o Ypiranga, em julho daquele ano.
Em 1945, o clube realizou uma partida contra o rival Palmeiras. A renda foi utilizada para auxiliar as forças populares na disputa política. Nas montanhas geladas da Itália, durante a II Guerra, muitos pracinhas paulistas costumavam parodiar a Canção do Expedicionário: “não permita Deus que eu morra, sem que volte a ver o meu Corinthians”.
A principal torcida do clube, a Gaviões da Fiel, surgiu da iniciativa jovens que exigiam democracia no clube e, ao mesmo tempo, lutavam contra o regime de arbítrio instituído pelos militares no Brasil. Era o caso de Flavio La Selva, cidadão solidário, responsável e consciente, sócio número 1 da organizada.
Nas arquibancadas, exigimos “anistia ampla, geral e irrestrita” e informamos que “presidente quem escolhe é a gente”.
Experiência única no mundo
Se este é o nosso ethos, não poderia prosperar em outro sítio um movimento como aquele liderado por Sócrates, Wladimir e Casagrande. A Democracia Corinthiana honrou nosso espírito de vanguarda e provou mais uma vez que o SCCP é muito mais que um clube esportivo.
Além do vistoso futebol exibido em campo, nossos atletas e membros da comissão técnica revolucionaram a gestão esportiva e contribuíram decisivamente na luta contra a Ditadura Militar.
Até hoje, o corinthianismo tem inspirado condutas transformadoras nos mais diversos setores. No Brasil, quando há luta por paz, democracia e justiça, há quase sempre um corinthiano presente, muitas vezes envergando a camisa surrada, bicolor, que simboliza o sonho de nossos ancestrais do Bom Retiro.
É essa cultura de exercício da cidadania que faz o Corinthians tão odiado, tão caluniado e tão perseguido. Mas é também essa personalidade ímpar que o faz tão fascinante, tão respeitado e tão amado.
Se o Corinthians é nossa vida e nosso amor, nada mais justo que reverenciar sua história e revalorizar sua vocação transformadora.
Um Timão nota 10
As 10 propostas da chapa
“Bataglia Corinthians”
1. Inclusão Massiva – Com cerca de 30 milhões de torcedores e a marca mais valorizada do país, o SCCP deve rever urgentemente sua estratégia de gestão de ativos humanos. Hoje, desperdiçamos recursos e energia com uma política restritiva e elitista do produto futebol. Dessa forma, amplos segmentos da comunidade corinthiana estão sendo afastados da vida do clube. Essa conduta pode gerar, a curto prazo, um incremento de receitas. A longo prazo, no entanto, reduz o contingente de aficcionados e dificulta a implementação de projetos de massa. Para manter seu novo e caro estádio, por exemplo, o clube precisará de público numeroso em todos os seus compromissos.
2. Engajamento por responsabilidade compartilhada – Nos países desenvolvidos, ganham força hoje os projetos sociais e econômicos de gestão coletiva. Seja no compartilhamento de bens ou na troca de serviços, o mundo busca formas de engajamento na administração dos empreendimentos. Não se trata de reprise do coletivismo forçado, mas de uma conversão dos próprios atores do teatro capitalista. Num mundo com recursos escassos e consumo desenfreado, colocamos em xeque a manutenção da própria civilização. Você já percebe esses sinais no trânsito infernal, na enchentes de verão, na contaminação dos alimentos e no recrudescimento da violência urbana. Ou mudamos ou perecemos. Para que assumamos um novo caminho, precisamos horizontalizar o poder, delegar atribuições e mobilizar os membros das organizações, sejam elas públicas, privadas ou de cunho associativo comunitário. Cada corinthiano necessita, portanto, assumir sua quota de responsabilidade. Engajados, somos mais fortes. Compartilhando, fazemos crescer o objeto de nossa paixão.
3. Universalização do direito participativo – Todo corinthiano deve ter o direito de participar da vida do clube. Hoje, o que vemos é um quadro associativo restrito, uma comunidade fechada, em que falta a diversidade e a dissonância criativa. Muitos clubes pelo mundo vêm desenvolvendo sistemas alternativos de associação, procurando agregar também aqueles aficcionados dos estratos econômicos C, D e E. Não há como descrever o júbilo do corinthiano que se vê formalmente agregado à instituição, seja por conta de um título patrimonial ou pela adesão a um programa de torcedor. Nosso atual sistema, no entanto, despreza os corinthianos do interior paulista e de outros Estados. Como afirmar que este é o “clube mais brasileiro” se nos conformamos em abrigar uma pequena elite, preponderantemente paulistana, em nossas fileiras? Até mesmo como estratégia de marketing, o Corinthians precisa alargar seus horizontes e encontrar meios de associar o maior número possível de torcedores, recebendo mensalmente suas contribuições e, em contrapartida, oferecendo-lhes acessos, informação selecionada, descontos em produtos e outras facilidades.
4. Política de voz e voto – Todo associado deve ter respeitado seu legítimo direito de opinar sobre os destinos do clube, de modo que propugnamos a constituição de um fórum permanente de ideias e sugestões, com encontros pontuais e interface de comunicação virtual. Além disso, deve ter garantido seu direito a voto nas eleições para a formação do conselho e da diretoria. Isso quer dizer que consideramos fundamental que o torcedor, alma viva do Timão, tenha assegurado seu direito de co-gerir a instituição, dentro das normas estatutárias internas e das condições estabelecidas pelas leis em vigor.
5. Fusão de instrumentos associativos – Urge, desde já, a extensão de direitos de participação aos detentores de quotas do programa de sócio-torcedor hoje vigente. Já é norma, em muitos clubes, que esses agregados tenham direito a voto nas eleições do clube. Por respeito à isonomia, é necessário que a qualificação como sócio patrimonial garanta ao corinthiano acesso facilitado à aquisição de ingressos.
6. Interiorização do clube – Faz-se fundamental a constituição de uma política de expansão do clube, com sedes em regiões marcadas pela aglutinação de adeptos. Londrina, Uberlândia, Campo Grande, Goiânia e Recife, entre outras cidades, merecem, em tempo breve, contar com extensões físicas do clube do povo.
7. Justa devolução à sociedade – As sedes atualmente existentes e outras que vierem a ser construídas, devem honrar o compromisso dos fundadores. O Corinthians é grande demais para se limitar ao esporte. Seus redutos devem, desde sempre, figurar como opções de lazer e entretenimento comunitário. Também é fundamental que sirva como polo educativo para as populações locais. Deve ser, como sonhado pelos brasileiros do Bom Retiro, um lugar de aprendizado permanente, oferecendo cursos e organizando palestras e debates sobre os mais diversos temas.
8. Valorização de nossos recursos humanos – Desde já, é preciso transformar em craques os milhares de pequenos corinthianos e corinthianas que se destacam nos mais diferentes esportes. Nossas divisões de base, no futebol e outras modalidades, devem receber atenção especial. Esse processo de recrutamento e seleção deve abranger as sedes regionais, citadas na proposta 6, de forma a se aproveitar de maneira integral a oferta de jovens talentos. Propomos a implantação do projeto “Corinthiano do Futuro”, destinado a oferecer assistência de saúde e educação integral aos jovens das divisões de base. Esses valores devem ser contratados pelo SCCP e, assim, protegidos da ação funesta de agenciadores e empresários.
9. Criação da Universidade Corinthians – Constituição de uma instituição com foco em ensino superior, pesquisa e serviços comunitários. Os cursos, inclusive os de pós-graduação, devem valer-se das peculiaridades do clube, oferecendo aos alunos experiências práticas na rica diversidade do universo corinthiano. Cursos de Medicina Esportiva, Fisioterapia, Psicologia, Nutrição, Ciências Sociais, Comunicação e Administração Esportiva devem receber especial ênfase na universidade. Atletas profissionais, atletas da base e associados devem ter acesso facilitado às atividades da instituição, de forma especial às jornadas de extensão. Haverá parcela mínima de portadores de deficiência e indivíduos economicamente desfavorecidos nos cursos de graduação, extensão e especialização.
10. Formação de um Corinthians forte e vencedor – Obviamente, essas ações devem compor um cenário de fortalecimento das finanças e da imagem da instituição, o que resultará num aprimoramento das equipes. Um Corinthians de gente engajada e responsável será mais forte, terá receitas que superarão largamente as despesas, contará com atletas de ponta e será vencedor nas principais competições esportivas, seja no futebol, no futsal, na natação, no basquete, no handebol e em outras modalidades. É preciso que os dirigentes do Corinthians saibam que o “business” é, sim, importante, mas nunca como finalidade. Bons negócios e empreendimentos, em nosso caso, são “meio”. O principal objetivo do gestor corinthiano será proporcionar satisfação ao torcedor. Antes de uma transferência lucrativa, preferimos o título. Antes do sucesso do agente de atletas, desejamos equipes competitivas, capazes de honrar nossa tradição vitoriosa. Antes do acordo entre negociantes, buscamos mais uma glória do campeão dos campeões.
Por que aderir a esta chapa
A chapa “Bataglia Corinthians” não concorre oficialmente nas eleições corinthianas de 2012. No entanto, não deixa de oferecer, de forma legítima, uma alternativa ao modelo tradicional de gestão do futebol.
Algumas dessas ideias foram colhidas de modo informal em conversas com o atleta Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira (1954-2011), um dos líderes da Democracia Corinthiana. Ele é, portanto, nosso candidato à presidência do SCCP.
Incluímos também propostas colhidas entre outros artífices da DC, como o atleta Wladimir Rodrigues dos Santos. Outras reivindicações surgiram da manifestação dos torcedores, organizados ou desorganizados, que seguem o Corinthians, no Pacaembu e em outras praças esportivas do país.
Consideramos que o mundo mudou e com ele o conceito de gestão e sucesso. No futebol destes novos tempos, não haverá mais espaço para oportunismos, farisaísmos e esquemas predatórios, destinados a beneficiar cartolas e grupos corporativos que vampirizam a comunidade de torcedores.
O Corinthians deve ser palco do melhor da vida, nunca uma vitrine para especuladores e oportunistas.
Valorizamos nossa história, valorizamos nosso rico capital humano, valorizamos a construção compartilhada do conhecimento, valorizamos o engajamento individual, valorizamos a comunhão, valorizamos a democracia, valorizamos a sustentabilidade econômica, social e ambiental de todos os projetos associados ao esporte.
Vai, Corinthians! Seja o que você é! Não pare, você também, de lutar!
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