(Essa foto clássica expressa nada mais que a ordem natural das coisas, que o Clube do Povo vai fazendo vigorar.)
Com sua formação original quase completa, o Coringão jogou para ganhar nesse Domingão, como terá de ser daqui em diante. Após uma tenebrosa tormenta, o Clube do Povo retorna à briga. Mesmo que o frufru tenha seu costume de roubar pênaltis (lembram-se de 2006, 2007 e 2008? Acontecia essas coisas à madame, também) para conseguir ao menos um pontinho, o Corinthians depende de sua Força ainda, para almejar o campeonato.
No entanto, o que nos importa agora é que botamos o porco no rolete. Comemos uma feijoada com arroz branco e feijão preto. E o Coringão, Família Corinthiana, jogou de meias pretas.
A estréia de Tite foi fortuita. Os caras quando tomam vergonha na cara jogam bola. Que Tite e o grupo entendam que estes sete jogos que faltam são sete finais de campeonato.
E a porcada? Bem, ela contou com a ajuda do carequinha do apito, que perseguiu Elias o jogo todo achando que poderia conter o Corinthianismo do Guerreiro. AQUI É CORINTHIANS!!! E quando botamos a porcada na roda, os porquinhos chafurdaram na lama da apelação. Jucilei foi vítima de uma dessas que, fosse o apito verdadeiramente sério, o porquinho teria sido expulso. Até camisa eles seguraram, com migué total e irrestrito do apito amigo do ragogneti.
Mas vencemos, com chute de Bruno que resvalou no zagueiro, tirando o goleiro da jogada.
Como disse Chris Lima, na narração da www.radiocoringao.com.br, vendo Elias e Ralf comemorando a Vitória na cara do canalha do apito, em campo ainda: "esse Timão está mais unido agora". A defesa está mais coesa, avançou muito nos últimos três jogos. Voltou a jogar, na verdade. Muito porque o meio-campo está resguardado. O Timão voltou a jogar bola e está na briga. Quarta agora é GUERRA! Concentração total, Família Corinthiana. É matar um dragão por jogo, por São Jorge! SARAVÁ SANTO GUERREIRO!!!
O Corinthians, sabemos, nasceu dos braços fortes e dos pés hábeis do Povo.
O Clube do Cometa cumpriu sua Utopia, com menos de três anos de História. Devolveu o Futebol ao Povo, em março de 1913.
A aristocracia dissimulou, fingindo que criava um campeonato só dela onde poderia continuar sendo campeã. Mas o Futebol de Verdade já havia invadido suas plagas, e aquele que ainda seria em 1914 o Campeão Invicto da Liga Paulista de Futebol, veio a ser muito bem notado pelo seu excelente jogo de bola de Moleque Varzeano.
Mais bem notado internacionalmente que os times da aristocracia, isso com apenas quase quatro anos de História. O Torino passava por Piratininga em agosto de 1914.
Com sua camisa grená e jogadores de altíssimo nível técnico, além de profissionais, despertara os sentimentos nostálgicos dos italianos de Piratininga, e de seus filhos.
Tudo ajudou para que suas exibições em gramados paulistanos fossem cercadas de enorme emoção.
O Torino era tão bom de bola que no primeiro jogo, contra o Internacional da capital, deu um show de competência e ganhou de 6 a 0. No segundo jogo, malhou um selecionado da Liga Paulista de Futebol por 5 a 1. A terceira partida ia ser contra o Corinthians Paulista, em quinze de Agosto.
Era uma prova de fogo, uma experiência inédita para aqueles moleques vindos dos campos varzeanos. O resultado surpreendeu pela contagem "modesta" da vitória torinense. Os italianos fizeram 3 a 0 e olhe lá. Não foi moleza, não.
Quem imaginava que o Corinthians fosse sair de campo arrasado (ó erva daninha das hortas divinas; anticorintianada de m...!) viu o contrário: o Alvinegro deu o maior suadouro nos torinenses. Mas perdeu, e pronto. Porém, com dignidade e muita Raça.
E, claro, para que não se percam nesse fio da meada, devemos dizer que Minoli, o árbitro, não foi dos mais competentes. O primeiro gol do Torino foi de pênalti, duvidoso. O segundo foi uma falha do arqueiro. E o terceiro, marcado em "flagrante impedimento", segundos as crônicas, que Minoli, reinaugurando a fama adquirida pelo portador de apitos, ignorou com a solenidade dos detratores.
Para desforrar-se dos 5 a 1 - e vexada pelo resultado mais honroso obtido pelo Corinthians - a Liga Paulista de Futebol desafia o Torino para nova partida contra seu selecionado. Mamma mia! O resultado da emenda foi bem pior que o soneto. Tunda de 7 a 1. Não havia o que discutir, o Torino era arrasador. O negócio era enfiar a viola no saco e deixar os rapazes da Bota jogar em outra freguesia...
Mas o Corinthians - ah, esse Corinthians!... Que faz o Corinthians?
Não se conforma com a derrota, não! Pede revanche também. Desforra!
Os italianos não podem recusar, seria fugir da luta, se desmoralizar. Bem, então agora eles iriam mostrar todo o seu jogo. Iriam massacrar aquele time metido a besta.
O Parque Antártica estremeceu naquele dia vinte e dois de Agosto. Gente encarapitada até nos muros. A Colônia Italiana, parte da qual já vinha sonhando com um "clube só dela", comparece em peso.
O pessoal que torcia o nariz para o Alvinegro do Povão achava que seria aquela a oportunidade de vê-lo cair de quatro, de cinco, de dez...
Os Corinthianos, com a pulga atrás da orelha, desconfiavam se aquilo não ia acabar mal, e mesmo assim dividiram com a anticorintianada todo o espaço em torno do gramado.
Começa o jogo. Os minutos escorrem, fluem, rolam como a bola em campo.
O Corinthians estava uma fúria, exibindo toda a Raça com categoria. Jogava como se fosse de ouvido. Impressionante harmonia entre todas as suas linhas. O Torino tenta ir, mas não vai. O placar se movimenta para os dois times: 1 a 1 nos primeiros 45 minutos! Mosso, para o Torino, Américo Fiaschi para o Corinthians Paulista.
O segundo tempo é tudo ou nada. Luta renhida, partida disputada em alta tensão, alta temperatura, mas perfeita disciplina. É jogo de bola, não de canelada.
Atenção, torcida brasileira! O Jogo vai empatar! Faltam 3 minutos para... ih, ó lá, o torinense Debernardi controla a redonda, avança, impetuoso, pimba! Desfere um tiro de bico de chuteira. Uma bomba. O arqueiro Sebastião voa, arroja-se, faz defesa parcial.
A bola sobe, bate numa das quatro faces do travessão, e volta para os braços do arqueiro! Sebastião agarra! Chuta pra frente! O Povo urra de Alegria!!!
Mas Charles Miller, o árbitro, trila o apito. Tinha visto o que ninguém mais vira. Nem mesmo a anticorintianada acredita, e olha que já se enxugava com lencinho, pois suava frio de nervoso com o empate.
Charles Miller entendera que a bola batera do lado de dentro do gol, sendo que o travessão naquela época era um quadrado e não era redondo como hoje em dia, e numa peripécia da física que costuma acontecer apenas contra o Corinthians, ainda que a bola tenha voltado para a frente, ela adentrara toda no gol segundo o apito, sem sequer bater na rede.
Mesmo que as quinas dos travessões quadrados da época indicassem a impossibilidade daquilo, e impedissem esse "golpe de vista" de Charles Miller...
E assim a anticorintianada pôde respirar aliviada. Afinal, o Corinthians havia sido derrotado - 2 a 1 suado, brigado, o Timão do Povão mostrava que tinha mais técnica que os times dos epulões. Com a Dignidade e a Raça do Povo.
Grande Timão: Sebastião, Casemiro e Fúlvio; Police, Bianco e César; Américo, Peres, Amílcar, Aparício e Neco.
Por volta desta época, em meados de setembro, Alexandre Magnani sairia da Presidência; entregava um clube estruturado ao sucessor, Ricardo de Oliveira. Um clube já grande, entre os grandes. A Utopia brotara e crescera, como uma gigantesca sequóia, em menos de quatro anos, e terminaria o ano Campeão Invicto.
A saída de Magnani coincide com os reclames dos jornais como o Moscardo e a Fanfulla, nos quais Vincenzo Ragogneti convocava a Colônia Italiana a fundar uma associação de italianos, enquanto a efusão que o Torino causara ainda estava latente. Era a senha para muitos oriundi debandarem do Clube do Povo. Poucos foram, evidentemente.
Aconteceu no dia vinte e seis de Agosto, em um salão chiquérrimo e aristocrático, o Alhambra, que ficava no centro da cidade. Com um estatuto que dizia que aquela Societá Palestra Italia deveria ser uma associazione filodramática e dançante, e que teve por inspiração justamente a excursão do Torino, descrita aqui. Mas também tem agregada, à sua constituição primeira, a ave parda do anticorintianismo, que não queria o Timão Campeão Invicto de 1914 entre seus tão “requintados” modos de ser.
Na voz de Vincenzo Ragogneti, amigo do árbitro Minoli, a Societá Palestra Italia reuniria a numerosa Colônia Italiana. Ragogneti, pela forma como tratava o Corinthians em seu tablóide, não suportava a miscigenação Corinthiana. O surgimento de uma instituição voltada para a colônia, em uma época na qual a colônia era quase que setenta por cento de Piratininga, é coisa fácil de ser explicada. Mas não quer dizer que estaríamos explicando por completo as razões de tal surgimento.
Um amigo palestrino que tenho, para suscitar discussões, às vezes diz uma bobagem tremenda. Que o Corinthians é como uma ejaculação precoce, que se fossemos esperar mais um pouco teríamos o time da cidade. Vejam a audácia da porcada. Não agrada a eles a própria condição.
E então explico para ele que o Corinthians é o Timão da Cidade desde quando o Cometa passou e a Utopia surgiu concretizada, para quebrar o tabu de time de Várzea no Futebol Oficial.
E que a existência do Palestra não é tão explicável no fato de a cidade ter sua maioria da população de italianos e descendentes, mas sim no fato do Corinthians ter popularizado o Futebol por completo e definitivamente.
Sem esse fator – o Futebol voltou a ser do Povo – não existiria apelo para criação de chiqueiro nenhum. Não fosse o Corinthians, a existência do Palestrinha seria improvável, como vimos.
O Palestrinha é tão dependente do Corinthians que em seu primeiro jogo, lá em Votorantim, jogou com nada menos que cinco jogadores do Corinthians. Foram eles: Bianco Spartaco Gambini, Fúlvio Benti, Francisco Police, Américo Fiaschi e Amílcar Barbuy. E o primeiro gol da história do chiqueiro foi marcado por Bianco, um Corinthiano portanto, em janeiro de 1915.
Por este fato é que se diz que o Palestra tenha sido uma dissidência do Corinthians, mas isso não é nem um pouco verdade.
Isso se explica na relação que o jogador varzeano da década de 1910 tinha com seus clubes. Neco, Amilcar, Aparício, César, todos eles continuavam jogando pelo Botafogo do Bom Retiro. Sem problemas. Emprestar jogadores a outro time de Várzea não era pouco comum, portanto.
A Várzea é como um antepassado comum a ambas as instituições. Corinthians e Palestra são como primos de primeiro grau, filhos de mães irmãs. Um nasceu pobre, o mais velho. Fez das tripas coração para chegar aonde chegou. E quando o primo mais novo precisou, deu uma forcinha.
O Coringão chegou ao Campeonato do Futebol dito oficial tendo que transpor barreiras, preconceito, maledicências, rasteiras sórdidas.
E seu primo mais novo já tinha um patrão, que lhe bancava tudo. Quando o conde Matarazzo oferece serviços de sua Companhia Antárctica à APEA, o Palestrinha adentra o campeonato dito oficial, da aristocracia, em 1916. Sem ter de passar pelas mesmas barreiras que o Corinthians havia passado, talvez por não ter sido fundado em salão aristocrático e chiquérrimo, e sim sob o clarão fulgurante do Cometa, na praia do rio.
O campeonato seria unificado apenas em 1917, quando o Corinthians estava se ocupando muito mais com seu mutirão da Ponte Grande, e sua velha guarda que havia alçado o Futebol dito ofical havia se desmembrado. Passava por uma profunda reformulação, o que não impedia de fazer um combinado com o Palestra e derrotar o Paulistano por 2 a 0.
Sim, contaremos com detalhes isso que segue agora, e poderá até desagradar a todos. Ou a ninguém, se o sentido da coisa for compreendido.
Permito-me transcrever o trecho da obra do Mestre Diaféria. Trata-se do Capítulo XXXVI, "Acredite se quiser: Corinthians e Palestra já formaram combinados".
Só o título já provoca modorrenta ânsia no primeiro instante, e muita inquietação a seguir. Mas vamos lá. Pois isso só prova ainda mais que a coisa é mais que histórica, é mitológica. Vamos ao Mestre:
"Parece incrível, mas o Corinthians Paulista e o Palestra Italia, apesar de tudo o que se diz - e com razão - da rivalidade entre os dois clubes, já uniram forças e formaram combinados. E não apenas uma vez, mas duas. A rivalidade, que tem servido para animar os campeonatos, se origina da dissidência de um grupo de oriundi que abandonou o alvinegro (ou pelo menos a simpatia pelo alvinegro) para ir fundar o Palestra no Salão Alhambra. A rivalidade aumentou quando o Palestra, com uma vitória de 3 a 0, acabou com uma invencibilidade de três anos do Corinthians, nos primórdios de sua história. Bem verdade que para conseguir esse feito, o Palestra teve de ir buscar um dos melhores jogadores do Corinthians, chamado Bianco, Bianco Spartaco Gambini. Outro que jogou lenha na fogueira foi o Moscardo, um pasquim dirigido por um palestrino que vivia atacando gratuitamente o Corinthians. O clube alvinegro pretendia processar o jornaleco, mas a diretoria achou que não se devia gastar vela com defunto ruim. Tudo isso foi no tempo do onça. Mas nem tudo eram brigas no princípio das coisas. Tanto assim que no dia 12 de outubro de 1917 o Corinthians Paulista e o Palestra Italia formaram um conjunto, misturando seus jogadores num único time, e foram enfrentar o Club Athletico Paulistano num festival organizado pela Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo, que tinha sido fundada naquele ano. Esse jogo é pouquíssimo conhecido e todos os dados sobre ele foram obtidos graças à fidalguia e à excelente organização da diretoria do próprio Paulistano, que abriu seus arquivos. A Associação dos Cronistas Esportivos não tinha recursos, por isso organizou um festival esportivo no campo da Associação Athletica das Palmeiras, na Floresta, Ponte Grande. Toda a renda reverteu para a entidade dos comentaristas esportivos, cujo número estava aumentando, obrigando-os a se organizarem. Embora amistoso, o jogo atraiu grande público porque tanto o Corinthians quanto o Palestra tinham muitos simpatizantes, bons times, eram populares; e o Paulistano era bicampeão de 1916 e 1917 e reunia em seu esquadrão os chamados "reis do futebol". O combinado alvinegro-esmeraldino apresentou-se com Flosi; Grimaldi e Casemiro Gonzales; Ciasca, Bianco e Fabi; Américo, Ministro, Ettore, Aparício e Severino. O Paulistano jogou com Cunha Bueno; Carlito e Orlando; Sérgio, Gullo e Madureira; Agnello, Mário de Andrade, Friedenreich, Mariano e Ulbrich. Friedenreich, que era um perigo, chutou duas bolas nas traves do excelente goleiro palestrino, mas foi o corinthiano Américo, com um chute enviezado e potente, quem fez o primeiro gol da partida. O placar foi completo por outro Corinthiano, Aparício. Neste histórico jogo foi disputado um troféu de bronze que ninguém sabe dizer onde foi parar, se na sede do Corinthians ou do Palestra. É possível que tenha ficado com a própria Associação dos Cronistas Esportivos. Enfim, o troféu sumiu. (...) Fora esse jogo contra o Paulistano, há registro de uma outra partida em que o Corinthians e o Palestra formaram um combinado, em 1930, e enfrentaram o Tucumán, da Argentina. O Corinthians-Palestra venceu o Tucumán por 5 a 2, e jogou assim: Tuffy, Grané e Del Debbio; Pepe, Gogliardo e Serafim; Ministrinho, Heitor, Friedenreich (que jogou como elemento do Corinthians nessa partida. Consta que, nessa época, ele já havia bebido uns goles da milagrosa água da biquinha do Parque São Jorge...), Rato e De Maria. Foi sem dúvida, um grande resultado, mas melhor ainda quando, a seguir, o Corinthians Paulista apenas com seus próprios jogadores venceu o Tucumán por 7 a 2! Dos dois gols que Tuffy levou, um foi de pênalti. Nesse dia, o arqueiro Corinthiano foi um portento!"
Devemos fazeri aqui algumas considerações. Neco não participou de nenhuma dessas partidas. Isso é indício de onde foi gerada grande parte da rivalidade pelos lados Alvinegros; é sabido também da rixa entre ele e Bianco.
É evidente que essa taça sumiu. E que de todo jeito sumiria. Taças somem. Era comum, nesta época, combinarem-se os times em treinos, e não se tinha a visão que hoje se tem. No começo de sua história, inclusive, era comum o Corinthians treinar jogando contra o Paulistano, e poderia ocorrer de alguns jogadores ocasionalmente "trocarem de lado". Não era portanto algo incomum ou muito diferente, em se tratando de uma partida não-oficial.
Apesar da paixão clubística já ter se impregnado na paulicéia, por conta do Corinthianismo que inspirou isso, a rivalidade era tida cavalheiristicamente, no sentido de estarem os torcedores assistindo uma guerra teatralizada, simulada, em ambiente social. Talvez o individualismo não fosse tão exarcebado, quem saberia dizer. Uma juju, por exemplo, não faria o menor sentido em 1922.
Outra coisa é que, contra o time argentino, o trio que o Palestra carregava, que tinha apelido de refrescos da época (sissi, gasosa e guaraná; uma gracinha, não é?) fez menos diferença que a linha do Corinthians, mesmo que o jogo fosse outro, o dia fosse outro, e sabemos que isso conta muito neste esporte-arte-guerra que é o futebol.
E observe também que este fato explicado pelo Mestre Diaféria, aconteceu dois anos antes do episódio do suborno, por parte de um dirigente de lá que acabou afastado do Futebol, ao Grande Pai Jaú, do qual falaremos mais adiante.
Sim, Corinthians e Palestra, em seus primórdios, fizeram um combinado. Mas agora disputavam um mesmo campeonato. E quando o primo rico, bancado pelo barão, acaba com a invencibilidade de quatro anos do Corinthians, em seis de maio de 1917, a rivalidade nasce de fato.
Clássico que está no imaginário popular do povo paulista, e brasileiro, como nenhum outro. Se falar de história é falar de Corinthians, falar do clássico é completar essa história toda com outros nuances, outras facetas.
Quando tomamos em mãos a obra de Alcântara Machado, Brás, Bexiga e Barra Funda, vemos a enormidade da Alma desta Paulicéia que foi se perdendo, se deixando alienar. Hoje o mundo parece estar dado, estar dito e revisado, pela revista, pelo jornal, e sujeito o aceita como se fosse incontestabilíssimo.
Mas nos tempos de Alcântara Machado, glorioso Corinthiano, as coisas eram assim:
“CORINTHIANS (2) vs. PALESTRA (1) Prrrrii! - Aí, Heitor! A bola foi parar na extrema esquerda. Melle desembestou com ela. A arquibancada pôs-se em pé. Conteve a respiração. Suspirou: - Aaaah! Miquelina cravava as unhas no braço gordo da Iolanda. Em torno do trapézio verde a ânsia de vinte mil pessoas. De olhos ávidos. De nervos elétricos. De preto. De branco. De azul. De vermelho. Delírio futebolístico no Parque Antártica. Camisas verdes e calções negros corriam, pulavam, chocavam-se, embaralhavam-se, caíam, contorcionavam-se, esfalfavam-se, brigavam. Por causa da bola de couro amarelo que não parava, que não parava um minuto, um segundo. Não parava. - Neco! Neco! Parecia um louco. Driblou. Escorregou. Driblou. Correu. Parou. Chutou. - Gooool! Gooool! Miquelina ficou abobada com o olhar parado. Arquejando. Achando aquilo um desaforo, um absurdo. Aleguá-guá-guá! Aleguá-guá-guá! Hurra! Hurra! Corinthians! Palhetas subiram no ar. Com os gritos. Entusiasmos rugiam. Pulavam. Dançavam. E as mãos batendo nas bocas: - Go-o-o-o-o-o-ol! Miquelina fechou os olhos de ódio. - Corinthians! Corinthians! Tapou os ouvidos. - Já me estou deixando ficar com raiva! A exaltação decresceu como um trovão. - O Rocco é que está garantindo o Palestra. Aí, Rocco! Quebra eles sem dó! A Iolanda achou graça. Deu risada. - Você está ficando maluca, Miquelina. Puxa! Que bruta paixão! Era mesmo. Gostava do Rocco, pronto. Deu o fora no Biagio (o jovem e esperançoso esportista Biagio Panaiocchi, diligente auxiliar da firma desta praça G. Gasparoni & Filhos e denodado meia-direita do S. C. Corinthians Paulista, campeão do Centenário) só por causa dele. - Juiz ladrão, indecente! Larga o apito. gatuno! Na Sociedade Beneficente e Recreativa do Bexiga toda a gente sabia de sua história com o Biagio. Só porque ele era freqüentador dos bailes dominicais da Sociedade não pôs mais os pés lá. E passou a torcer para o Palestra. E começou a namorar o Rocco. - O Palestra não dá pro pulo! - Fecha essa latrina, seu burro! Miquelina ergueu-se na ponta dos pés. Ergueu os braços. Ergueu a voz: - Centra, Matias! Centra, Matias! Matias centrou. A assistência silenciou. Imparato emendou. A assistência berrou. - Palestra! Palestra! Aleguá-guá! Palestra Aleguá! Aleguá! O italianinho sem dentes com um soco furou a palheta Ramenzoni de contentamento. Miquelina nem podia falar. E o menino de ligas saiu de seu lugar. Todo ofegante, todo vermelho, todo triunfante, e foi dizer para os primos corinthianos na última fileira da arquibancada: - Conheceram, seus canjas? O campo ficou vazio. - Ó... lh'a gasosa! Moças comiam amendoim torrado sentadas nas capotas dos automóveis. A sombra avançava no gramado maltratado. Mulatas de vestidos azuis ganham beliscões. E riam. Torcedores discutiam com gestos. - Ó... lh'a gasosa! Um aeroplano passeou sobre o campo. Miquelina mandou pelo irmão um recado ao Rocco. - Diga pra ele quebrar o Biagio que é o perigo do Corinthians. Filipino mergulhou na multidão. Palmas saudaram os jogadores de cabelos molhados. Prrrrii! - O Rocco disse pra você ficar sossegada. Amilcar deu uma cabeçada. A bola foi bater em Tedesco que saiu correndo com ela. E a linha toda avançou. - Costura, macacada Mas o juiz marcou um impedimento. - Vendido! Bandido! Assassino! Turumbamba na arquibancada. O refle do sargento subiu a escada. - Não pode! Põe pra fora! Não pode! Turumbamba na geral. A cavalaria movimentou-se. Miquelina teve medo. O sargento prendeu o palestrino. Miquelina protestou baixinho: - Nem torcer a gente pode mais! Nunca vi! - Quantos minutos ainda? - Oito. Biagio alcançou a bola. Aí, Biagio! Foi levando, foi levando. Assim, Biagio! Driblou um. Isso! Fugiu de outro. Isso! Avançava para a vitória. Salame nele, Biagio! Arremeteu. Chute agora! Parou. Disparou. Parou. Aí! Reparou. Hesitou. Biagio Biagio! Calculou. Agora! Preparou-se. Olha o Rocco! É agora. Aí! Olha o Rocco! Caiu. - CA-VA-LO! Prrrrii! - Pênalti! Miquelina pôs a mão no coração. Depois fechou os olhos. Depois perguntou: - Quem é que vai bater, Iolanda? - O Biagio mesmo. - Desgraçado. O medo fez silêncio. Prrrrii! Pan! - Go-o-o-o-ol! Corinthians! - Quantos minutos ainda? Pri-pri-pri! - Acabou, Nossa Senhora! Acabou. As árvores da geral derrubaram gente. - Abr'a porteira! Rá! Fech'a porteira! Prá! O entusiasmo invadiu o campo e levantou o Biagio nos braços. - Solt'o rojão! Fiu! Rebent'a bomba! Pum! CORINTHIANS! O ruído dos automóveis festejava a vitória. O campo foi-se esvaziando como um tanque. Miquelina murchou dentro de sua tristeza. - Que é - que é? É jacaré? Não é! Miquelina nem sentia os empurrões. - Que é - que é? É tubarão? Não é! Miquelina não sentia nada. - Então que é? CORINTHIANS! Miquelina não vivia. Na Avenida Água Branca os bondes formando cordão esperavam campainhando o zé-pereira. - Aqui, Miquelina. Os três espremeram-se no banco onde já havia três. E gente no estribo. E gente na coberta. E gente nas plataformas. E gente do lado da entrevia. A alegria dos vitoriosos demandou a cidade. Berrando, assobiando e cantando. O mulato com a mão no guindaste é quem puxava a ladainha: - O Palestra levou na testa! E o pessoal entoava: - Ora pro nobis Ao lado de Miquelina o gordo de lenço no pescoço desabafou: - Tudo culpa daquela besta do Rocco! Ouviu, não é Miquelina? Você ouviu? - Não liga pra esses trouxas, Miquelina. Como não liga? - O Palestra levou na testa! Cretinos. - Ora pro nobis! Só a tiro. - Diga uma cousa, Iolanda. Você vai hoje na Sociedade? - Vou com o meu irmão. - Então passa por casa que eu também vou. - Não! - Que bruta admiração! Por que não? - E o Biagio? - Não é de sua conta. Os pingentes mexiam com as moças de braço dado nas calçadas.”
A Paulicéia desses tempos de Alcântara Machado tinha praticamente os mesmos elementos que os de hoje, só que o procedimento hoje já não leva tanto em conta a vergonha. O descaramento da mentira é aceito com mais facilidade, a despeito de toda informação que o sujeito tem disponível.
Mas existem elementos essenciais nas culturas, e na cultura Piratiningana em particular, que não desaparecem, não se enfraquecem, mesmo que mudem um pouco.
O clássico é um elemento que não mudou nada sua essência, mas adquiriu formas de existir, a cada época, de acordo com a própria História.
Clássico que sempre envolveu multidões, e que sempre deixou engasgado o torcedor que vive o clube, dias antes de acontecer.
Está no filme do Mazzaropi. Ali não há mera caricatura; todos nós Corinthianos temos naquele personagem boa dose de pertencimento. Nos vemos nele. Assim como os rivais se vêem no palestrino, personagem que é o vizinho. As duas famílias trocam açucar e milho, azeite e farinha, pão e café, pelo muro ou pela janela. Mas os chefes das famílias discutem e brigam todo tempo. Por causa do Corinthians e do parmera.
E se querem se convencer da mitologia a qual se refere este Mosqueteiro, permitam-me ler o que meu amigo Arthur Tirrone escreveu. Coisa magnífica. Se chama “Corinthians versus Palmeiras” e pode ser encontrado em seu blogue, anhanguera.blogspot.com
“Há um jogo entre Palmeiras e Corinthians que não consta nos dados oficiais e nem teve a repercussão merecida; um dos grandes jogos da história do clássico. Poderia até ter saído uma nota no finado diário A Gazeta Esportiva, quando o futebol amador ainda era vitrine para clubes grandes e craques despontavam nas peladas. Isso mesmo; foi um jogo de várzea. E como nessas águas eu remo com um remo só - modéstia às favas -, vou relatar aqui este que foi um jogaço. Muito embora esquisito, foi um jogaço. Em meados dos anos 50, num domingo de manhã num campo na Mooca, jogaram Corinthians do Bom Retiro e Palmeiras da Penha. Não só nos nomes esses times homenageavam os dois maiores da cidade. As cores, o uniforme, o símbolo, enfim, tudo remetia aos grandes. Abundavam pela cidade times assim. Se Portuguesa havia mais de 20, imaginem Palmeiras e Corinthians! No jogo em questão havia, entretanto, um porém. O Bom Retiro de baixo (da Rua Sólon até a Marginal), onde ficava a sede do Corintinha, na época, era predominado por italianos que, obviamente, eram palmeirenses – até hoje os velhos se denominam palestrinos. A Penha também era um bairro essencialmente italiano, mas a partir da década de 40 a grande maioria dos migrantes nordestinos se alocou ali - da região do Brás pra dentro da Zona Leste -, além dos negros que estavam sendo afastados da região central. Com o preconceito sofrido pelos carcamanos, os “baianos”, em sua maioria, preferiram o Corinthians. O fato de um corinthiano torcer pelo Palmeiras da Penha, o time do seu bairro, possivelmente até de sua rua, não justificava vergar a camisa alviverde; exceção restrita aos jogadores. No caso dos palmeirenses do Bom Retiro, idem. Vestir alvinegro, jamais! A várzea vivia então seus tempos áureos, os bairros eram representados pelos seus times e as torcidas eram fanáticas. Quando o jogo era entre times de bairros distintos todo mundo ia torcer. Neste dia, por exemplo, muita gente que era Anhangüera, Nacional, Junqueira, Marconi, Bola Preta, XV de Novembro, Grajaú, etc., foi torcer pelo Corintinha; afinal de contas, além de seus amigos estarem em campo, não se costumava perder grandes jogos, como tal. O que se viu foi uma desordem generalizada e sem precedentes. No dia do prélio, mais de 1.000 expectadores, dizem os relatos, lotaram o campo da Mooca. A turma do Bom Retiro foi em peso torcer para o Corintinha e o pessoal da Penha para o Palmeirinha. Tudo normal, não fosse pelo jogo que aconteceria a tarde no Pacaembu pelo Campeonato Paulista: Corinthians e Palmeiras. Muita gente sairia da Mooca direto pra o estádio municipal. Foi isso que causou a confusão; na torcida do Corintinha predominavam torcedores com camisa do Palmeiras e na torcida do Palmeirinha as camisas do Timão eram maioria. O Corintinha fazia um gol, os palmeirenses comemoravam; e vice-versa. Os jogadores, totalmente atordoados, não sabiam com que torcida comemorar. Um jogador do Palmeirinha foi pro alambrado comemorar com a torcida "palmeirense" e levou uma cusparada na cara. A cena pitoresca justificou o ditado de que a banana estava comendo o macaco. Na mesa de jogo de sueca, os velhos sempre quietos, ranzinzas, riam achando tudo aquilo engraçado. A mulher do português que arrendava o bar do clube desistiu de vez de entender alguma coisa sobre o futebol. Um bêbado tentou invadir o campo e “destrocar” as camisas dos jogadores; pregava, austero, que “ainda não acabou o jogo. Por que já trocaram as camisas?”. Após mais de 50 anos não existem mais registros do prélio, somente depoimentos das testemunhas. A única certeza é que o jogo terminou 3 a 2. O problema é que não se sabe mais pra quem, uns dizem que foi o Palmeirinha, outros dizem o contrário. É certo que a confusão das camisas nas torcidas confundiu as memórias no Tempo. Pra mim, meus caros, o resultado da partida foi o único da história a contrariar a impossibilidade; o que se deu foi uma retumbante vitória de Corinthians e Palmeiras.”
Uma rivalidade mitológica. Dois rivais gigantes irão se enfrentar novamente neste domingo, e isso transforma essa cidade.
O Jogo será no Templo Sagrado. E não no privadão. Isso é bom lembrar, sempre. Será no Templo Sagrado, o verdadeiro palco do Derby, por que aquela aristocracia se transformou em uma bonequinha frankestein.
Fez cu-doce com quem sustentava suas dependências, adquiridas diretamente com o poder público corrompido, e perdeu essa merrequinha que ganhava para manter aquilo lá em circulação. Agora, não mais, madame.
Dizíamos que a ave parda do anticorintianismo do início dos tempos seguiu em frente, não se restringiu ao Palestra, que adquiriu alma. Afinal, é o priminho gordinho de bochecha cor-de-rosa nascido em salão aristocrático, mas que tem alma, diferente de madame.
Tanto que em 22 disputamos lealmente a Taça Cântara Portucália, por exemplo. Foi um acontecimento na cidade, aqueles 2 a 0, em nove de julho de 1922. O Timão era comandado, nas quatro linhas e fora das quatro linhas, pelo Presidente-torcedor-técnico do Timão, senhor Guido Giacominelli. A peleja homenageava os valentes aviadores que pela primeira vez atravessaram o oceano Atlântico, em um hidro-avião. A solenidade, a festividade comum a este grandioso clássico, um acontecimento notável, como sempre foi o Derby.
Quando o Coringão foi pela primeira vez Tri-Campeão, em 1924, sobre o Paulistano, 1 a 0 em pleno Jardim América, a aristocracia se corroeu toda. Mas quando o Coringão foi Bi-Campeão, e seria Tri no ano seguinte, em 1929, foi sobre o Palestrinha, 4 a 1 em pleno Parque Antérctica, consolidando a hegemonia na década de 1920.
A aristocracia, por conta disso, precisou se reinventar, se reciclar, e como a cada reciclagem os elementos vão perdendo propriedade, a aristocracia seguiu se perdendo, ao longo da década de 30. Conseguiu falir diversas vezes, mesmo sendo a aristocracia.
E em 1938... bem, as vergonhas devem ser tratadas assim. Não pela disputa em si, mas pelo que ela pretendeu representar. Esse tal de jogo das barricas. Por aqui já falamos bastante desse jogo, o torneio “Augusto Mundel”.
Foi a realização desse Derby que salvou o resquício daquela anticorintiania advinda daqueles tempos, quando aquele árbitro daquela partida relatada, deu de presente um gol aos italianos do Torino.
Como se precisassem disso, os torinenses. Na verdade não precisavam. Empatariam o jogo, lealmente, dignamente. A peleja, árdua sempre, havia demonstrado. Mas essa corja, que não aceitaria ver surgir a Festa do Povo do Corinthians Paulista, aquela formiga lavapés da Várzea, Gloriosa Várzea, precisou de suas artimanhas. Desta vez no apito daquele que é, por essa corja mesma, denominado o "pai" do futebol no Brasil.
Sempre imersa em suas mentiras, essa corja veio a preparar o episódio da Intervenção no Corinthians. O Coringão era novamente Tri-Campeão, na nova era do profissionalismo, e alçava novamente a hegemonia, a exemplo de 1916, 1924 e 1929. Já havia feito inclusive o Boca Junior fugir da cancha para não levar um vareio de bola.
Manuel Correcher era o grande presidente Corinthiano, espanhol de nascimento e Corinthianíssimo de corpo e alma. É sua a célebre frase, “com razão ou sem razão, o Corinthians tem sempre a razão”.
Mas uma portaria do governo federal, que se declarava neutro na Guerra Mundial que arrepiava o mundo, incidiu sobre o Futebol e era contraditoriamente contra a presença de estrangeiros em cargos nos clubes.
A coisa não pode ser levada de forma ingênua, ela tinha endereço certo. Os integralistas aristocratas assolavam a Diretoria de Esportes do Estado de São Paulo e levaram a cabo a pérfida intenção de atingir a soberania do Clube do Povo.
Crise no Parque São Jorge! O Conselho é dissolvido para não deixar o interventor dar nenhuma canetada. E em pouco tempo a soberania seria refeita, e o Corinthians, com crise ou sem crise, foi novamente campeão em 1941.
No ano seguinte, em 42, não se furtaram a atrapalhar a vida do primo mais novo, o gordinho de bochecha cor-de-rosa, o Palestrinha.
Por conta disso, o Palestrinha teve de mudar de nome. E foi homenagear justamente outro time aristocrata, que faliu e deu origem, junto aos órfãos do Paulistano, à vitrine de madame. A história dá voltas, e a Associação Atlética das Palmeiras, um time preto e branco, era homenageada com o novo nome do time de verde. Doce ironia reveladora.
A Marca e o Troféu A idéia de se criar uma marca para este épico combate é louvável, serve para representar mercadologicamente o clássico e inseri-lo no contexto internacional como um produto real, não apenas uma faceta do imaginário popular, tão fértil.
Pode também vir a ser lucrativo para os clubes, e obviamente será para o nosso futebol brasileiro. E vem a ser uma espécie de símbolo de 'paz', provando que a rivalidade existe mas ela tem razões que nenhuma rivalidade conhece.
Mas esta marca é completamente desnecessária para o torcedor que carrega isso tudo em cada célula, no gene, na alma, no coração. Na vida toda e no dia-a-dia. Tal torcedor tende a ver isso como heresia, pois a mercadologização é o que há de profanação no mundo de hoje, mas é amplamente aceita.
O torcedor não quer só o produto, não quer só consumir, isso tudo é muito sem essência nenhuma. O torcedor tem o clube em sua vida e é impossível separar.
A grande idéia, essa sim muito boa, do presidente do rival, Beluzzo, é a criação de um troféu, a ser levado pelo vencedor da partida, e que volta a ser disputado sucessivamente nos próximos clássicos.
Chama-se, na mais justa das homenagens possíveis para ambos os Clubes, “Troféu Oswaldo Brandão”.
A idéia é bonita pois revive uma tradição, tão antiga quanto a própria várzea, berço de nosso futebol. Quando dois varzeanos partiam para o embate nas quatro linhas, algo estava na disputa. Normalmente, um troféu. Na maioria das vezes, oferecido por alguma empresa, veículo de comunicação, ou até por personalidades. Isso se manteve até tempos recentes, é hoje em dia que não vemos mais.
A taça mais famosa foi disputada em 1922, a memorável "Cântara Portugália", em homenagem aos primeiros aviadores a cruzar o oceano Atlântico, que já citamos. A taça está no Memorial do Parque São Jorge, e foi vencida por um placar de 2 a 0, gols de Gambarotta e Neco.
Vale lembrar que neste ano o Coringão foi Campeão do Centenário da República, Paulista e Brasileiro. Enfrentamos o América da Cidade Maravilhosa, e vencemos. "Campeão dos Campeões", feito que repetiríamos oito anos depois, contra o bacalhau.
Mas na história existem espinhos. Em 1932 o Palestrinha seria o campeão, mas não sem antes ter seu diretor de Futebol afastado do mundo dos esportes por conta de um suborno.
Estava Euclydes Barbosa fazendo sua fezinha na casa lotérica quando Di Lorenzo com suas bochechas rosadas fez a indecente proposta. Jaú levou o problema ao Diretor de Futebol, que havia sido presidente; Guido Giacominelli. Que processou o palestrino e deu inicio definitivo a essa grande rivalidade que hoje se encontra consolidada.
E nesta história de rivalidade, temos muitos embates memoráveis. Impossível falar de todos aqui...
O jogo de 55, que valeu pelo Centenário de Piratininga, sintetiza o que é o clássico. Inclusive com arranca-rabo. Com o empate e a conquista do Campeonato do Centenário da Cidade, a multidão invade o campo do Pacaembu, num gesto que se tornaria emblemático.
Mas aquele jogo de 1971, a mais Histórica das Viradas, mostra o que é Corinthians. Todo Avô e Pai da minha Geração, se Corinthianos, usaram este educativo jogo para explicar, exemplificar, cientificizar, filosofar, compreender e, sobretudo, ensinar a AMAR, às gerações que lhe sucediam.
O Coringão suava sangue na época, mas isso não lhe impedia de jogar bela bola. E fazer memoráveis partidas como essa, em que era tratado como capacho. Mas quando O Corinthians joga, o poste jamais faz xixi no cachorro.
A soberba da tão propalada academia custou caro. E Tião, Adãozinho e Mirandinha libertaram pela primeira vez, naquela década, o Povo Corinthiano. 4 a 3, de virada.
Temos aquela Goleada Democrática, 5 a 1, com três gols de Casagrande, um moleque que recém subia das categorias de Base. No ano seguinte, o Doutor dá um baile naquela magra goleada de 1 a 0, nas semifinais do Bi-Campeonato da Democracia.
E temos a virada na final do Paulistão de 95, em Ribeirão Preto, quem não se lembra? E as semifinais de 2003, com aquele apavoro de mais um moleque da Base, o Gil? 4 a 2 inesquecível!
Todo Derby carrega em si um sentido de formação do Corinthianismo, pois é o primo rico mais novo que precisa ser derrotado.
E antes dos números, aproveitem uma musiquinha antiga que homenageia a rivalidade.
Este será o 335º Derby em noventa e três anos. No confronto geral, é verdade que o rival possui certa vantagem (113V, 101E, 120D, 446GP, 486GC). Que passa a ser do Corinthians quando falamos dos confrontos pelos Campeonatos Paulista (70V, 56E, 67D) e no Pacaembu (51V, 38E e 43D). Na década, a vantagem é toda do Timão. 12V, 9E e 9D.
Se tomássemos os números a partir do momento em que o rival mudou de nome, em 1942, veríamos ampla vantagem do Coringão: 92V, 82E e 88D. Ou seja, quando mudou de nome passaram a ser fregueses nossos. Do Palestra não podemos dizer que somos fregueses, pois não se sabe se está por aí ainda, ou se revela de fato a bipolaridade do chiqueiro. Ora são italianos, ora brasileiros; ora são palestra, ora são parmera, e assim vão indo.
Além de termos os quatro principais goleadores: Claudio (21 gols), Baltazar (20), Luizinho (19) e Teleco (15), disparados, e sucedidos por Heitor, com apenas 14. Foi um rival, porém, quem disputou mais vezes o Derby na carreira; Ademir jogou 57 vezes.
E as duas maiores séries invictas no confronto, ambas de dez partidas. A primeira de 26/12/1948 a 24/3/1951 e a segunda de 6/7/1952 a 21/7/1954.
A última vez em que a Fazendinha foi palco para o clássico foi em 18/8/1940. Ainda havia a cativa coberta, com parafusos do senhor Schürig.
Aliás, em 1942, data de refundação compulsória do rival, disputamos cinco vezes o Derby. Em 28/3, vencemos por 4 a 1. Em 27/5, por 4 a 1 novamente. Em 28/6, empatamos em 1 a 1. em 15/7, vencemos por 4 a 2. E em 4/10, por 3 a 1.
Curiosamente o campeão nesse ano (justamente no dia em que mudaram de nome, contra a madame amedrontada, que simplesmente fugiu) e tirando de nós o bicampeonato, foi o próprio rival.
Terem duas das principais derrotas da História Alvinegra - nas penalidades, após resultados iguais - é razão de vida para os rivais.
Mas sabemos todos que a História não acabou. Ainda mais para este que é o maior clássico do Brasil, perto de completar seu Centenário.
E o Brasil que tem o maior futebol do mundo, tem esse clássico, que por isso é o Maior Clássico do Mundo.
É GUERRA!
Domingo é dia de Derby. E isso não passa batido nem para o próprio ar que se respira. Estaremos na Arquibancada e o rival no Tobogã, de acordo com o que as diretorias trataram. O mando é nosso agora, e quando for do rival voltaremos ao Tobogã. Simples e justo; o problema é que eles trazem as próprias carcaças ao nosso cimento. E depois, haja sal e chuva pra lavar. Mas não há problema, o CORINTHIANS irá entrar em campo de Bataglia e é isso que nos importa.
O Coringão terá a estréia de Tite no Comando. Que está 'tranqüilo' e irá aproveitar a grande ocasião para chegar chegando ao Coringão, sob a Proteção de São Jorge Padroeiro.
Se alguém diz que sabe a escalação completa de domingo, esse alguém está dizendo justamente o que não sabe. É uma incógnita. Impossível saber com que Timão irá entrar em campo de Bataglia, esse nosso novo Comandante. De fato, ao menos no papel, chegamos a essa tarde um pouco piores que o rival, vindos de sete resultados adversos. Coisa que, sabemos de antemão, não quer dizer coisa alguma. É DERBY!
Que essa atmosfera de uma sexta à noite, no Parque Sagrado, seja alcançada, com a Força da Companhia de Jorge Padroeiro!
Entrou em vigor o estatuto que é de qualquer um, menos do torcedor. Precisamos entender o que está se passando e, como Torcedores que somos, saber exatamente o nosso papel no Futebol. Que é muito mais que essencial. Nós, Torcedores, somos o âmago do Futebol.
Sem jogador sequer existira o Futebol, isso é óbvio. Mas sem Torcedor, o Futebol deixa de ser Futebol.
E qual o papel da Torcida? Incentivar seu time, incitar seus guerreiros à vitória, lembrá-los que nessa guerra simulada do Futebol existe Alma e Paixão. E é por essa Alma que eles estão lá, em campo, disputando um instrumento de formato perfeito, que simboliza o conflito entre partes. A Deusa Bola não é apenas ancestral, mas ela faz parte de todas as culturas.
É por causa desse ritual semanal da Deusa Bola no Templo Sagrado que a Torcida existe. Note bem: a coisa é empírica. Tem de ser experimentada, vivenciada. Deve-se ir ao Templo e cumprir o ritual de Arquibancada para que se possa contemplar um "estatuto do torcedor". Então cumpre perguntar qual a função real desse estatuto que está em vigor. E não se vê Torcedor que tenha entendido como é que uma coisa dessas entra em vigor...
Mas no fundo entendemos bem; somos o incômodo semanal da velha aristocracia.
A Deusa Bola mobiliza.
Haverá uma mobilização na Associação Nacional dos Torcedores, entidade recém-criada para defender os interesses do torcedores e o acesso à própria cultura de Arquibancada. Acessem torcedores.org e se informem, pois a coisa toda merece atenção e mobilização.
Por isso tudo, que os Torcedores compreendam o seu papel, sobretudo como cidadão que somos.
Pois como se vê, nada nos é dado em troca. Só que nós fazemos o Futebol.
Um escorregão, e nos tiram, vão tirando.
Hoje é semana de Derby e a eletricidade está no ar.
Serenidade e lucidez, Família. Principalmente neste Domingão.
Na História do Corinthians, momentos de crise são mais que essenciais para desenvolver o Ethos Corinthianista. Façamos um passeio textual sobre as mais cruciais crises que o Clube do Povo vivenciou, ao longo de toda a mais bela história que a humanidade já forjou, pois parece que a Torcida que viveu o rebaixamento, e três anos de "cândida paz" (entre muitas aspas), se lembrou que o Clube do Povo só vive e sobrevive se for pelas crises. Foi hoje ao Parque São Jorge, fazer o que deveria ter feito há algum tempo. Este Mosqueteiro faz então uma homenagem à Voz do Povo.
Obs: Este texto foi lido ao vivo ontem, na www.radiocoringao.com.br, no programa "100 Anos de História".
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A primeira crise Corinthiana de que se tem notícia remonta àquela esquina do Bom Retiro. O Clube ainda nem tinha nome, nem tinha diretoria, nem tinha time quando, naquela noite fria de 1º de setembro, o vento soprou mais forte e apagou a luz do lampião à gás, deixando os Cinco Primeiros Corinthianos no breu. E aquela séria crise foi solucionada com algumas velas. O Corinthians é o Clube iluminado, seja como for.
Crise no Corinthians, e isto têm que ficar muito bem claro logo de saída, não é apenas a condição sem a qual o Clube do Povo não sobreviveria. Porque sem superar suas crises, como podemos imaginar, o Corinthians não teria acontecido, não teria sido uma Utopia Realizada. A crise fez a Utopia se realizar, e cada dificuldade ser transposta pela auto-superação. Crise, portanto, é tudo o que fez o Corinthians superar a si mesmo, coisa que nada conseguiu fazer igual e com tanta pujança.
Ou então, se admitirmos que a fundação não do Clube, mas dessa Utopia que fez ser realizado o Clube, tenha acontecido sob o clarão do Cometa Halley, no cenário bucólico à beira do rio Tietê ainda limpo e com sua natureza ainda lembrando a sua natureza original, então temos um prato cheio.
Uma Utopia como o Corinthians, fundada sob o clarão de um Cometa, já significa ‘crise’.
O que é um Cometa senão um sinal de perigo?, uma ameaça para a ordem vigente, segundo as crenças antigas. Um Cometa é uma crise, porque quando passa um Cometa, o mundo vai mudar. E foi tudo isso que o Corinthians fez. O Corinthians em si é a crise da anticorintianada, portanto. O Corinthians foi o Clube que colocou o Povo em seu lugar de direito, quer uma crise mais poderosa que essa? O Corinthians é um Cometa rasgando o céu e embasbacando o mundo. Mesmo em crise. Evidente, até porque as crises são mais que necessárias.
A segunda grande crise, de uma série sucessiva e ininterrupta de crises ao longo dessa História, remonta ao primeiro treino do novo Clube em formação. Jogadores de diversos times de várzea, rivais por excelência e méritos, precisaram se entender em campo. Essa faceta, que teve seu início neste primeiro treino, transcendeu ao campo de jogo. Acabou sendo uma marca característica do próprio Corinthianismo. Acabou formando a faceta do corpo associativo e, num pulo, da própria Torcida Corinthiana. Não existirá no mundo um Corinthiano que concorde com outro Corinthiano, nunca. E por isso é tão mais fácil ver um Corinthiano discutindo com outro Corinthiano. Às vezes é mais fácil do que ver Corinthiano discutir com anticorintiano.
Ora, é o Clube do Cometa, não é?
E conforme foi conquistando suas Glórias, o teor, o tamanho das crises também foi tomando maiores proporções. O Galo Brigador das Várzeas desta Cidade, já com este título honorífico, quis então concretizar a missão pela qual veio ao mundo. Com pouco menos de três anos completos de existência, o Valente Moleque Varzeano quis entrar no Futebol Oficial. Que, por isso mesmo, viu acontecer o estopim de suas próprias crises.
E para fazer isso acontecer, o Corinthians precisou dar um salto maior que as próprias pernas. Precisou deixar de ser apenas o Clube Varzeano do Bairro do Bom Retiro, e para isso foi alugar uma saleta no centro da cidade. Isso porque o amparo da Torcida que nasceu antes do Timão garantia que o Corinthians pudesse ter tamanha pretensão, de ser o Timão da cidade.
Mas naquela época a pobreza material e financeira do Clube do Povo era tão crucial quanto o Amor da Torcida Corinthiana.
Faltaram os 35 mil réis para o aluguel da sala. Ali estava a mesa de ping-pong que servia para as reuniões e que tinha uma gaveta que fazia as vezes de urna nas assembléias, e nela foi escrita a mais antiga ata que sobreviveu aos tempos, deste início de 1913. Estava o armário envidraçado onde se guardavam as atas e os ofícios dos clubes varzeanos dasafiados todas as semanas. Nas prateleiras estavam as velhas Taças da antiga Várzea, o berço glorioso do Clube do Povo. Modestas, diz Lourenço Diaféria, essas taças “são lembranças de vitórias anônimas que repercutiram pouco além dos ouvidos do povo trabalhador Corinthiano. Era o que o clube tinha de valioso, de seu.” Aquele era todo o patrimônio material do Corinthians na época. A crise? Pois bem, falávamos de crises. Faltou o dinheiro para o aluguel, e o dono da saleta então trancou a sala com tudo dentro.
Seqüestrava os bens Corinthianos como garantia do pagamento da dívida. Dizíamos em outras oportunidades que o Corinthians foi o maior anarco-sindicato de sua época. Pois bem, para solucionar essa espinhosa crise, os Corinthianos da época se escoraram na valentia e na idéia de um moleque.
Um moleque, assim como o Clube que já estava em seu Coração, e para sempre estará. Este moleque jogava no segundo quadro do Corinthians Paulista, e já havia doado a própria bola que tinha, para o Clube nem bola tinha. Manoel Nunes organizou o que os ativistas anarquistas chamaram, tempo depois, de “Ação Direta”.
Assim foi forjado o Ethos Corinthianista. Na definição de quem ouviu Antônio Pereira, um dos Fundadores do Clube do Povo contar essa história, Neco propôs “retirar os trecos e badulaques à sorrelfa, de noite, pelo janelão”. Foi uma ação direta organizada; o pintor de paredes Antonio Pereira emprestou uma escada. Vamos novamente ao Mestre Lourenço Diaféria:
“Combinou-se. Dito e feito. Madrugada fria e úmida, sem luar, naquela hora quieta em que até os grilos dormem, os vultos solertes caminharam nas trevas como duendes, forçaram as cremonas, treparam por uma escada de pintor de paredes – o Clube tinha bons pintores em seu quadro associativo – invadiram a saleta sem bulir na fechadura, retiraram tudinho, comandos em ação. Deixaram as quatro paredes nuas como a mulher de Adão. Até a folhinha de reclame do Ao Paraíso das Andorinhas – uma loja na rua Marquês de Itu, nº 40, que vendia camisas para senhoras a 4 mil e quinhentos réis – carregaram embora. O dono da saleta voltou na manhã seguinte para dar outra prensa; em vez da sede montada encontrou a desolação da sala reduzida ao silencio. Os Corinthianos haviam batido as asas sob o testemunho cúmplice das estrelas. A dívida foi paga depois, sem pressa, sem afobação. Mas as taças – primeiro patrimônio do Clube – as taças que antecederam o fulgor da primeira taça arquivada foram tão bem guardadas que, assim como as primeiras atas, ninguém mais delas soube dar notícias”.
Das crises Corinthianas sempre sobrevém mais crises Corinthianas.
Sua saleta modesta que lhe rendia uma dívida, sua atrevida e extravagante pretensão de ser membro do Futebol dito “oficial”, a multidão de esfarrapados que agregava à sua volta, enfim, todo aquele espetáculo dantesco aos olhos da aristocracia da bola, lhe rendeu um apelido dos detratores de ocasião; chamavam-no de “clubinho”.
E fizeram esse moleque atrevido da Várzea passar por um vestibular da bola. Era tudo ou nada. Queriam criar armadilhas, mais entraves na vida do que o moleque varzeano já tinha que transpor a cada minuto de existência.
Entrou em campo para disputar a mais do que merecida vaga. O Velódromo, antigo campo aristocrático, se viu invadido pela primeira vez de tantas vezes, pela Torcida que ampara o time. Essa Torcida que já existia e que criou por conta própria o seu próprio Timão. Que era um clubinho modesto, é verdade. Seu campo tinha as dimensões possíveis para a velha várzea; 80 metros por 60. Sua saleta já não guardava nem as primeiras taças e atas, que foram pulverizadas e ninguém sabe que destino tiveram. Mas em campo, quando está em sintonia com sua Mãe, a Fiel Torcida, o Corinthians sempre é um Timão.
Recebeu seu Diploma nesta prova a que submeteram o Clube do Povo, quando os detratores e os incomodados foram vencidos por 1 a 0 diante de um velho conhecido das várzeas, um time chamado Minas Gerais. E outro time depois disso, com nome de freguês, o São Paulo do Bixiga, foi vencido por acachapantes 4 tentos a zero. O moleque esforçado tinha seus méritos oficial e terminantemente reconhecidos.
E no Corinthians é assim, e em nenhum clube no mundo é igual; das maiores Glórias também sobrevém enormes crises. Mas o Corinthians é o Clube que aprendeu a fazer antídoto com o veneno das crises. O campeonato de 1913 veio, e o Corinthians toma surra atrás de surra. Crise... Os anticorintianos zombam; “timinho”. Não. Aqui é o Timão.
Timão é um apelido que ficou. Um bom exemplo de veneno que virou antídoto, nas Tradições e Glórias Mil do Coringão.
O Capitão Casimiro do Amaral então recruta das categorias de bases do Clube do Campo do Lenheiro, vai buscar do segundo quadro os moleques. Manuel Nunes, Neco, o Jogador-Símbolo, o próprio Corinthians Encarnado. E Amílcar Barbuy, que refinou a técnica Corinthiana e foi o primeiro Mestre da Bola da República Corinthians. Depois que eles entraram em campo, o Corinthians não perdeu mais. Não houve tempo hábil de sermos campeões em 1913, mas em 1914 o Corinthians foi o primeiro dos Campeões Paulistas sem perder nenhum ponto. Dez vitórias. Glórias Mil.
E crise novamente, pois os aristocratas se entocaram em um campeonato onde poderiam ser campeões, sem que o Futebol varzeano os incomodasse. Quem se entoca tem medo. Mas o Corinthians insistia em querer ganhar desses caras em campo. O que essa aristocracia não só considerava atrevimento, como temia porque sabiam que aquele Corinthians estava pronto para derrubá-los do pedestal. E então veio o passa-moleque de 1915, o ano crucial. A maior crise da História Corinthiana.
O Corinthians ficou impedido de jogar o campeonato. A mesquinha atitude da pseudo nobreza imputava a crise no âmago do Corinthianismo. O passo era largo demais para a perna curta do moleque varzeano.
O que amparou esse moleque ainda pequenino foram as mesmas mãos, e os mesmos pés, que criaram o Clube e o transformaram na maior paixão do Mundo. Quem carregou o molecote que tomava uma rasteira, e não deixou ele cair de jeito nenhum, foi a Torcida que criou para si um Mito. A Torcida que forjou a mais bela história. A Torcida que é a Mãe do Clube do Povo.
Pois os Guerreiros Corinthianos eram também Torcedores, e o Corinthians é o paradigma do Amor e da devoção a um Clube. Que é bem mais que um Clube; é a própria Voz de seu Povo. A intenção era pulverizar o time do Corinthians, que teve de emprestar seus jogadores para outros times. Esperavam assim que o tal clubinho acabasse. Mas os Guerreiros Corinthianos, por Amor e por Ideal, voltaram ao Corinthians. Para vencer os dois campeões daquele ano. Campeão dos Campeões de 1915, portanto.
E disputaram os amistosos que possibilitaram a grana curtíssima para os encargos pesados que o moleque varzeano assumia ao querer pretender fazer parte do Futebol dito “oficial”, depois ainda insistir em jogar com quem achava que era dona da bola, e acabar sendo o marco inicial da democratização do Futebol, tornando-o o esporte do povo e para o povo – e aqui empresto as palavras de Thomaz Mazzoni.
“O Corinthians trouxe para cima, para o Futebol oficial, rapazes dos chamados pequenos clubes da várzea, impondo um novo estilo, mais arrojo, mais malícia e um outro espírito de combatividade”.
E o Corinthians pagava o preço de seu arrojo. E de mais essa enorme crise, a Glória de 1916, mais uma vez sem perder ponto nenhum. Provando que era o tricampeão alijado da disputa. Por isso aquele moleque varzeano é um Gigante que nenhuma crise derruba.
Quando a aristocracia da bola conseguiu armar um time capaz de enfrentar os clubes populares que já eram mais do que uma maioria – graças ao Ideal Corinthiano – daí eles unificaram o campeonato. Mas nesse ano de 1917 o Corinthians vivia mais uma de suas crises. Havia se comprometido com a prefeitura, a transformar um terreno que era um charco numa praça de esportes. Mais uma vez o Corinthians solucionava sua crise com uma digníssima Ação Direta.
Sócios inadimplentes puderam sanar suas dívidas com o Clube trabalhando no mutirão. Muitos se associaram para ajudar. O Corinthians, por conta do mutirão, passou a ser o Clube com maior número de associados da cidade.
E o mutirão da Ponte Grande foi o maior espetáculo que uma Torcida pode fazer acontecer: construir seu próprio clube. Literalmente e com toda a força da expressão.
Pois só a Torcida Corinthiana é capaz disso. Forjar sua própria história na luta, com a cara e a coragem, com suor e com sangue. E o Corinthians só é Corinthians porque gerou essa simbiose com a Torcida.
Quando o Doutor Sócrates diz que a Torcida Corinthiana joga, ele não exagera uma vírgula. E, vejam, ele diz isso sem pensar diretamente na Ponte Grande. Pensando nesse mutirão, nessa Ação mais que Direta, devemos então ampliar a frase do Doutor. A Torcida Corinthiana constrói seu Clube, luta por ele até a última gota de sangue, vive por ele. Assim é desde 1910, e é esta a principal explicação para este Clube ter, mesmo na pobreza material em que foi concebido, sobrepujado todas as crises que quiseram lhe abater. Nada foi possível lhe abater, pois nada derruba um Gigante.
A sua Mãe, a Fiel Torcida, havia construído para si uma fortaleza, um verdadeiro colosso.
Mas, sempre altaneiro, em segundo ou em terceiro nestes últimos anos de sua primeira década de história, só voltou a ser campeão – coisa que importa muito pouco perto da importância de ser Corinthians – no ano do centenário da Independência, em 1922, o que gerou inveja nas madames pois significou de vez a perda da hegemonia aristocrática perante a Bola. Até lá, porém, crises.
Veio um tri-campeonato, que fez madame se entocar em um campeonatinho só dela. Mas que foi intercalado por uma séria crise. No fim de 1923, um parente de Amilcar mantinha o bar da Ponte Grande em funcionamento. Ocorre que, considerando um desmando e uma desavença da diretoria, não conseguiu renovar a concessão do bar, que foi parar nas mãos de um parente de algum diretor. Uma crise interna brava. Amílcar saiu do Corinthians por causa disso. Mas o Corinthians, segundo seu próprio filho, jamais saiu de seu Coração.
Outra crise foi quando se constatou que aquela praça de esportes, outrora considerada a melhor da cidade, em sua inauguração, já não comportava a Torcida. Era preciso crescer. Então Ernesto Cassano deu o passo mais ousado da história; adquiriu uma Fazendinha, na área rural da cidade. Na beira do rio. A Zona Leste Corinthiana. E para fazer tudo acontecer, o que não faltou foi crise. E quando tudo estava inaugurado, o Corinthians voltou a ser campeão. 1928. E ainda foi bi em 29 e tri-campeão em 30.
Enquanto isso, Clube predestinado que é, principiava a ser ainda mais poliesportivo. E o mesmo anjo-da-guarda que ajudou materialmente o Corinthians, Alfredo Schürig, era o Presidente quando a segunda maior crise da história aconteceu. Tudo estava perfeito, mas o time não se acertava mais em campo, depois do tri em 1930. Os principais jogadores haviam ido para Italia, no famoso êxodo. A diretoria já era acusada de não olhar mais para o Futebol, e só olhar para a sede do Clube e para os esportes considerados menores pelos torcedores.
E então veio, em 1933, a pior derrota da História Corinthiana, justamente para o maior rival. A sede social, que ficava no centro da cidade, foi quebrada, incendiada. A diretoria de Schürig, dos irmãos Piza, uma das melhores diretorias da História do Corinthians, fracassava em campo e, vendo a revolta e considerando-a injusta, pedem demissão. Todos da diretoria. A crise?
A crise se agrava. E faz até José Martins Costa Junior, eleito presidente para tentar segurar a bronca, se demitir em 34, sem concluir o mandato. E então, em 35, surge Manuel Correcher. O Clube consolida seu caráter poliesportivo, ganha seus primeiros campeonatos no basquete, remo, natação. E o Timão em campo se acerta novamente. O Corinthians respira, a crise se amansa. E finalmente se supera nessa longa crise que passou, para se ajustar ao profissionalismo, vigente desde 33.
Em 1937 é campeão novamente, primeiro título no profissionalismo. Chamado de campeão da paz, pois neste ano a crise do Futebol Paulista, após sua terceira e última cisão elitista, havia novamente se unificado. Neste apogeu do Gigante do Parque São Jorge, aconteceu o bi em 38 e o tri, em 39. Mas sua pujança sempre causou crises nas madames. Elas então se utilizaram de uma emenda federal, subterfúgio nefasto de quem se julga mais do que é de fato, para, através da secretaria de esportes da época, promover uma intervenção no Corinthians. A crise de 41 foi a terceira grande crise, uma crise que é um marco histórico da Luta Corinthiana.
A intervenção consistia em proibir estrangeiros de presidir clubes. Era essa a desculpa para interferir na vida do Clube mais hegemônico da época. Tal interferência custou caro para o Corinthians, que precisou destituir seu Conselho e seu corpo diretor. E admitir um presidente nomeado pela madame. Crise brava, meu irmão!
Mas esse cara não durou nem um dia, e logo o Conselho de Paz elegeu Pedro de Souza, que encaminhou nova votação. E então os Corinthianos puderam decidir seu comando novamente.
Vejam, e entendam, portanto, que até na soberania do Clube do Povo já interferiram, para tentar diminuir o indiminuível.
Manoel Domingos Correa foi presidente de 41 a 43 e passou a faixa para Alfredo Ignácio Trindade em 44. Lourenço Fló Junior assumiu em 47, antes de Trindade reassumir em 49. Mas em campo, o Timão ainda solucionava as suas crises, embora se fartasse a conquistar muito em muitas outras modalidades esportivas.
No Futebol, o Coringão solucionava sua crise do mesmo modo como sempre solucionou. Buscou seus moleques bons de bola nas Categorias de Base.
E os moleques como Pequeno Polegar, Belangero, Colombo, Cabeção, foram o esteio dos Anos Dourados do começo de 1950, quando conquistou tudo o que era possível conquistar, e além da hegemonia no Futebol, passou a ser em definitivo o Mais querido do Brasil.
Uma crise fugaz aconteceu no primeiro tempo e no intervalo de um último jogo que já não valia mais nada, mas era contra a freguesia mais consolidada do universo futebolístico. A madame freguesa fazia 0 a 2 no já Campeoníssimo Coringão. Era domingo, 1º de fevereiro de 1953, valendo pelo campeonato de 52, e o Corinthians jogava já com a faixa no peito.
O Presidente Trindade chutou a porta do vestiário, baforando e mastigando seu charuto.
“Vocês não merecem essa faixa de campeão”
Pronto. A crise estava consolidada. Como foi que o Timão saiu dessa crise? Voltando a campo e virando o jogo como tem que ser, com gol de Carbone aos 42 minutos do segundo tempo. 3 a 2 sobre a freguesia. De virada. Espantando a crise do Campeão...
Porque só o Corinthians é capaz de ser campeão em crise, eis a natureza das coisas.
Foi nessa época também que o Pequeno Polegar punha seu marcador em crise. A maior vítima foi um argentino, Luiz Villa. Esse viu a bola passar debaixo das pernas por sete, oito vezes. Numa mesma jogada. Luizinho era o próprio Cometa deixando todo mundo de queixo caído. E trazendo crises para a anticorintianada. Isso lhe rendeu uma crise; não foi chamado para as copas do mundo em sua época.
Mas com essas tantas glórias vividas, em um período relativamente curto, o Clube do Povo já não sabia mais o que era crise.
Uma desagradável crise insistiu em perdurar por pouco mais de duas décadas.
Foi a quarta grande crise da História do Corinthians. Faltou ao Clube do Povo um campeonato paulista, durante 22 anos, 8 meses e 7 dias.
Nesse tempo que transcorria em crise cada vez mais aguda, insistente, o Clube do Povo comprovou, mais que nunca, sua vocação poliesportiva. Eram os tempos de Rosa Branca, Wlamir, Amaury, Ubyratan, Renê. Os tempos dos carnavais da Cidade Corinthians, das festas juninas, e das grandes festas no monumental Ginásio.
Quem procurar nesse blogue encontrará; fizemos uma listagem de tudo aquilo que o Corinthians conquistou nessa época de jejum, em seu Ginásio, que ainda hoje é o maior da cidade. E em suas piscinas, remando nas raias, com raquete, com peteca, com bola, de todas as formas possíveis. E no judô, também. Enfim. Amargurávamos essa famigerada fila, e alguns respiros de alegria teimavam em vencer aquela agonia.
Em 68, vencendo o time do Pelé, com Flavio e Paulo Borges. Em 71, virando sobre a tão purpurinada academia, aqueles 4 a 3 de Mirandinha, Adãozinho e Tião. A fatídica final de 74, que acentuou uma crise decantada há quase duas décadas, na época. A agonia crispava, fazendo o Torcedor Corinthiano atuar com mais amor ainda.
E o Ethos Corinthianista proporcionou o espetáculo de triunfo de um Povo sofrido, mas que usa a crise para criar o antídoto.
O Corinthians, a Voz do Povo em 1910, era então muito mais que uma voz. Era já uma devoção religiosa, um Ideal concretizado e vivido, e recriado a cada dia.
O Corinthians é o Pão Nosso de cada dia.
O dia 13 de outubro de 1977, que completou seus 33 anos nessa quarta-feira, a idade de Cristo, tomou fôlego em 1976, no Espetáculo da Invasão Corinthiana. A Fiel Torcida transpôs centenas de quilômetros para lotar o maior estádio do mundo. E estar mais presente que a própria torcida local.
Só a Torcida do Corinthians é capaz de fazer isso. É este o Ethos Corinthianista.
O Corinthians conquistou a Cidade Maravilhosa. Ocupou o Rio de Janeiro com sua milícia desarmada, seu numeroso exército de Festa. O Corinthiano provava o sabor da redenção de 13 de outubro de 1977 um ano antes dela acontecer. Invadir uma cidade, numa ditadura militar, só o Ethos Corinthianista é capaz de fazer.
A crise era tamanha, que ela já não mais fazia diferença nenhuma. O Povo Corinthiano se entregava como nunca a essa Causa. E o deleite Corinthianista aconteceu, como no sexo tântrico.
Até que São Basílio, Primeiro-Tenente da Companhia de Jorge, o escolhido para libertar o Povo na noite de 13 de outubro do ano sacrossanto de 1977, adormece na rede esses 22 anos, 8 meses e 7 dias em forma de Deusa Bola.
A explosão da superação Corinthiana reverberou. Em 79 o Corinthians voltou a ter crise. Uma crise de campeão. Tô de saco cheio de ser campeão era o antídoto de uma geração calejada que suportou uma travessia por um deserto quase intransponível.
Em verdade vos digo que apenas a Fiel Torcida seria capaz disso, como de fato foi.
E a prova de que o Corinthians só vive se for em crise está agora. Após esse marasmo, de saco cheio de ser campeão, sobreveio uma mais que necessária crise, já contada neste programa, que foi solucionada com nada menos que o maior movimento político no Futebol de todos os tempos.
Em época de ditadura, o Corinthians foi o único Clube a lutar pela Democracia.
A Democracia Corinthiana causou a crise nos detratores...
E quando Democracia perdeu no congresso nacional, e em campo, sobreveio nova crise.
E onde foi que a crise de meados do ano 80 começou a ser solucionada? Sim, nas Categorias de Base do Corinthians. Sempre na Base.
Para sermos campeões do Centenário da Abolição, passamos por crises. Em 88, havia uma crise a ser suplantada, e quem venceu foi o pé de um moleque do Terrão, Viola. Mais crise, um Timão desacreditado mas sob a bênção de São Jorge, conquista o Brasil em 90.
Mais crises, inesquecíveis períodos probatórios para uma geração inteira, até que chegou o ano redentor de 1995.
E além de jogadores que chegavam de fora, os principais personagens desta época eram justamente os moleques da Base.
E desta época até 2003, era raro acontecer alguma crise séria no Corinthians, embora todos vissem que esta grande crise estava para emergir.
E de fato ela veio, implacável, no final de 2004. O então presidente, o desmandatário Alberto Dualib, tenta arrumar uma nova parceria. Contaremos com muitos mais detalhes este período no próximo programa na www.radiocoringao.com.br (Toda sexta-feira, às 20h30).
Fato é que ela veio disfarçada, mascarada, pegou a torcida numa armadilha. Muitos dos nossos caíram no conto do vigário. Disfarçando-se com um título brasileiro, de 2005, a crise veio em maio de 2006, e durou mais de um ano até ter seu desfecho: a segunda divisão.
Foi uma crise maluca, de uma natureza diferente. Estávamos sendo golpeados no âmago do Corinthianismo: a direção do próprio Clube. O Corinthians estava sendo esquecido por quem deveria cuidá-lo e resguardá-lo. Nunca antes na história havia acontecido algo assim. Derrubado o desmandatário, surge então Andres, com sua nova gestão. De planejamento, marketing, business.
Promessas de retomada do Corinthianismo. O que ocorreu, porém, foi esta retomada no viés do consumo, enquanto o Povão Corinthiano seguia Corinthianizando de toda forma, pois assim será sempre.
A gestão emplacou o business, como dizíamos, mas Futebol e principalmente o Corinthians, não podem ser administrados segundo este viés, unicamente. O planejamento do business trouxe o balanço sustentável, a volta ao lugar de direito, um Paulistão invicto, uma Copa do Brasil. Mas o business possibilitou uma certa falta de vergonha na cara, justamente porque business é algo em que não pode ter ver vergonha.
A impessoalidade do business é onde está fincada a crise que passamos agora. E quando disso sobrevém resultados desfavoráveis em campo, quando acontece a apatia em Campo de Bataglia, então a Fiel Torcida acorda. Vem acordando aos poucos, para esta coisa de business e impessoalidade. Coisas anticorintianas na essência.
Mas há que ser notada a faceta contundente que esse business imprime na Torcida. Uma fugaz reação contra o rebaixado patético goianiense causou algumas palmas em um pedaço da Torcida presente ao Pacaembu, não obstante a apresentação bisonha do time.
Poderiam até serem cínicas, se tivessem sido seguidas por xingamentos. Mas não, significavam justamente as palmas pela apatia do restante do jogo, a permissão para essa apatia.
E então, neste dia 13 de outubro de 2010, quando o dia da Libertação completou 33 anos, a idade de Cristo, aconteceu como que uma crucificação. Inclusive com vários Pilatos lavando as mãos.
As palmas para a apatia surtiram efeito. O time do Corinthians sequer reagiu naquela noite.
Neste sábado de manhã a Torcida compareceu ao treino, cerca de 300. Evidentemente a grande maioria era de integrantes de Organizadas. Cumprem um papel fundamental de fazer presente o Ethos Corinthianista. E que é este Ethos? É nossa âncora, nossos remos a bóia, a própria bandeira. A Torcida do Corinthians não tem direito de ficar apática. A questão é cobrar certo. Não adianta vir treinador se a estrutura continua. E nisso vamos para o Clube como um todo, mas não ainda. É preciso mudar a Diretoria de Futebol. Não pode sobrar só para os funcionários da Diretoria. Além dos jogadores e do técnico que já se foi, o diretor de Futebol deveria ser apontado como causador dessa crise. Daí o Gordo assume a diretoria, e ele tem várias cartas na manga, certo? Mas e este campeonato? Vão levar com a barriga, como estão fazendo? Daqui há algumas rodadas vão jogar a toalha? Ou vão conseguir o que seriam capazes se tivessem vergonha na cara? Cambada de vagabundo, o oba-oba acabou. Vamos lembrar isso para vocês todos os dias, podem ficar tranqüilos.
...mas isso é até bom, Família Corinthiana. Quando aqui dizemos que SÃO JORGE escreve certo por linhas tortas, não estamos exagerando e nem sequer errando qualquer vírgula. Acabou em definitivo o oba-oba. Agora, Andrés, você colocou lenha nessa fogueira. A culpa é dos caras ao seu redor. E sua, evidentemente. Como é que vão fazer, se no próximo jogo só forem vendidos os ingressos de quem vai no jogo do Corinthians, mesmo?... O que vimos hoje já vinha se desenhando há tempos; essa não é a surpresa. A surpresa é esse "planejamento" persistir. Acabou a gordura na Arquibancada, na tabela, e agora o delegobbi se esconde. O problema não é o planejamento aceitar alguém sem condições de jogo. O problema é não fazer uma auto-análise e conseguir descobrir que não planejou coisa alguma. Antes de um técnico, é necessário rever o Departamento de Futebol inteiro. São Jorge não ajuda vagabundo. São Jorgesó ajuda o Corinthians. Sempre. Agora, Família Corinthiana, é hora de perceber que passou da hora de perceber que esse negócio de planejamento, business, e outras pataquadas, nunca darão certo quando o comando é exercido por terceiros. O Velho Apoio das Arquibancadas não é suficiente para um time como este, que não é Corinthians. Isso não é difícil de entender, e digo isso porque sempre haverá apoio durante os 90 minutos.
O problema está antes e depois dos 90 minutos. E isso tampouco é difícil de entender. Menos difícil ainda é compreender que o oba-oba do planejumento de bizinis encerra aqui. Não me admiraria um despertar da FIEL TORCIDA numa hora como essa.
O post anterior diz tudo o que tenho a dizer, ainda.
E isto é tudo o que tenho a dizer sobre este jogo; duas falhas cruciais da nossa frágil defesa, uma delas impedida. Um gol perdido que comprova que o Iarley é só uma zica e nada mais. E um jogo inteiro para comprovar que esse Souza e esse Danilo são outras zicas. E que o resto ainda precisaria tomar muita vergonha na cara para merecer algum crédito.
Faltam nove partidas e um estalo, enquanto é tempo.
Mas estalo em vagabundo, advirto, é como multiplicar qualquer coisa por zero.
Hoje é preciso falar da semana passada inteira. Vamos então relembrar e refletir o que anda acontecendo. Antes de mais nada, a quarta-feira. Jogo contra um ameaçado, que por isso mesmo viria babando. O Corinthians fez um primeiro tempo razoável, teria sido bom se não tivesse perdido tantos gols. Por conta desses gols perdidos, ao sair de campo, Bruno Cesar se sentiu no direito de, mesmo tendo feito um segundo tempo catastrófico, dizer que havia tido a chance de "matar o jogo". Ora, como haveria de determinar liquidado um jogo se em teu time estão jogando figuras como Thiago Heleno, que Adilson não punha para jogar nem no time de maria que, quando ele foi embora deslanchou, ou um Moacir?
Os problemas surgiram com as contusões de peças-chaves, é evidente. Mas seguiram se acumulando quando Adilson criou o celeuma no grupo por conta de sua burrice proposital. Mas é necessário refletir, pois surge um problema quando pensávamos que ainda havia um jogo a se cumprir, que é este pelo primeiro turno a ser realizado nesta quarta.
É que pela origem do Clube do Povo deveríamos saber de antemão que estes três pontos seriam conquistados apenas para recolocar o Corinthians na briga. É assim que será, se for pra ser.
Se for pra ser, pois algo mais deve ser dito. Por mais zicas que tenhamos tido nesta trajetória, as contusões fatídicas ("fatum" é o destino inexorável a qual estamos todos submetidos, e não há jeito), mas também o corpo mole e a falta de vergonha na cara de uns e outros, existe uma zica muito pior que qualquer outra, e tudo deveria começar por ela. Este Moacir. Deveria ter pensado em ser mais operário, menos 'gestual'. Agora é muito tarde e o chute na bunda deve ser dado antes de anteontem. Não preciso comprovar a zica para ninguém, nem para ele mesmo; basta ver um jogo no Maracanã, um no Beira-Rio e outro na Arena do Jacaré para entender. É zica e precisa ir embora mais que imediatamente. Mas um outro específico, aquele que pensávamos ser um novo camisa 10 que tanto precisávamos, e que não víamos há tempos (isso no mês passado, eis a modernidade do Futebol; a sua futilidade), veio dizer que faltou "matar o jogo" de quarta. E, ora pois, que fez ele para que isso acontecesse?, pergunto-lhes eu. E mais; quem seria um pobre mortal imperfeito que pudesse afirmar categoricamente isso, desta maneira? Talvez no primeiro tempo até poderíamos ter tido tal chance. Mas a zica jogava contra nós, que não tínhamos, como ainda não temos, um cara de área. Sim, porque Iarley até tem sua função tática explicável, mas além de não ser definidor, é outra zica. Houve um lance na quarta, e a bola parecia uma batata quente na tentativa dele dominar dentro da área para concluir a jogada, mas ele não tem o insight para definir de outro modo que não chutando na mão do goleiro; isso é apenas um dos tantos sinais de que ele não passa de uma zica, e está no mesmo patamar de Moacir nesse quesito. Daí vem Bruno Cesar dizer, completando a bobagem já dita, que na quarta houve uma "pane". Ora, se o cara que cuida do físico dos jogadores vem e diz, sobre Dente, um negócio assim; "poderíamos falar que as lesões apareceram por causa da sequência de jogos, mas ele não vem atuando", o que poderemos esperar? O cara que põe o time pra jogar só fez besteira e já é passado. Depois de um jogo como o de ontem, não poderíamos esperar nada que não fosse uma degola. Faltam algumas degolas, porém. As principais tangenciam o alto escalão de poder do clube. É passada a hora de mudar a diretoria do Futebol. Está muito gestual para não dizer coisa alguma, o delegado. FORA! Que cazzo de "Futebol bizinisse" é esse?
Dito isso, é necessário dizer que se o diretor é a voz que narra um episódio de protesto, identificando este episódio como algo positivo, é sinal de que aconteceria o que aconteceu. "Eu sei o que estou fazendo", disse Adilson. É, nós vimos que sabia mesmo; colocou teu time de maria na primeira colocação. O jogo de ontem, ao invés do meio-expediente de quarta, jogaram cinco minutos em cada tempo, e o resto foi o próprio desastre. Nem o mais empedernido anticorintiano filadumaputa estava imaginando tamanho desastre. Jogou cinco minutos razoáveis, abriu o placar, foi pra cima ensaiando uma pressão, e tomou contra-ataque. Gols cada vez mais impedidos e bisonhos fulminaram nossa fragilíssima defesa. Mas estranhamente, ao invés de fazer o óbvio e tirar seu queridinho Thiago Heleno para voltarmos à zaga que sempre jogou junta - a dupla Chicão e Willian - Adilson inventou a manutenção dessa tranqueira. Com Chicão em campo a postura do time muda. Mas tem muito corpo-mole, muito carinha achando que pode "matar jogo", muita baladinha, e nenhum serviço. É hora de mudar a diretoria, o comando técnico, e recriar o esteio do time. Assim é o Corinthians. Crises homéricas e renascimentos.
Ainda há como reconquistar esse campeonato. Temos dez jogos, e se a turma que o Adilson abandonou compreender o que é CORINTHIANS, ainda teremos chances. A reformulação no departamento de Futebol, Corinthianamente comprometida, tem chance de ser vencedora. Fabio Carille já treina o time hoje. O problema é que essa costura preza a manutenção do diretor de Futebol mais que derrotado (outra zica). O próximo passa terá o de remover as duas cracas, esse Moacir e o queridinho do Adilson. Seria mais fácil se todos esses "entrassem em comum acordo" e dessem o fora, neste instante. Poderia acontecer de uma luz cair sobre eles, para se convencerem por conta própria. Ainda é meio-dia desta segunda-feira, e nada está definido. Marcião da Fiel, quem sabe? Talvez Parreira, mas sem mudar a diretoria, nada novo irá funcionar. O Gordo poderia iniciar sua carreira de auxiliar técnico. Há tempo ainda.
É possível, POR SÃO JORGE! Contra tudo e contra todos, VAI CORINTHIANS!!!
Sem conseguir escrever nada há mais de uma semana, deveria falar sobre os três últimos jogos. Vínhamos naquela ascendente, após o jogo no aquário, e fomos para o Beira-Rio sermos, mais uma vez, vítimas do apito. A anticorintianada pode até dar seus chiliques, papagaios de abutre que são, mas a moranguete é a maior ladra do Futebol brasileiro na atualidade, ao lado da madame que a formou, ao passo que o Corinthians segue sendo acintosamente e sistematicamente desfavorecido (até porque falha de débil mental, quando "beneficia" o Corinthians é roubo, mas quando prejudica o Coringão é simples falha que "acontece"... A anticorintianada de merda continua sendo esquizofrênica). Depois, dois empates no Pacaembu. Mas comecemos do seguinte ponto: o Corinthians está desfalcado, mais ainda agora que Jorge acaba de sair lesionado desse jogo infeliz de hoje.
Como é possível tanta zica? O Samurai refletia, do alto da Nossa Arquibancada, agora há pouco; os doutores que tratam do Gordo são os mesmos que tratam de todos ali. Olho aberto, portanto. A questão não é mais "apenas" vergonha na cara, é mais que isso agora, pois não vamos adiante com um Matias ou um Iarley, muito menos um Danilo. Infelizmente.
Matias anda gastando toda sua energia em casa, com a nova namorada, a musa Siara. Só por isso o petizinho deveria receber licença; um bichinho daquele tamanhinho aguentar Futebol depois de tudo, é dureza... A linda moça Corinthiana, porém, parece lhe ter dado uma tremenda sorte nesta tarde; o tamanho da (boníssima) cagada é inversamente proporcional ao tamanho dele. Ainda assim é visível o desfalque na aptidão do moleque. É evidente que o apetite pela Bola diminui. E, convenhamos, nem é tanto culpa dele. Quem deveria estar enxergando isso é o Comandante Adilson. Aliás, o Comandante põe Edu para ele assistir o adversário correr numa avenida, e para depois tirar esse Corinthiano que encerra a carreira melancolicamente.
Bruno, que fez um golaço na quarta e dá passes para as jogadas de gol, como o gol de Paulinho neste sábado, só precisa parar de pensar nas baladinhas enquanto está jogando pelo CORINTHIANS. Nada além de uma festinha poderia tirar a concentração de um jogador, como naquela jogada de Jorge, hoje no primeiro tempo, servindo Bruno que chutou displicentemente, pensando nos afagos que receberia por um gol que ainda não havia feito, em uma baladinha que ainda não havia acontecido. Acorda, moleque, que você é só mais um e olhe lá.
Iarley, por mais esforçado que pareça, é preciso que alguém diga: não passa de um anticorintiano zica. Assim como aquele Moacir, mas meu fígado não está bom hoje para falar sobre esse Moacir, aliás desde aquele domingo. Enquanto mantiver essa condição, deveria é ser chutado. Aliás, mais um azar do técnico: após aquela belíssima jogada de Alessandro contra o frufru, em que deixou Iarley fazer um gol, é que a tática desandou. Todo mundo entendeu o que Adilson queria com Alessandro ou qualquer lateral ou volante, se movimentando em diagonal, da lateral para a meia, da meia para a ponta. Todos os adversários já sabem que será assim, como o próprio Ceará hoje sabia. E Iarley, convenhamos, até atrapalha esse movimento, em diversos momentos. Perder gols faz parte, é claro, mas Iarley nunca voltou para recuperar nenhuma bola. É um mero fazedor de pose, e deixa isso cada vez mais claro. Culpa do departamento médico que não recupera o Dente.
Enfim, cornetar jogador é coisa que esse blogue nunca fez. Não é o costume. Agora, no entanto, se faz necessário. Certas coisas precisam ser ditas. Algumas delas dissemos aqui, e são os expoentes máximos do que está se passando. É necessário fazer esses caras acordarem, porque não é possível. É hora de todo mundo ali acordar e tomar vergonha na cara, e isso este blogue vem dizendo há tempos. Ainda há tempo, o que nos indica a própria sorte que tivemos hoje, quando podíamos estar até em pior situação, considerando que estávamos líderes há três rodadas atrás, com dois pontos de vantagem e um jogo a menos.
Agora temos sete jogos fora de casa, contando o jogo contra o bacalhau pelo primeiro turno, que pode nos garantir o primeiro lugar neste primeiro turno, e também no segundo turno. Sendo que um destes jogos ,"fora" é contra a freguesia no salão para festas do Corinthians... Dos cinco jogos em casa, um é clássico (porco) e outro é confronto direto (bambi mineiro), portanto é preciso mais do que nunca ganhar pontos fora, já que fizeram o favor de perder 4 pontos em casa. Parar de perder pontos em casa é condição para pensar em garantir os dois turnos.
No domingo passado houve disposição, o Corinthians jogou como Timão, time grande enfrentando um timinho caseiro e pequeno que, não obstante ter a seu favor o apito, acabou tendo sorte com nosso azar. Coisas do Futebol. Na quarta, um jogo infeliz como o de hoje. Mas hoje saímos perdendo, ao passo que na quarta poderíamos ter feito três se o Comandante não tivesse recuado o time inexplicavelmente. O que fica escandaloso é o apito, não apenas nestes três jogos. Proteger os timinhos de madame é até 'compreensível'; e a anticorintianada inventa mentiras, pois no papel de 'anti' só lhes cabe serem detratorezinhos.
O lance do Erreira, por exemplo, é típico de bandeira ruim que inconscientemente, e com muito medo de ser achincalhado pelo Alambrado, levanta a bandeira se achar que o jogador do time visitante pequeno estiver impedido. O canalha caseiro o faz sem nem pensar, assim como quando é o Corinthians o Grande Visitante, e é vítima dessa mesma canalhice. O que ocorre na anticorintianada de merda é que o segundo caso é caracterizado quase como uma "justiça" de abutre. Assim como o lance da falta batida sem o apito assistir. Quando é o Corinthians a fazê-lo, o apito manda voltar o lance. Mas o bostafofo pode, ainda mais no último minuto de jogo. Além disso é comum o adversário Corinthiano cometer faltas passíveis de cartões amarelos, e não recebê-los. Já quando é o Corinthians a fazer tal falta, é instantaneamente punido. É sistemático. Ainda assim, os imbecis papagaios de abutre continuam falando muita groselha. E é assim que será.
O que é necessário, portanto, é um sacode nesse Timão, que não deveria estar nessa situação. E poderia estar em situação muito melhor, para desespero da anticorintianada de merda. Temos doze jogos, trinta e seis pontos em disputa. É hora de acordar.
Vamos precisar matar um dragão por dia. Sempre foi assim na Gloriosa e mais bela História, a mais incrível Saga que a humanidade já fez acontecer: a Mitologia do Clube do Povo. O que é óbvio, porém, precisa ser dito nesse exato momento, limiar entre um vacilo e a Glória. O Corinthians é a Utopia Realizada. Nunca coisa alguma foi fácil na História do Corinthians. A Torcida que tem um Timão esteve e está sempre junto, mas é necessário compreender o Corinthianismo. É necessário entender que este Manto Sagrado foi tecido com a Alma de Neco. Sem compreender isso o sujeito fica feito barata tonta em campo, a exemplo de uns e outros na tarde de hoje.
Entender que o Corinthians é uma Nação em campo é condição até para ser um cidadão decente. Por São Jorge!
Muito se falou que Dorival "bateu um penalti que não era o dele". A pequena sereia pôde, então, mandar todo mundo se foder, e a menina da vila com seus empresários ganharam o braço de ferro. E quem perdeu foi o Futebol. Pois é fácil dar chapéu com bola parada. Mas quando JORGE toca a bola com classe, é motivo para polêmica... A pequena sereia, aos olhos da anticorintianada ressentida, pode fazer o que quiser que será tido como "futebol-arte", mesmo mandando todo mundo se foder depois.
Mas o Futebol não precisa de uma bailarina. E não pensem que a boa-mocisse da menina irá se manter assim.
E a Confraria de Guerreiros, a Companhia de Jorge, possui uma inabalável Mística. Quando joga como CORINTHIANS, ah, meu amigo, não venha com viadagem que leva surra. AQUI É O GALO BRIGADOR DA VÁRZEA!
Julio; Alessandro, Paulo André, William e Roberto Carlos (Castán); Boquita (Moacir), Jucilei, Elias e Bruno (Danilo); Jorge e Iarley
E o Timão veio, embalado e bem armado, para um começo de jogo tenso. Sem ter entrado no ritmo da freguesia, acabou tomando o primeiro gol, falha da zaga que não tirou a bola que sobrou. E partiu o Coringão em busca do resultado, chutando a gol e tentando criar espaços. Eis que Jucilei espera a bola sobrar em seus pés, e com um toque sutil coloca à frente de seu marcador. Avança, frio, calculista, espera o carrinho que chega rasgando grama; simples, carrega a bola fora da rota da destruição, um toque sutil com o pé esquerdo. O Senhor da meia-cancha. Iarley desponta no comando pela esquerda, e um último zagueiro tenta a sorte contra o Xangô da Companhia de Jorge, mas a bola já estava encaminha para o pé direito de Iarley, que ajeitou antes de qualquer coisa e rolou para o gol, tirando do goleiro. GOLAÇO!!!
Depois disso, só o CORINTHIANS jogava, com alguns espasmos das pequenas sereias que acham que jogam Futebol. E em um cochilo, um acidente, Julio larga a bola na área, e a sereia que tem uma vila a seu dispor concluiu, sem brilho senão o do oportunismo. Palmas para ela, que veria então o GIGANTE despertar. Até porque o próprio RONALDO encarnado defendeu a meta Corinthiana com a própria Alma. E jogando bola, Bruno apareceu na partida, no final do primeiro tempo. Levou a bola no comando do ataque e lançou Elias para dentro da área, apenas emendar para o GOLAÇO!!!
O Coringão empatava antes do intervalo. E Adilson conseguia dar um nó tático no time que manda embora seu técnico para manter o sonho de lucro de víboras empresariais, em cima de uma pequena sereia que é apenas promessa, tem o reizinho na barriga, e agora tem um clubinho pequeno inteiro a seu dispor. E, não obstante, manda todo mundo se foder.
Adílson conseguiu engrenar o Futebol de Jucilei, de Iarley, de Jorge, de Elias, e até de Danilo - quem diria. Falando a mesma língua dos jogadores, inverte posicionamentos e está dando aulas para o Futebol atual.
E voltamos para o jogo, com Julio sendo um Guerreiro Corinthiano gigantesco. As pequenas sereias não conseguiam fazer mais nada e começavam a ficar descontroladas. Eis que, mais uma vez, o técnico se apresentou na partida. Em jogada de falta ensaiada, a bola sendo cruzada na área para ser levantada novamente do outro lado, Paulo André surgia com seu tamanho e emendava de cabeça o GOLAÇO de mais uma VIRADA!!!
E a partir disso, o show começava. E vinha o descontrole das meninas que supostamente exercem o "futebol-arte", o "futebol-gostoso-de-se-ver". FUTEBOL É FUTEBOL, e a frescura recebeu uma AULA VARZEANA. E o que fazem as pequenas sereias? CHORAM. Bando de molequinhas de fraldas.
Jogaram uma bomba, inclusive. O nosso aquário de festas terá de ser interditado sumariamente, se a justiça for séria. A própria claque de sereias bambis cagüetou o imbecil, cumprindo a "modernidade" do estatuto, o que não atenua nada, como quererão fazer crer os abutres da anticorintianada. Porque, como disse Sanchez, se há algo estranho na saída de Dorival, isso tem a ver com madame. E desde que esse blogue começou dizemos: o san7x1os não passa de um apêndice da madame, o que nos prova a figura da putinha-anã. Até porque jogaram pedras, também. Se não vier interdição a abutraiada não dirá nada; inventará alguma groselha. Mas nós não. Nós somos punidos por levar sinalizador. E essa claque? E essa associação minúscula?
Enfim. Nesta nova fase da grande escadaria temos mais um jogo decisivo, fora de casa. É contra as moranguetes, outro apêndice bambi, só que do sul. Nossa margem de aproveitamento beira os 68%, o que é excelente. Precisamos manter essa média vencendo fora. E este Coringão desta fase nos inspira muito mais confiança que o Coringão do começo do campeonato, que arrancou e era líder, até certo momento. Faltam 15 jogos, 45 pontos. Mantendo o aproveitamento, 30 pontos serão conquistados. Mais do que nunca é preciso foco. Jogar pelo CORINTHIANS!!!
Que os Ancestrais da Velha Várzea, Anjos protetores do Clube do Povo, nos guiem e nos guardem. QUE O PADROEIRO NOS DÊ FORÇA! SARAVÁ SÃO JORGE
O Corinthians não conquista vitórias apenas para alimentar sua vaidade ou para fazê-las constar em manuais de história. O Corinthians busca o título para dá-lo ao Povo, como prova de carinho, como a corda mi do cavaquinho de Adoniran. O Corinthians conquista suas Glórias para que o Povo dê sentido à vida, e para que as pessoas simples descubram que a vida vale a pena.