sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Da educação e do consumo exclusivo

"Já que não deu educação pro povo, então desce o porrete e prende todo mundo". É assim que, passados séculos da formação desse país, circundado por outros tantos séculos de História de outros povos que vieram tomar parte desta formação, está pensando o fascistóide destes tempos. Tem a coisa do rolêzinho, tem a coisa de espancar viciado, tantas outras coisas já bem assentadas no imaginário - que já alçaram a condição de determinantes culturais - e vamos ter o pior semestre de nossas curtas vidas. Está chegando a hora do "espetáculo" da copa. É a prerrogativa maior que um fascistóide precisa, e o subproduto de tudo o que está sendo provocado com as ações do governo, das iniciativas "privadas", será sentido por muitas décadas.
Mas ainda não adianta ficar falando sobre isso, e ninguém está prestando atenção a essas coisas. No instante do presente não há espaço para o horizonte futuro enquanto a lógica do capital/consumo envolver toda e qualquer relação humana/natural. É simples assim, não é papinho de "marxista", e só fere a consciência de quem as rédeas da culpa disso tudo no coraçãozinho oco e apodrecido - os fascistóides que acham que estão "se dando bem". O "enriquecimento" do "capitalista" depende da miséria da população, e isso assim se constitui politicamente desde que descemos das árvores.
Ora, quando um associado sai do Clube com seus filhos, depois de um dia de piscina e conversas, e é "obrigado" a apresentar a carteirinha para SAIR, o que é que está acontecendo? Justamente isso que está sendo descrito acima, com roupagens próprias - pois cada caso é um caso. No caso, o segurança fez o papel de "leão de chácara" dos rozembergues que assolam o Corinthians no lugar do velho traidor e em nome do preibói iraniano e tudo o que ele representa.
A mesma lógica está no cambismo terceirizado dos ingressos. E o Corinthians segue sendo o próprio Brasil visto por dentro. No caso do associado, que entrou no Clube por biometria, sem necessidade de carteirinha, apresentar esta para sair está fora do sentido da própria "modernidade" - o que denota o fato dela ser usada para sustentar discursos próprios de fascistóides, na ocasião em que for necessário, e não tem imbuída em si mesma o caráter que se pretende expresso no momento do uso - ao mesmo tempo que condiz com o que pensam os rozembergues "modernetes". A Charada de Jorge ninguém ainda solucionou.

Pode-se até duvidar do Libertarismo dos Primeiros Corinthianos (o ceticismo é salutar, Camarada, no entanto, o é sempre dentro dele mesmo e nunca pra fora, jogado por jogar, sem método ou meta a não ser de ataques infundados), pode-se e deve-se exigir a documentação histórica que comprove este ímpeto protagonista formador e poderoso, mas fascistóide rozemberguiano jamais conseguir negar a prerrogativa inclusionista que é a base desse ímpeto protagonista. Ela possui uma natureza simples demais para que se possa fragmentar ou ocultar, de forma que o associado que sofreu a velada "exclusão", no episódio descrito, pudesse ser um Doutor partidário das "modernizações" promovidas pelos próprios rozemberguianos. No final das contas, o "capitalismo" é só a socialização da exclusão, e é isso que o discurso da "modernidade" favorece.
Daí a necessidade, também, dos rozemberguianos se igualarem aos outros clubes historicamente exclusivistas (que, por suas vezes, tendem a se igualar com o caráter inclusivista que o Protagonismo dos Primeiros Corinthianos proporcionou). O negócio do "puteiro" (que pimpaulinhos ridiculamente adoraram) numa das revistinhas mais bambi que existem, por exemplo; como é que os "radicais" sempre chamaram a madame e seu privadão? De puteiro. O marqueteiro acha que não dá ponto sem nó!
E tem a copa, tem o estádio envolvido e envolvendo o Clube, e todo esse subproduto, uma máquina de fazer dinheiro sustentada por uma paixão que, dentro dessa lógica capital/consumo se esvazia - e alienado não entende nem percebe. O futuro não é somente duvidoso. O presente também o é. O escândalo do momento, da cracatua de plástico e o dinheiro que sumiu Catalunha afora, escancara toda essa lógica, mas não é isto que se discute na "mídia" (ah, se fosse o Corinthians...). Pois você precisa estar conformado, leitor. Não poderá nunca duvidar do capital. E assim caem mandatários e o sistema se reforça, se defende. O buraco afunda.

Começa o ano, numa Final de Copinha, com duas rodadas de Paulistão vencidas, promissor no Futebol. Técnico novo iniciando um novo trabalho, ou o que mais quiseram chamar, técnico novo promissor no aspirante, moleques raçudos na base, e tudo parece mais lindo ainda com Itaquera revolucionada pelo estádio tão sonhado desde o mutirão da Ponte Grande. É tudo uma Charada, ainda, e precisamos mudar muita coisa fora do Clube (e na sociedade...) para entender o que acontece agora, há algum tempo, que determinará um futuro duvidoso. Quem acha que tudo tá muito bom, ótimo - sorria agora. Comemoraremos este ano, com certeza, e mais certeza ainda é que sofreremos. E o que um protagonista faz, no fim das contas, é sofrer - para o sofrimento da anticorintianada que não quer compreender isso, em sua antinaturalidade peculiar.

Boa sorte para tod@s @s Corinthian@s, São Jorge nos guarneça hoje e sempre.
Saravá São Jorge que Ele vai nos ajudar

VIVA O CORINTHIANS
NOSSO DE CADA DIA!!!

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

A ponta do iceberg

Todo aquele que é paciente e/ou corajoso o suficiente para ter lido alguma coisa deste blogue já sabe o que diremos aqui. Por isso mesmo, como já dizíamos aqui e nos microfones do Bunker, vive-se uma crise de natureza distinta da natureza de quaisquer das outras tantas crises que a História do Corinthians já apresentou, e o que se observou ontem foi apenas e tão somente um dos lados da ponta aparente de um iceberg num mar de lama.
A manifestação do descompromisso com o Manto Sagrado, com a História, com a Fiel, não é de ontem e nem de anteontem, e é a manifestação concreta da alienação dos que se julgam "modernetes", ou tem rabo preso e têm que lamber bolas. No pacote disso está a burrice que nos assola, a ignorância que nos divide, e o avesso de cabeça para baixo. Sinal dos tempos: apenas este Mosqueteiro, no vagão lotado e no corredor do metrô ostentava o Manto, e nenhuma outra camiseta estava presente. Só o Manto madrugador, sozinho.
"Ser Corinthiano é mergulhar no Oceano da Paixão que afoga", dizia o verso do poeta. Esse Oceano de Paixão nunca foi uma mera imagem; foi sempre realidade. Ao passo que o "afogar", esse sim, era imagem, pois Corinthiano nunca coube em si, de forma que "afogar" é de fato dar mais vida à própria vida: Sofredores, Graças ao Padroeiro!
Eis portanto um dos lados desta ponta do iceberg: a inversão desses valores. O Oceano de Paixão passou a ser miragem para essa burrice "modernete" - o que leva o "afogar" ao status de realidade.
Coroando o iceberg está a esfinge da Charada de Jorge, que não foi desvendada, e parece que terá de durar mais tempo que o previsto.
O Corinthians é coisa simples, mas nessa inversão promovida pelos incautos dinheiristas "modernetes" tornou-se monstruosamente complexo, tanto que está adoecido. E agora ninguém pode mais julgar este "dinossauro" simplesmente um "intolerante", "radical": a coisa toda se apresenta na fuça de quem for. E este "dinossauro" já criou asas, para sobrevoar a cabeça de quem gritou "vivas" à essa inversão "modernete", e devidamente presentear com rajadas de excremento essas cabeças sem alma.
Pois o dinheirismo sempre inoculará a Alma; e esses aí preferem ficar sem a Alma, pois de fato são incapazes de conviver com ela e consigo mesmos, e fornecem seus corpos para o abate neste grande açougue do dinheiro que se transformou o mundo desta raça humana; tendem a ver nós, radicais, intolerantes e dinossauros como "antigos" (e lucenil do valle, o ideólogo do "conselheiro" zé ferreira dizia ontem, ao ver o estádio "confortavelmente" vazio perto da importância do jogo, que não "quer" a volta do antigo, como se ele tivesse "acabado"), conformadinhos que estão, propagandeando o conformismo alienado.
Um outro lado desta ponta de iceberg é o fato desse atual (ainda?) camisa 7 desrespeitar não apenas a FIEL TORCIDA no tempo presente, fazendo o que fez. Mas desrespeitar a HISTÓRIA DO CORINTHIANS ao não observar que ali na meta adversária estava o maior defensor de penalidades da História do Futebol, não um narigudinho baitola que ajoelha e caça borboleta. Isso porque esse atual 7 não é um jogador de Futebol, mas um jogador de video-game - e foi assim que tratou o Manto que lhe paga indevidos salários milionários. Assustador é ver que esses alienados "modernetes" querem a permanência do jogador de video-game: afinal, são todos estes, também, jogadores de video-game. São consumidores, e não Torcedores.
Dentro dessa perspectiva é natural observar como e porquê está em curso o revisionismo historiográfico: a identidade desidentificada é a própria virtualidade do video-game. Sem identidade, é possível uma esculhambação como aquela de ontem. E, veja: esta esculhambação não começou e não terminou nas mãos de Dida (ah, Charada de Jorge...).
No mais, fiquem à vontade para identificar os outros lados dessa ponta do iceberg. No momento oportuno enveredaremos por aqui na parte submersa na lama deste iceberg, enquanto a Charada de Jorge é esfregada na cara dos incautos alienados (que hoje deixaram o Manto no armário, afinal não houve "vitória"...). E quem não for Corinthians sabe que rumo tomar.

SÃO JORGE PADROEIRO
nos guarnece hoje e sempre

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

O golem sem virtude

Pode soar estranho, sendo este blogue "monotemático", mas estarei falando de Corinthians sem fazê-lo, nas próximas linhas.
Necessário e salutar se faz, de antemão, relembrar e conceituar uma diferença. Pois o Torcedor de qualquer clube compreende e aceita as coisas como são, diferente do consumidor de Futebol, essa figura que demoraram tanto tempo para produzir, mas que agora é quem se espera que conduza o Futebol e, por analogia, a noça çoçiedade.
Tal diferença é muito simples; existe a rivalidade e existe o revanchismo.
Por rivalidade compreendemos a relação mais virtuosa existente entre dois antagonistas. Caiu no uso popular, incentivado por abutres da pior espécie como os que se encontram por este nosso cenário, a forma decadente do emprego de tal conceito; por estes tempos dizem por aí que a sardinha é nossa rival, coisa tão absurda quanto chamar a madame de nossa rival. A relação que travam conosco (muito mais que nós com elas, diga-se, e para o Gigante são só adversários como tantos outros) é simples revanchismo, a forma menos virtuosa de lidar consigo mesmo e com o resto do mundo. Talvez seja por isso mesmo que tendam a querer que esta relação cresça em grau e se torne rivalidade - mas isso é antinatural e não acontece sem muita lavagem cerebral.
O caso da madame é o mais emblemático: a velha aristocracia perdeu o pedestal no Futebol em 1913 (uma História que a nova historiografia interna do próprio Clube tende a omitir), e no momento em que perde o pedestal na política e na economia definitivamente (1929), é também expulsa do próprio salão de chá-das-cinco. Tiveram que "se virar" com diversas falências, apoios escusos de figuras duvidosas, aportes públicos de dinheiro e de terrenos, além de uma idiotização massificadora da mídia que, durante décadas tentando, conseguiu fazer crer que o frankestein remendado da velha aristocracia maquiada é alguma coisa. Pousando helicópteros, encheram de penduricalhos e enfeites adornados esta monstruosa criatura para que parecesse menos horrorosa (vai ver que é por isso que os seus consumidores não ligam tanto pro monstro, para a feiúra embotada dele e para a antinatureza que ele porta, mas ligam mais para o revanchismo dele).
Um frankestein e um golem possuem uma mesma origem, então tanto faz o emprego de um ou de outro para essa exposição: ambos são objetos fabricados ao qual se pretendeu atribuir vida (eis a antinatureza da coisa). O golem-madame é, portanto, o que de mais abjeto já se pretendeu "criar". A atual gestão do Corinthians tem verdadeiro apreço a essa coisa produzida de vida duvidosa, e dentro de seu "projeto" administrativo estão colocando o Gigante em coma para transubstanciar sua Alma a um golem, ao estilo de madame. E isto vai surtindo efeito, uma vez que quem dá vida ao golem somos nós, e nós já adotamos a postura de consumidor necessária para manter o Gigante em coma.
Assim sendo, observemos o que anda acontecendo atualmente na tabela do modorrento campeonato de pontos perdidos e roubados. Na quarta que antecedeu este domingo passado, em que madame amargou mais uma vez a - natural - freguesia, ela foi ajudadíssima pela maria que lidera com folga esse curso de campeonato. Mas ninguém falou isso, porque ninguém viu: se aproveitaram que o joguinho foi des-televisionado, afinal quem dá ibope nessa mixórdia é o Corinthians, para operar mais um campeonato (como fizeram quando "venceram" há algum tempo atrás, mas isso também ninguém fala) já no apagar das luzes, exatamente como o penaltizinho maroto que roubaram no último minuto ontem.
O esforço para não deixar a madame-golem cair é hercúleo.
Salvar o golem-frankestein-madame é a missão "maior" neste ano da cúpula da confederação, da mídia abutre e do conjunto de canalhas do apito, afinal se madame cair seria o mesmo que degolar a arrogância desses sem-número de golemzinhos sem alma que ela criou com o tempo. E, mais importante, seria o fim de um "projeto" gestado desde 29, que não é nada mais que o próprio revanchismo contra o Time do Povo. Esse mesmo revanchismo é o motor e a razão pela qual fizeram esses alienados esquecerem a queda para a segunda divisão do 'paulistinha' que o ex-técnico-ídalo-delas relembrou em um Roda-Viva da TV Cultura (R.I.P.). Ontem, a claque de imbecis que não será punida (nas artimanhas "jornalísticas" de abutres, estão querendo é que o Corinthians seja punido) ostentava uma faixa malograda, já de antemão. Pois madame-golem já caiu, e a faixa desdiz de si o que pretendia dizer dos outros - é o que acontece quando imbecis decidem fazer graça.
A madame-golem-frankestéia pode até não cair, a operação-salvamente pode até surtir efeito, mas uma coisa é certa: o revanchismo sempre será revanchismo, e a rivalidade será sempre rivalidade.

SÃO JORGE PADROEIRO
Nos guarnece hoje e sempre

Post-Scriptum: não é à toa que o pentagrama disforme de cabeça pra baixo está na região intestinal do golem-madame-frankestéia. Não há virtude em coisas artificiais. Mas noça çoçiedade adora essas coisas sem alma, por puro revanchismo de quem já perdeu a própria alma.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

A Boa e Velha Charada de Jorge

E a máscara da gestão rachou. Os cacos caíram. A carne viva por trás dela se mostra, as pontas de cancro aparecem, e as palavras vindas com o mau-hálito da ressaca já não têm decoração. A prioridade posta no caminho mais curto para a possibilidade de participação na taça continental já é óbvia, e ainda temos um turno inteiro do modorrento campeonato de pontos perdidos. Ao mesmo tempo, a tal gestão passou o tempo inteiro incentivando, moldando e tirando o couro do "consumidor" Corinthiano, inchando o relatório anual, propagandeando-se. Mas a decisão por tal opção não pode ser anunciada, senão a máscara racha e cai. No entanto, é subentendida - e o "produto" é uma fraude de qualquer jeito.
Jogadores sem vontade, comissão técnica acomodada. São só reflexos. Só reflexos.

"O Corinthians é um vulcão japonês indormido. Ali fervem o sangue luso, um pouco dos mouros, a cimitarra árabe, a família dos macabeus, a espanholada que enriqueceu com cobre e zinco, os paulistas descendentes dos Alcântaras e dos Machados, e algumas ramificações do povo da Bota que encheram as noites do Bom Retiro de bandolins e pizzas napoletanas. Bote-se tudo isso num cadinho, mexa-se com fogo brando apaixonado, misture-se essa poção poderosa com o Povo Brasileiro, nós, e está feita a Explosão chamada Corinthians Paulista.
Como se vê, a receita é simples."
(Mestre Diaféria)


O Vesúvio entrou em erupção no ano de 79 da Era Cristã, nono dia antes das Calendas de Setembro, e a lua estava minguando.
O efeito devastador deste evento, que nunca havia sido igualmente descrito no mundo antigo, foi das coisas mais impressionantes já vivenciadas pela memória cristalizada em forma de História.
O relato sobre a tragédia foi escrito por Plínio, o jovem, e pareceu loucura a todos os antigos e medievos que tomaram contato com a peça. Descrevia um pinheiro gigante de fumaça e fogo que se expandia e era arrastado pelo vento, criando noite onde deveria ser dia. Tal "insanidade" foi comprovada pela ciência contemporânea, e pelas provas arqueológicas, depois de descoberta (literalmente) a grande ruína de Pompéia.
O tio-avô do jovem Plínio, chamado Plínio, o velho, considerava-se um acurado observador da physis, e teórico dos assuntos relacionados aos fenômenos naturais, de forma que, quando lhe foi apontado o que acontecia na outra ponta da belíssima baía, prontamente mandou preparar os navios para observar de perto.
Veja, o teórico foi ao fenômeno sem saber do que realmente se tratava, e dos perigos que corria, enquanto seu sobrinho permaneceu no domus descrevendo o que via. Naquele momento, todos admiraram a coragem do teórico, ao passo que o cronista ficou sendo ridicularizado pela posteridade - até que a realidade fosse colocada cabalmente.
O jovem escapou da tragédia e ainda pôde viver o suficiente para fazer carreira no Império. O velho morreu com os órgãos e o sangue carbonizado, quase instantaneamente, dentro da nuvem dilatada da erupção.

Guardadas as devidas proporções, com os "radicais intolerantes" Corinthianos ocorre o mesmo que com o jovem, enquanto os "acomodados" serão carbonizados pela erupção da "modernidade" e da elitização.

A 'História' ainda ridiculariza os primeiros e denota a "coragem" dos segundos.

domingo, 1 de setembro de 2013

Memórias de um Ancestral

Aqueles tempos não eram fáceis, foi preciso muita união e coragem para enfrentar a segregação classista daqueles que por aqui já estavam assentados, com seus tentáculos agarrados e sufocando aqueles que sonhavam com uma vida de melhores condições, com os frutos do suor e do sangue do trabalho. Logo que cheguei a este país, tudo era novo, mas a exploração era a mesma. Quiseram que eu fosse um parceiro do fazendeiro, mas já conhecia o funcionamento e as artimanhas. De onde eu vim, há muitos séculos a coisa toda era assim. Por isso não me deixei levar à Hospedaria dos Imigrantes, e sabia de um patrício que vivia em boas condições num bairro afastado desta SanPaolo, lugarejo arborizado onde os passarinhos faziam sinfonia.
Este meu patrício conhecia todo mundo naquele lugar que bem chamaram Bom Retiro. Era o barbeiro do bairro, mas só fui entender que ele não era apenas isso quando conheci todos aqueles camaradas. Era um mundaréu de gente, o bairro todo movido em torno daquilo que chamavam protagonismo. O mesmo sonho de uma vida que todos tínhamos, todos nós que embarcamos num vapor e saímos de nossas terras. E ali estavam pessoas de todos os lugares que já ouvira falar, e de outros que não tinha noção que existia. Interessante é que, com tantas línguas, todos nós nos entendíamos, e cada um falava de sua própria maneira.
Cheguei numa noite fria, meu patrício estava doente, mas sabia que chegaria. Assim, me encaminhou para a casa de um camarada, já tinha arranjado tudo, e eu ficaria ali até arrumar-me. Este camarada estava reunido com uma dezena e tantas, e eles discutiam um movimento. Ali estavam camaradas de macacão sujo, de terno, uns jovens outros envelhecidos pelo labor, todos inflamados com uma idéia em comum.
Eles falavam coisas como evitar a violência da polícia. Levei pouco tempo para entender que aqui nesse país a polícia também reprimia, e eles queriam criar um time de futebol para poderem discutir o que precisavam sem que a polícia achasse tudo aquilo muito estranho, e começasse a bater. Já haviam perdido camaradas em outras oportunidades, assassinados em via pública, sob os olhos de todos. E não queriam mais que isso viesse a acontecer.
Passei pouco tempo na casa do Antonio, que logo me arrumou um trabalho e pude me arrumar. Aquele pessoal arrendou um terreno para fazer acontecer aquela idéia, a qual admirei muito, e prontamente aderi. Chegavam muitos patrícios e gente de outros lugares do mundo, e o Bom Retiro, com aquela idéia em marcha, agregava a todos. Éramos muitos, e já começávamos a dar nas vistas e na paciência de quem não nos aguentava assim, tão organizados. Com a escusa de sermos um time de futebol, articulamos com outros bairros a idéia, e em pouco tempo, posso dizer, estávamos na cidade inteira. E em menos tempo, em várias outras cidades. Outros times surgiram com o mesmo nome do nosso. Mas os lugares onde jogávamos não era o mesmo lugar onde a classe mais alta jogava. Por incrível que pareça, os bem-nascidos achavam que jogavam bola. Eu já estava casado, com o primeiro filho na barriga, quando o nosso time conseguiu a proeza de ir jogar na cancha dos ricos. Aquilo foi uma revolução de verdade. Não é possível imaginar realmente a cara de asco de quem era imbuído da segregação. Tanto que, com essa cara de asco, fugiram do nosso time. Mas nós alcançamos e nos vingamos pouco tempo depois. O tempo passa, e o destino acontece como deve acontecer. A ordem natural das coisas é respeitada pelo destino, e aquele time se tornou de fato um Clube. Construímos um estádio, com nosso suor e sangue. Adquirimos uma fazendinha. E crescemos de forma que o mundo nos conheceu.
E venho falar-lhes hoje, cento e três anos após minha chegada neste país, que toda aquela turma grande que encontrei naquela noite fria, não reconheceria o que criaram. Não pela grandeza, pois naquela noite esse destino estava previsto e foi selado, mas pelo propósito que impulsionou tudo isso, a idéia. Hoje nós não conseguimos mais ver onde está a idéia.
Ela só está nas cabeças de alguns, por incrível que pareça. E contra a própria idéia, igual os tentáculos agarrados, desvirtuam o propósito, dizem "quem manda aqui sou eu", acabam com a Sede Grandiosa que construímos com suor e sangue. E pretendem ficar ricos com o que acham que é uma máquina de fazer dinheiro. E criam versões para justificar essa tramóia, transformando esse nosso passado em historieta palatável. Não éramos cinco operários, éramos muitos e de diferentes origens e profissões; não éramos um time, mas um movimento. Essa domesticação da nossa história está justificando, nas cabeças dos que chegam, toda essa estapafúrdia enganação. Nem Antonio, nem Salvatore, iriam reconhecer, nisto que se apresenta hoje, aquilo que empenharam a própria vida.
Mas a Memória de um Ancestral não irá se apagar nunca.

"Algo vive tanto tempo quanto a última pessoa se lembrar dele"
Memória, como o fogo, é radiante e imutável, enquanto a História serve apenas àqueles que procuram controlá-la, àqueles que querem varrer a chama da Memória, para apagar o perigoso fogo da verdade. Cuidado com estes homens, pois eles são perigosos e ignorantes. A falsa História deles está escrita com o sangue daqueles que possam se lembrar, e daqueles que procuram a verdade.

VIVA O CORINTHIANS
NOSSO DE CADA DIA!!!

sexta-feira, 26 de julho de 2013

A Charada é Implacável

A Charada de Jorge continua. Recentemente, em âmbito nacional, observamos a mídia abutre tentando inferiorizar a insatisfação latente de nosso povo, e muitos compravam o "ideário" alienante: afinal, com o 'bolsa família', por que este povo está reclamando? Mas não eram estes que estavam nas ruas, e sim os bem nascidos desta nossa pátria, igualmente insatisfeitos! Bem que queriam retratar a nossa face de comodista, mas não puderam. Assim, infiltraram-se, semeando a discórdia e a baderna. Temos exemplos disto acontecendo por estes dias, no Rio. Observem a tecla da baderna; ela é essencial para o "ideário".
Segue firme a Charada, pois nos últimos anos vemos acontecer no Corinthians algo que parece ser evolução, mas é devastação. Títulos são o 'bolsa família' do Torcedor, garantem o discurso da 'competência' e possibilitam diversas justificativas administrativas que carregam em si a devastação. Não existem dúvidas sobre o Futebol ser uma máquina poderosa de capitalização. Quanto mais azeitada for, mais a máquina produzirá dinheiro. A arapuca do plano de fidelização do cliente consiste em garantir a renda, mas não a porcentagem absoluta de ocupação do estádio. Ou seja, se vende ingressos hoje pelo plano de fidelização com a finalidade de garantir uma renda média, que hoje vem sendo bastante polpuda, pois as vitórias estão acontecendo. Mas não se vende ingressos com a finalidade de garantir 100% de ocupação dos lugares do estádio. Assim, o preço do ingresso de qualquer setor, está majorado de forma a devastar a própria torcida, e aqui tentamos apontar o problema não apenas da elitização (pois através deste mesmo Corinthians, a Revolução de 1913 já foi ultrapassada; através do próprio Corinthians, o Povo perdeu seu lugar no Futebol).
A Charada de Jorge é implacável como uma Esfinge. O Corinthians inaugurará seu estádio em território onde garantiria o 100% de ocupação, em todos os jogos, com um preço condizente - o que lhe garantiria uma renda também condizente com os propósitos de desenvolvimento do Futebol e do Clube, mas não de quem tem olhos maiores que a barriga, onde carregam um reizinho sem coroa. Mas o sistema devastador perdurará ali, e quem não tiver condições financeiras para se garantir presencialmente em todos os jogos, e garantir o boleto pago da 'fidelização' (?), esqueça o estádio. Em plena Itaquera, um templo para burguês ver - e como o Corinthians é o Brasil visto por dentro, está aí a face comodista da noça çoçiedade.
Se a garantia desta renda que os olhos do reinól pretende irá ter pernas, é justamente o que a resposta de Jorge à Charada irá dizer. Será bastante intrigante a renda pretendida não acontecer - pelo preço, por derrotas (afinal, Futebol é Futebol. Mas Corinthians é Corinthians), por revoltas sistemáticas de... "baderneiros"!
A Charada abrange, inclusive, a Historiografia. Não será de se admirar se os conceitos do Senhor Toninho de Almeida e do Fundador Senhor Antonio Pereira estiverem domesticados e desvirtuados em um futuro próximo, que já vem acontecendo. A devastação terá sua aparência mais horrenda por aí. A Lenda do Clube do Povo, que é a Saga do Povo por um lugar ao Sol, toma a roupagem de uma anedota do passado, descolada da realidade. Ela é de fato atemporal, mas tomada frente à tal da "evolução" (que é devastação, lembre-se) pode ser um fator de acomodação, como a moeda número um do Tio Patinhas. O ideário atemporal do Libertário passou a ser o do "self made man": é esta a tal história que se conta, ainda que se intente propagar o ideário verdadeiro. É essa a verdadeira monstruosidade que estão a promover, talvez sem saber, sem nem imaginar, inconscientemente, como um alienado citando a orelhinha do livro.
A mídia abutre, afinada com a administração do Futebol como um todo, e do Corinthians em particular, está inferiorizando tais insatisfações. É a praxe. Mas Jorge é implacável (a própria madame sente - se é que ela sente alguma coisa - isso nas cascas de maquiagem que se descolam de suas rugas). A onda é lucrar, não desenvolver (mesmo que insistam que as duas coisas andam juntas, o modelo as exclue, como veremos num futuro próximo). E quem está lucrando com o Corinthians não é o Corinthians, nem hoje, e nem será amanhã. Não enquanto a charada desmascarar o próprio modelo. O Povo irá fazer o Corinthians, dizem os Ancestrais. E no Eco da Revolução de 1913 os intolerantes e radicais de hoje apontam para o eterno retorno do movimento da História - não repetição, mas a própria realização. Saravá, Santo Padroeiro.
VIVA O CORINTHIANS
NOSSO DE CADA DIA!!!

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Centésima borboleta

A hora é de comemorar. Este grupo comandado pelo Sr. Adenor mostrou serviço e conquistou mais uma taça. Os Ancestrais não fizeram tanto esforço: a Tradição por si só caminhou, viu e venceu.

A sempre preferencial freguesia do Corinthians tirou passaporte!
Essa Tradição acompanha o Futebol em qualquer cancha do Universo. Desde 1910.

PARABÉNS, FIEL TORCIDA!
AQUI É CORINTHIANS!!!

VIVA O CORINTHIANS

NOSSO DE CADA DIA!!!

segunda-feira, 20 de maio de 2013

1913, 2013

Faz cem anos e vinte dias que o Timão, cognominado "Galo Brigador das Várzeas", quebrou a barreira classista imposta no Futebol, ingressando na Liga Paulista. Neste dia a anticorintiania débil mental desabrochou nos coraçõezinhos ocos, enquanto observavam aquela Paixão, aquele Ideal, tomar Força e fincar raízes firmes no lodaçal da mesquinharia que sempre foi esse cenário futebolístico e desportivo.
Naquele momento o Corinthians era um 'entrão', um 'bicão', um "estraga-prazeres" - e sempre que conquistou qualquer coisa em sua História foi tido desta forma por quem não comunga desta Fé Corinthianista.
Por isso podemos dizer que, além daquele torneio de ingresso na Liga ter sido a primeira conquista, foi também a que mais doeu na carcaça da anticorintianada. E São Jorge escreve tão certo que no aniversário de Um Século desta que é a Formadora Conquista, o Corinthians se sagrou campeão do Paulistão. E essa escrita é tão grandiosa que não adianta explicar; seria como querer narrar uma epopéia, explicar a ópera, chover no molhado. Só quem é sabe o que é. Quem não é fica com o ranço que impingiu a si mesmo, de bobeira. Azar de quem não é.
Cem anos depois, o Galo Brigador segue fazendo História. 1913, 2013.
AOS HERÓIS DE 1913!!!
E se quisermos esmiuçar essa História, devemos lembrar que o chamado "clássico" paulista mais antigo também está completando um século. E foi contra a madame da Baixada que essa História foi escrita neste domingo. Logo ela, que há cem anos ingressava por favores na Liga - sem ter de passar por armadilhas como passou o Time do Povo. São Jorge escreve sempre certo.
Obrigado, Corinthians, por nos escolher. A própria vida, por ti, é o mínimo que lhe dispomos.
Parabéns, FIEL TORCIDA!!!

SARAVÁ SÃO JORGE

VIVA O CORINTHIANS
NOSSO DE CADA DIA!!!

quinta-feira, 16 de maio de 2013

La Amenaza Amarilla


O Coringão, na noite de ontem, jogou o que sabe jogar e o que precisava ter jogado.
Muito apesar, como sempre - até porque assim fomos campeões invictos dessa Várzea Latino-Americana -, das opções e da tática que o Professor Adenor realizou, como por exemplo substituir Danilo. No entanto não foi nada disso que determinou a desclassificação.
Nem aquele gol achado de Román, que confessou o acaso de um cruzamento que por infortúnio resultou na gritaria da debilidade mental da anticorintiania. E é por isso que iniciamos dizendo que foi jogado tanto o sabido quanto o necessário. Fomos clamorosamente roubados, e foi isto que determinou o resultado. Não um pouquinho roubados, nem mais ou menos roubados, mas roubados demais de forma acintosa. A mano amarilla da confederação funcionou, e se estampou na boca e na cara da anticorintianada débil mental.
Mas ninguém irá morrer por causa disso... E quem ainda não foi libertado? Como faz?
E como chegamos a essas condições?

Nossa diretoria é muito boa. Para caçar níquel da Torcida. Ótima, para fingir que abre o clube à possibilidade de frequência de seu "Fiel Torcedor" (entre aspas, pois se refere ao vitimizado em dívidas no plano caça-níquel, não dizendo nada acerca do componente da Fiel Torcida por si), ainda que, logo em seguida à comemoração da ótima adesão à referida "promoção", majore os preços das mensalidades futuras. E por que é que não nos surpreendemos? Nossa diretoria é muito boa para arrogar a si "modernidades", fingindo saber qual é a natureza desta instituição. Mas a qualquer momento bate no próprio peito e diz "quem manda aqui sou eu". E nessas circunstâncias e condições, orbitam feito penduricalhos os asseclas que se reduzem a meros papagaios. E é boa para ocultar a História. São aspectos desta nossa sociedade morfética, que são reproduzidos neste universo que é o Clube. Nada de novo.
O ser-humano tem, de fato, esta tendência à submissão, a se pendurar no poder ou, vulgarmente dizendo, se prestar ao papel de puxa-saco. Alguma hora o saco estará no chão, com tanto peso pendurado. E isso uma hora acaba, pois quem puxa o saco quer ser um dia o próprio saco a ser puxado. É neste processo que se dá a ruptura, campo fértil para as traições - como sempre aconteceu na História, e também na História do Corinthians.
A contaminação deste quadro nefasto em parte da Torcida é, infelizmente, latente.
Eis a Charada de Jorge se esmiuçando, a olhos vistos.

A Arquibancada contagiou, e ainda que hoje nossa Torcida não seja um terço do que já foi (até porque a exacerbação do puxa-saquismo inerente é averso e contraditório, por definição conceitual, ao Corinthianismo), a FIEL TORCIDA se mostrou o esteio e a Força do Nosso Corinthians, como sempre, provando, mais outra vez, que não há comparação entre nenhuma torcidinha com esta que é a maior e a melhor do mundo. Enquanto isso, a anticorintianada, coitada, ainda não consegue entender que o Coringão tropeça só para ter a oportunidade de se reerguer ainda mais alto. É isso que uma análise simples da História do Corinthians demonstra - mas a alienação de parcela interna e totalidade externa impede a noção mínima destes fatos. E também faz parte desta enorme Charada de Jorge.
A abutraiada se saiu com um "adeus" ao "sonho". Que "sonho", ignóbil? O Corinthians é a Utopia Concretizada. O Sonho é realidade e é vivido no cotidiano (pobre anticorintianada infeliz fadada a nunca suportar tal realidade...).
Ainda vai demorar para esta Charada ser desvendada.
É DOMINGÃO!

VIVA O CORINTHIANS
NOSSO DE CADA DIA!!!

domingo, 14 de abril de 2013

A Memória

(Texto lido no "100 Anos" da www.radiocoringao.com.br, dia doze de abril de 2013)

Não é por acaso que determinada historiografia (termo científico utilizado para descrever a memória estabelecida, entre outras coisas) é esquecida por uma parcela ainda hegemônica da corinthianidade, que estão e andam esperando estar no comando para sempre.
Não é por acaso, pois o Corinthians é o único caso no esporte nacional que um movimento social assume um caráter revolucionário de fato - não apenas um caráter reformista - e chega às cabeças do Futebol, em particular, ainda que dentro de todas as contradições interiores e exteriores.
O esporte, e o Futebol em particular, são dimensões culturais da sociedade que expressam aspirações humanas ancestrais, e é dessa importância que falamos aqui. O Futebol é um reflexo da sociedade, e dentro desse universo estão as torcidas (as organizadas e também o conjunto autônomo de torcedores).
No caso do nosso Corinthians, o conjunto autônomo gerou e gestou o movimento social que se concretizou em Clube desportivo, e esse conjunto autônomo é autor de um processo histórico, cuja historiografia tem que ser esquecida segundo determinados propósitos.
O Corinthians é um caso isolado de um clube social abrangente e protagonista das mais variadas formas e etnias, e é o caso isolado de um clube social capaz de expressar e exprimir os anseios dos oprimidos, e vencer os opressores. E quem ler essa frase e pensar que se trata de bobagem, apenas por causa do mensageiro, vai ter de parar de pensar no Corinthians como Time do Povo, e parar de gritar que é maloqueiro e sofredor, e outros gritos do tipo, sob pena de poder ser taxado de hipócrita por essa mesmo maldito mensageiro.
O Corinthians de 1913 arrebentou a hierarquia.
O Corinthians de 1913 fez tremer os que se pensavam poderosos. Os que acreditam que podem deter qualquer poder sobre qualquer coisa.
Os desprezados socialmente, os insultados pelas condições, com o Corinthians arrancam as amarras sociais impostas, e em 1913 o Futebol viu esse espetáculo em seu próprio seio - e anseio.
O Povo através do Corinthians assume este suposto poder, em pé de igualdade com a elite, que vai tomar aulas e surras no Futebol, numa permanência histórica que se verá sempre, e hoje em dia, quando essas contradições interiores e exteriores se avolumam, colocando o Corinthianismo do avesso e de ponta cabeça. Não aqui no Bunker.
E 1913 é um exemplo perigoso que tem de ser ocultado, segundo determinados propósitos. Gostariam mesmo, os que têm medo, é que já tivesse sido apagado da História.
Do lado de fora da instituição o que fazem, como sempre fizeram, é transformar este exemplo em banditismo de ralé, e do lado de dentro identificam como algo que não permite apelo comercial. E em ambos os casos o pano de fundo é o argumento depreciativo, e quando não simplesmente ignoram o exemplo e suprimem, ocultam, da memória institucional, ele passa a ser apenas uma rebelião popularesca de ralé, dos desdentados, marginais - pois desse pseudo-argumento não se tira mais nada, pois ele pouco ou nada diz.
Diriam os teóricos: as classes dominantes riscam o povo da história. E apagam principalmente as lutas populares, tentando não deixar qualquer traço, especialmente uma luta popular que atinge o cerne de seu objetivo. 1913 vive.
É por isso que a falseada historiografia institucional, a serviço do avesso da "mercadologização", não diz absolutamente nada sobre março de 1913: ele vive, é preciso liquidá-lo.
Quem fala é Seo Antônio de Almeida, escanteado pela instituição ao longo do tempo, mas alçado à eterna lembrança pelas mãos de Mestre Diaféria. A fonte de Seo Toninho é Antônio Pereira, o fundador e ideólogo, a quem também se busca escantear institucionalmente, embora se possa usar comercialmente sua figura...
Esta falseada historiográfica sequer pretende explicar a própria História da instituição; quando muito busca ajustá-la mediocremente aos conceitos de quem está no comando. E assim há um abismo entre essa historiografia falseada e a realidade concreta, e suas necessidades ideológicas.
Institucionalmente, há tempos, o impedimento destes fatos e exemplos concretos, que foram iluminados academicamente pelo Professor Labriola ainda em meados de 1990, só favorecem quem ainda quer ver a instituição arruinada, alienada, ausente de consciência.
Assim como se falseia uma suposta neutralidade quando se faz qualquer ciência humana, querem te fazer crer que exista alguma mistificação em vitórias e conquistas - e 1913 mostra qual é a conquista e qual é o caminho do processo histórico real desta instituição.
Essa mistificação de conquistas só ocorre para que não seja preciso escancarar a História e seus fatos, possibilitando assim condicionar essa historiografia falseada e a não-interpretação da História dentro do resgate popular que está na base da origem do Corinthians, o que leva a um estado de submissão que expressa a contradição com o Corinthianismo. Tudo isso levando em conta a ocultação de março de 1913 nessa suposta historiografia, que é falseada, portanto.
A instituição ainda não aprendeu a interpretar a sua História, e esse é um problema que abrange a humanidade como um todo. O falseamento e a ocultação é um fenômeno particular por aqui. Mas a História do Corinthians é algo de mais complexo do que qualquer propaganda pode querer comunicar. Tem profundas raízes e não acontece por acidente, e nem à toa. No Corinthians nada é por acaso.
A grande arma de qualquer ser humano é seu próprio cérebro, que encontra munições no arsenal da História.
Se só se encontra uma historiografia falseada, a pólvora desse pseudo arsenal vai ser apenas pó e o cérebro não vai servir pra nada. Março de 1913 está aí para ser encontrado no site, ou não. Está latente para que seja pensado, ao menos neste Bunker.
Não adianta modificar, negar, perfumar, reciclar ou mentir fatos históricos. Quem não vê Março de 1913 não está capacitado para enxergar nenhuma estréia do Corinthians em campeonato paulista - e o que dizer da primeira conquista, invicta, que estará propagandeada em 2014 por conta de seu Centenário...
Mas é cada vez mais comum dar um pedaço para tirar todo o resto. Igualdade, pluralidade, são palavras já sem qualquer força no mundo do interesse. É por isso que este microfone (e este blogue...) é chamado de Bunker; a História do Corinthians é uma guerrilha, que tem o mais completo Arsenal à sua disposição. Que São Jorge nos ilumine sempre.